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A websérie Entre a Fé e Paixão, exclusiva do blog Intrépiida, chegou ao fim com seus 25 capítulos. A história conta o romance da jovem cristã de família conservadora, Analize e Henry, seu melhor amigo, ateu, ganhou uma proporção gratificante na rede. Recebi emails de leitores que acompanhavam a trama desde o seu início e o resultado foi recompensador. Obrigada a todos que acompanharam desde o inicio, aqueles que só descobriram a história depois e voltou pra ler os capítulos antigos, aqueles que amaram e odiaram a decisão dos personagens, a todos que comentara, curtiram e deixaram sua opinião nas redes sociais.

Acompanhe o depoimento de duas leitoras queridas sobre Entre a Fé e a Paixão.

Tamires Machado

É tão bom ficar ligada em algo. É tão bom torcer por algo. É tão bom imaginar cenas, conversas e momentos.
Foi tão bom ficar ligadinha na websérie. Ficar ansiosa para próxima postagem, ficar imaginando o que acontecerá. Ficar torcendo para que a Ana ficasse com Edu (eu pensei nisso desde do primeiro capitulo..rs). Foi tão bom saber que ela se encontrou com Deus. Foi tão bom saber que por mais que nos percamos podemos no encontrar e saber que Deus, mesmo que você tenha se perdido, esta contigo.
E talvez... Entre a Fé e a Paixão encontra-se o aprendizado da paixão e o começo do amor, com a fé ao lado.
Verônica Reis
Acompanhei boa parte da websérie Entre a Fé e a Paixão, confesso que foi doloroso. Isso soa estranho? Pra mim soa familiar. Passei por uma situação muito semelhante a de nossa querida Ana, e meu Henry fez tudo que podia, ainda assim não foi o suficiente. O final eu já esperava que fossem os dois separados, afinal para muitos é o correto, mas fiquei triste, pois acredito que o amor, quando verdadeiro atravessa até os limites da religião. Mas o importante é que apesar de toda dor Ana seguiu em frente com aquilo que acredita ser o certo. Foi muito bom acompanhar, adorei Bel.

Se você não conhece a história e quer saber mais sobre o que é a websérie Entre a Fé e a Paixão, então é só ver esse post especial com a sinopse e apresentação dos personagens e se te interessar é só continuar lendo os capítulos aqui.

Até a próxima!




No final de semana, após uma semana exaustiva de provas na faculdade, Edu me chama para ver o filme do ano no cinema, desde que foi divulgado que estavam produzindo esse filme ficamos super ansiosos para vê-lo na telona, só que nem Lua nem Cassie puderam ir, então fomos só nós dois. O filme foi perfeito, rimos e nos emocionamos muito, a sessão estava lotada. 
Era perceptível como eu e Edu nos dávamos tão bem, claro que ele não era perfeito, tão pouco eu, claro que as vezes a gente discordava das coisas, claro que muitas vezes eu queria fazer algo e ele não e mais claro ainda que éramos diferentes, mas não importava, nós éramos amigos, melhores amigos, confidente, cúmplices, e isso era tudo.
Começava a perceber o que as meninas, o pessoal da igreja e meus próprios pais já haviam notado, o quanto Edu me admirava, me entendia e cuidava de mim sem pedir nada em troca.

- Filha, Edu vem aqui hoje? Perguntou minha mãe assim que acabei o café da manhã no domingo chuvoso de inverno.
- Não sei, mãe! Falei com ele ontem, não sei o que ele vai fazer hoje.
- Ah, bem que você podia chamar ele pra almoçar aqui depois da reunião, fiz macarronada ao molho branco, do jeito que ele gosta. 
O riso foi inevitável, minha mãe amava Edu e eu precisava confessar que também amava aquele branquelo, não sei se mais do que amigo ou apenas como amigo, na verdade isso não importava muito, o importante era que eu o amava e esse amor era único, era leve, era lindo, o melhor era saber que ele também me amava, como amiga ou mais do amiga, só o amor era o mais importante, e era isso, apenas isso que eu precisava.

Um lindo e grande amor estava começando...

(Fim)



Depois daquele dia estava me sentindo bem melhor, as lembranças "boas" insistiam em vim de vez em quando, mas agora eu conseguia resistir a ela. Voltei a sair para me divertir com as meninas e Edu, era bom, era bom demais. Começei a proveitar de verdade o tempo que passava com Edu, ele era sempre tão prestativo e compreensivo, era tão meu amigo, sempre foi, em todos os momentos da minha vida, os bons e ruins, ele sempre esteve lá para me apoiar, para falar a verdade, para brigar comigo, para me parabenizar quando fazia a coisa certa. Estava pensando em tudo que ele já havia me dito e que me marcou, quando Lua interrompeu meus pensamentos:

- Ana! Por que você não dá uma chance pro Edu?!
- Hãa? O que? Ela havia me pego de surpresa. Estávamos tendo aquela típica tarde de mulherzinha, pintando a unha uma da outra, testando maquiagens e fazendo penteados loucos.
- É isso mesmo que você ouviu, não se faça de desentendida. Esta na cara que ele é super a fim de você! Afirmou Lua com veemência.
- O que é isso Lua? Somos amigos, ele é meu melhor amigo!
- É assim que começa as melhores histórias de amor, Ana. Não sabia disso? Disse Cassie.
- Também acho! Concordou Lua.
- Não acredito que vocês estão dizendo isso... eu...
- Nem termine o que você ia dizer, aquele cara lá já se foi a muito tempo. Nem ouse dizer que tem pouco tempo que vocês terminaram, por que não tem, só na sua cabeça. E aliás... eu tenho certeza que você e o Edu foram feitos um para o outro. Falou Lua toda animada.

Parecia que Lua estava lendo meus pensamentos, como ela consegue fazer isso? Fiquei sem resposta. Cassie ajudou a amiga, enfatizando que nós faríamos um belo casal, que todo mundo até na igreja já havia percebido o grande carinho e respeito "além do normal" que Edu tinha por mim.

Fui para casa pensando naquilo, tinha apenas seis meses que eu estava solteira, ainda estava tudo muito recente. Será que era verdade? Será que Edu gostava de mim mais do que como sua amiga?
Ao chegar no meu quarto o celular tocou, nem notei que havia colocado coincidentemente a música favorita do Edu como toque do meu celular e era ele ligando.

- Oi Edu. Atendi feliz.
- Oi Ana, como foi a tarde com as meninas? Senti falta de vocês hoje.
- Ah, foi ótimo Edu, nos divertimos bastante, só faltou você.

Como sempre fazíamos ficamos horas no celular jogando conversa fora, era incrível como Edu sempre se fazia presente na minha vida. Sem dúvidas ele me fazia muito bem, mas não quero que nada estrague essa amizade.

Continua...


Nunca pensei que ia passar por isso na minha vida, era difícil confessar que meu coração ainda sangrava por causa dele, que meus olhos ainda choravam toda vez que as lembranças vinham, bastava eu ficar só para os pensamentos sobre ele virem me atormentar. Foi em um desses momentos de fraqueza que tive uma recaída e a "brilhante" ideia de acessar o perfil dele no facebook, pra quê? Por que fui fazer isso? 

Henry Matias esta em relacionamento sério com Jennifer Alcântara.

As lágrimas foram insstantâneas, onde foi parar todas as juras de amor eterno que ele me fez? Como sumiu de repente tudo que ele disse sobre nunca me esquecer?

- Como fui burra! Burra! Burra! Burra! Como fui acreditar em tudo que ele disse! Falei sem parar comigo mesma.
- I-D-I-O-T-A! Isso que eu sou!

Em meio ao meus desvaneios e lágrimas de dor e raiva que corriam dos meus olhos, ouvi alguém bater na porta do meu quarto.

- Ana, posso entrar? Era Edu, esqueci que tinha marcado uma sessão de cinema em casa com ele hoje.
Imediatamente fechei a janela no computador e fui em direção a porta.
- Edu! Pode entrar! Tentei ficar animada enquanto enxugava as últimas lágrimas que insistiam em cair.
- O que houve Amm? Está chorando?
- O que? Hãa? Chorando... eeu? 
- Não adianta fingir Ana, eu te conheço bem! Afirmou Edu. E eu sabia que era verdade, nunca soube esconder nada dele e claro que não podia mentir.
- Foi uma coisa que eu vi aqui na internet...
- Que coisa? 
- Ah Edu, deixa pra lá! Já passou!
- Tem certeza? Não precisa esconder nada de mim Ana, sabe disso.

Nem precisou ele insistir, acabei desabafando, dizendo tudo que ainda sentia pelo Henry e o que tinha visto no perfil dele.
- Será que isso nunca vai acabar? Será que nunca vou me recuperar disso? Dizia mais pra mim mesma do que para ele.
- Claro que vai Ana, não diga isso! Você é forte, você consegue. Só precisa se desligar de tudo que te enfraquece.

Ele tinha razão, eu precisa me desligar de tudo que se quer me trouxesse qualquer lembrança de Henry. Joguei fora tudo que ele me deu de presente, troquei de perfume, rasguei todas as fotos que tínhamos juntos. Estava lendo o poema que ele me escreveu quando erámos só amigos, fiquei surpresa quando vi que ainda guardava a linda rosa branca que ficava no centro do buquê gigante que ele me deu quando voltei das férias em Búzios, acariciei com carinho a rosa e o bilhete, meu coração não suportou, lágrimas quentes correram pelo meu rosto e de repente o celular tocou:

- Quem deve ser uma hora dessas? Alô? Disse ao atender, o número estava restrito.
- Ana? Eu podia reconhecer aquela voz em qualquer lugar do mundo.
- Henry? É você?
- Sou eu, estava com saudade de ouvir sua voz, só liguei pra saber como você esta...
Eu queria dizer que estava morrendo de saudade, que precisava vê-lo urgentemente, mas tomei a decisão de ser fria, de não vacilar.
- Estou bem Henry, muito bem, aliás. Anunciei numa voz firme.
- Que bom, amor. Tem uma coisa que preciso te contar... Falou ele num tom baixo e relutante.
- Diga... estou ouvindo.
- Eu voltei com a Jennifer... estamos namorando.
Não acredito que ele esta me contando isso, não acredito!
- Hmm, que bom pra você!
O silêncio apreensivo se estendeu por alguns segundos, até que ele disse:
- Que bom pra mim? Só isso que você tem a dizer?
- O que quer que eu diga Henry? Você é livre, namora com quem quiser...
- Eu sei, mas quero que saiba que eu nunca vou conhecer ninguém como você. Ana, você é a mulher mais incrível e maravilhosa que eu já conheci e ...
- Para Henry! Para com isso! Não precisa me dizer nada disso! Você esta namorando, esta feliz, isso é que importa!
- Eu não estou feliz... Disse ele baixinho.
- Como não?
- Eu só estaria feliz se estivesse com você.
- É melhor parar com isso Henry, não estou achando graça alguma. E quer saber? Pare de me ligar, eu não vou mais atender... Não sei quem te deu meu número, mas não adianta! Tchau!

Pela primeira vez fui grossa e arrogante com Henry, desliguei o celular na cara dele, sem pensar duas vezes. Era preciso!

Continua...






Sai em desespero, parece que já estava arrependida a partir do momento que dei as costas para ele em prantos, corri o máximo que pude a fim dele não me alcançar. No meio do caminho esbarrei em Edu que andava distraído olhando para o celular.

- Ana! Disse Edu assim que viu naquele estado.
- Haaã?! Edu! Respondi alarmada.
- O que houve? Quer que eu te leve para casa? Cadê o Henry?
- Por favor me tira daqui!

Edu me guiou pelo caminho até o táxi e me deixou em casa sem mais perguntas, acabei afirmando que havia terminado meu namoro.
Claro que Henry não desistiu de mim tão fácil, muito pelo contrário, ele me ligava a todo instante, mensagens não paravam de chegar no meu celular, evitava até de acessar minhas redes sociais só para não me deparar com ele por lá, meu coração estava apertado, estava morrendo de saudades dele, só não me desligava de vez da vida por causa de Edu, ele me ligava sempre só para saber como eu estava. Cassie e Lua me derão o maior apoio, apesar de serem amigas de Henry, elas reconheciam o quanto eu havia mudado para pior depois de assumir meu relacionamento com ele. Passei a ir todos os dias a igreja e me firmar novamente com Deus, para minha alegria, minhas amigas que são como irmãs para mim começaram a ir comigo e Edu, claro, me ajudou em cada detalhe.
Depois de algumas semanas ainda chorava toda noite antes de dormir, quando vinha à tona as lembranças dos momentos bons que passei com Henry, eram alegres e tristes ao mesmo tempo. No fundo eu sabia que ele não me fazia bem, eu havia mudado muito depois que ele entrou na minha vida, não era mais a mesma, parei de ir para igreja, o lugar que mais amava no mundo, andava nervosa, inquieta, minha consciência pesava toda vez que orava, não conseguia conversar direito com minha mãe, muito menos com meu ai, me afastei dos meus melhores amigos, ia mal na faculdade, tudo desandou. Estive cega por muito tempo, o remorso me dominou, me impedindo de ter o arrenpedimento verdadeiro. Mas enfim fui forte o bastante para tomar a decisão certa, ninguém podia tomar essa decisão por mim, era eu que tinha que ter essa atitude! Arranquei ele da minha vida, não foi nada fácil.
Ele sumiu durante um mês da faculdade, mesmo assim ainda insistia nas ligações, recados e mensagens, até cartas tradicionais ele mandou. Confesso que fiquei abalada repetidas vezes, mas resisti e continuei.

No dia em que Henry resolveu aparecer em frente ao meu prédio de aulas numa sexta-feira chuvosa, meu coração dilacerou violentamente.

- Ana, posso falar com você um minuto por favor? Pediu ele receoso assim que me viu descer as escadas.
- Henry? O que faz aqui? 
- Precisava falar com você! Sei que não quer falar comigo, não respondeu nenhum dos meus recados e mensagens, mas eu preciso! Pediu quase implorando.
- Tudo bem, Henry. Diga... Disse tentando controlar ao máximo o que estava sentindo.
- Eu não sei o que eu fiz para você me tratar desse jeito, pra você ter terminado comigo sem motivo, mas quero que saiba que eu te amo e vou amar para semp...
Interrompi:
-  Não Henry, não continue essa frase. Tudo que a gente viveu foi intenso e o que eu sentir por você foi verdadeiro, mas realmente não dá, não posso ficar com você. Podemos ser amigos se você quiser...
Exaltado e nervoso Henry replicou:
- Você acha mesmo que eu posso ser seu amigo? Acha que consigo fazer isso? Que a gente consegue fazer isso, Am?
- A gente pode tentar, basta querer!
- Tentar, Ana?

Sabia que aquela conversa não nos levaria a lugar nenhum, então ele decidiu que deveria ir embora da minha vida de vez. Trancou a faculdade e se mudou para outra cidade. Ainda insistia em me ligar às vezes e eu teimosamente atendia só para ouvi-lo dizer que não me esqueceu e que não conseguiria fazer isso nunca. As mensagens eram constantes toda noite. Mas chegou o dia que pus o fim naquilo, apaguei o número dele do meu celular e troquei de número, proibi Lua e Cassie de darem meu novo número a ele, Edu nem precisei avisar, além disso exclui ele de todas as minhas redes sociais e não voltei atrás.

Continua...



É hoje. Acordei naquela manhã de quinta-feira totalmente decidida. Dormi tranquila a noite inteira, o que eu não fazia a muito tempo. Ao abrir os olhos estava nervosa do alto da cabeça até os meus pés quando me dei conta do que iria fazer, minhas mãos suava demais, eu estava gelada e minha boca seca e pálida. Não o vi quando cheguei na faculdade, para o meu alívio momentâneo. Sentei no fundo da sala, preferi não contar a ninguém o que iria fazer, nem se quer comentei nada com Cassie e Lua.

No fim da manhã lá estava Henry na porta da minha sala, encostado na porta me esperando. Tomei um susto, mas depois descobri o porquê daquilo.

- Hey, tá fugindo de mim? Perguntou Henry me encarando e impedindo minha passagem.
- Fu...gindo? Ee..eu? Gaguejei.
- Sim Ana, o que foi que eu fiz?
- Você? Você fez alguma coisa? Retruquei.
- Não me responde com outra pergunta! Vem, vamos ao meu carro pra gente conversar.
- É melhor não, Henry. Desculpa!
- Mas você não vai me dizer o que esta acontecendo?
- Vou sim. Pode me esperar na área reservada da lanchonete lá em baixo?
- Porque lá? Não podemos ir na praia?
- Não, não podemos, só pode ser lá, isso se você quiser saber o que eu quero falar.
- É claro que eu quero. A gente não pode ir juntos?
- Não posso ir agora, hoje às 18hs vai ter um congresso no auditório, chegarei antes disso para nós conversamos.

Ele como sempre tentou questionar o que por que daquilo, mas precisava começar a ter pulso firme. Fiquei surpresa por ele ter me colocado na parede me questionando sobre ontem, mas depois retomei minha postura e não vacilei. Chega de ele me manipular, a final era isso que Henry sempre fazia comigo, como podia esta tão cega a respeito disso?

À noite quando cheguei na faculdade vi Edu e Henry conversando no muro próximo ao auditório, meu coração pulou ao ver os dois juntos, não sabia o motivo. Henry parecia preocupado, mas Edu tranquilo, fazia tempo que não via os dois juntos. Me aproximei sem hesitar, cumprimentando os dois disse:

- Boa noite.
- Oi Ana. Respondei Edu educadamente e sorrindo.
- Amor... Disse Edu me dando um beijo de repente.
Mas o que ele estava fazendo? Tentei me afastar sem fazer alarme, mas ele notou minha frieza, podia ver em seus olhos a insatisfação. Edu ficou sério e anunciou que estava entrando para a palestra.
- Podemos ir? Falei com Henry, lembrando sobre o que tínhamos marcado.

Ao entrarmos na lanchonete fomos direto a área fechada, destinada a reserva. Ele foi logo perguntando:
- O que esta acontecendo com você, Ana?
- Precisamos conversar sobre isso.
- O que foi? É a Jennifer de novo?
- Hã? A Jennifer? Nem me lembrava mais na ex-namorada dele, ou será que era ex mesmo? - Não, não é sobre ela.
- É o que então? Me interrompeu impaciente.
Decidi ir direto ao assunto, não dava pra adiar mais.
- Não posso continuar com você. Soltei sem pensar.
- Como? Se alterou Henry quando percebeu o que havia dito.
- É isso mesmo, não dá mais!
- Mas assim? Do nada? Tem que ter um por que!
- O único por que que existe, você nunca irá entender.
- Pode tentar pelo menos! A gente sempre conversou sobre tudo.
No início era verdade, sempre conversávamos sobre tudo, mas agora não mais. Era só pegação e mais nada.
- O fato é que estou terminando com você e não quero que me procure mais. Se quiser ser meu amigo, seremos amigos, só amigos.
- Você acha mesmo que vamos consegui ser só amigos depois de tudo que aconteceu entre a gente?
- Podemos tentar. Falei com firmeza.
- Podemos mesmo? Mesmo sem você me dizer o que houve?
- Henry... Meu coração comecou a doer dentro do peito.
- Me diz por favor. Falou ele segurando as minhas mãos.
- Você não irá entender... Preciso ir! Lágrimas comecaram a rolar pelo meu rosto.
- Espera...

Continua...


Droga! Droga! Droga! De novo não! 

- Você tem que parar com isso Analize Gomes Albuquerque, tem que para com isso agora! Já!

Dizia para mim mesmo no espelho do banheiro. O que eu estava fazendo da minha vida? Eu não tinha mais vida! Estava caindo no poço mais fundo, no abismo mais escuro, não teria mais volta se eu não colocasse um fim nisso. Era duas da tarde, decidi voltar mais cedo do encontro diário com Henry na nossa praia deserta.  Ele já sabia até onde eu ia toda vez, nos nossos amassos mais próximos, mas mesmo assim insistia até que eu cedia mais um pouco, e já estava cedendo demais.
Já se passaram dois meses, desde que constatei o que estava acontecendo comigo e com meu namorado Henry. Não podia continuar daquele jeito, eu tinha voltado a ir a igreja com mais frequência. Toda vez que orava, acabava me derramando em lágrimas, pedia perdão a Deus e chorava de novo até me sentir exausta. Mas no outro dia ao ver Henry era automático, não conseguia resistir e o beijava, ficava com ele e deixava ele me tocar muito mais do que apenas namorados deviam fazer. Na minha concepção era errado, muito errado, isso não agradava a Deus, para Henry era normal, algo natural e quase obrigatório dentro do namoro. Se contasse para Cassie e Lua, elas não iram achar nada demais, no entanto eu não contava, só eu sabia o que estava acontecendo e sabia que se aquilo continuasse e avançasse mais eu ia me arrepender muito mais do que já estava arrependida.

Levantei naquela manhã na certeza de que a noite ia para igreja e decidira a minha vida, não podia continuar daquela forma, seria tudo ou nada!

Cheguei na faculdade e fui direto para sala saindo de lá só quando tive a certeza que Henry já tinha desistido de me esperar, o celular tocou diversas vezes e mensagens não paravam de chegar. Estava na biblioteca há mais de uma hora, olhando pro nada, não conseguia de jeito nenhum me concentrar em qualquer coisa que fosse, sabia que ele não iria me procurar ali e graças a Deus, deu certo.
Sai de lá duas horas depois e fui para casa, me tranquei no quarto até a hora de ir para igreja. Cheguei uma hora mais cedo, queria me entregar ao máximo para aquele momento, era muito importante pra mim.
Vi Edu se aproximar de mim meia hora antes da reunião começar.
- Ana, que bom ver você aqui! Disse Edu com um sorriso enorme nos lábios.
- Oi Edu, é bom ver você também!
- Chegou tão cedo, aconteceu alguma coisa? Perguntou ele.
- Na verdade vai acontecer. Afirmei séria.
- Algum problema? Quer me contar?
- Problema nenhum, vou por um fim nesse problema.
- Que bom então Ana, creio que dará tudo certo.
- Eu sei, vai dar sim! Disse sorrindo.
- Posso sentar aqui com você? Perguntou Edu apontando para a poltrona ao meu lado.
- Claro que pode. 

Estava um pouco cabisbaixa, deixei me envolver demais com isso tudo, no fundo, no fundo, eu sabia que não daria certo namorar com alguém como Henry, totalmente diferente de mim, em todos os sentidos e principalmente com relação a minha fé. Estava ferida, machucada, doente e sabia que eu mesma tinha causado tudo isso. Corri rumo a perdição, me lancei no precipício, , mas parece que sobrevivi, tenho que sobreviver, me erguer, segurar a mão que nunca deixou de esta estendida para mim.
Encostada no ombro de Edu, minha mente vagava entre os momentos bos que tive ao lado de Henry e em tudo que sentia quando a culpa vinha à tona dentro de mim. Pensei em milhões de formas de terminar com ele, mas nenhuma parecia que ia convencê-lo, precisava de ajuda e era por isso que estava ali. Meu grande amigo, Edu, não perguntou nada, parecia que ele podia ler meus pensamentos, ele me entendia sem eu dizer nada.

Depois de terminar a reunião cheguei em casa bem mais aliviada, como se um fardo tivesse sido tirado dos meus ombros, não podia mais pensar em Henry como antes, ao invés disso meu pensamento estava nos momentos de oração que tive com Deus naquela noite, quão longe estava daquilo tudo, da comunhão com Deus. Mas agora tudo seria diferente e ainda melhor. Eu já havia tomado minha decisão e não haveria mais volta.

Continua...


Henry estava muito preocupado em eu ter entendido errado sobre aquela loira na lanchonete da faculdade. Na verdade nunca fui ciumenta, nunca mesmo, tenho equilíbrio o bastante ao ponto de não me entregar a tamanha insegurança e me tornar uma namorada obessesiva e ciumenta. Sai da lanchonete como um foguete e peguei o primeiro ônibus que estava parado no ponto, logo a frente da faculdade, vi ele correndo atrás de mim, mas foi incapaz de me alcançar a tempo. Ele me ligou várias vezes e mandou mensagem também, não queria falar com ninguém, fiquei o resto do dia trancada no quarto.
Quando deu meia noite, resolvi atendê-lo:
- Alô?
- Te ligo desde de cedo Ana, o que aconteceu?
- Já disse que não aconteceu nada!
- O que você esta pensando? A Jennifer não é ninguém, ninguém importante, quer dizer... não mais!
- Hunrumm. Apenas murmurei. Se tinha algo que o Henry nunca fez, nem nunca faria, era mentir pra mim, essa era uma das coisas que me fazia adimirá-lo ainda mais. Ele iria falar a verdade e eu nem precisava me preocupar com isso.
Nas próximas horas ele me contou sua história com a Jennifer, ela era sua ex namorada que tinha viajado para o exterior por causa dos pais, ele me disse todos os detalhes e me pediu perdão por não ter contado antes. Ela prometeu que voltaria e ele prometeu que iria esperá-la e assim que isso acontecesse eles iriam voltar a ficar juntos, mas não tinha como saber quando isso iria acontecer, foi o que ele me contou e eu acreditei, lógico. Não havia motivo para mentira, mas agora eu existia e uma decisão precisava ser tomada. Resolvi não dizer mais nada e disse que conversaríamos amanhã. Era só o que me faltava, uma ex, uma promessa e uma decisão definitiva que só eu podia tomar!

Necessitava urgentemente desabafar com alguém, estava sufocada com tanta coisa na minha cabeça. Disquei o número de Edu, ah Edu, meu amigo, meu melhor amigo, que saudade das nossas tardes juntos, das nossas conversas despreocupadas, da nossa amizade tão pura, tão linda. Desliguei antes dele atender, já era tarde e o que eu ia dizer? Edu, estou ficando louca, me entreguei mais do que devia a pessoa errada e estou me sentindo um lixo. Não, eu não podia dizer isso, não podia contar pra ninguém, tinha vergonha dessa situação.
Como prometi, aceitei conversar com Henry na nossa prainha de sempre, ele repetiu a história outra vez, mesmo dizendo que já entendi tudo, ele disse que precisava contar olhando nos meus olhos.
- Você esta indecifrável, Ana. Não vai dizer nada pra mim? Ele perguntou.
- O que quer que eu diga?
- Qualquer coisa! Me odei, me xingue, me bata, só não fique calada, por favor. Henry quase suplicou.
- Confio em você, não vou fazer nada disso, acredito no que disse. Respondi com toda paciência do mundo. Nós nunca havíamos brigado antes e não era agora que isso iria acontecer, não existia motivo para isso. Começamos a nos beijar fervorosamente depois de conversarmos o bastante por longas horas, mais uma vez notei que tinha tempo que não faziamos isso. Os amassos caminhou para o mesmo caminho errado outra vez, estavamos rolando na areia, como se o mundo tivesse parado só para nós, meu jeans estava aberto e abaixado até a minha coxa, a blusa rosa de manga curta que usava já estava próximo ao mar e Henry tinha tirado a camisa também. Era sempre assim que terminava nossos encontros às escondidas, eu adorava aquilo, mesmo sabendo que era errado, mesmo negando com a boca, ele já me conhecia muito bem e toda vez que pedia para que parece era como se dissese continua, não para nunca mais.
- Por favor Henry, não posso fazer isso. Murmurei em meio a seus beijos quentes.
- Você quer que eu sei, eu te amo!
- Para, eu não quero... não quero! Supliquei agarrando suas costas com mais força.
- Não é isso que seu corpo esta dizendo.

O tempo passava voando quando estavamos assim e depois daquilo tudo chegava em casa em desespero incessante. Chorava horas no meu quarto com o lençol abafando os soluços, não conseguia mais orar, fazer a mesma oração de sempre, usar as mesmas palavras, dizer que estava arrependida e fazer tudo igual de novo. Eram oito horas da noite quando minha mãe bateu na porta do quarto e falou que Edu estava lá em baixo querendo conversar comigo. Tentei esconder a voz embargada e pedi para ela mandar ele subir. Minha mãe gostava tanto do Edu, todo mundo gostava.
- Boa noite Aninha. Chamou Edu, abrindo a porta devagar. 
- Oi, Edu, que saudade de você. Estava mesmo com muita saudade, eu amava aquele garoto, ele só me chamava assim, de Aninha, quando erámos crianças, como pode ainda se lembrar disso.
- Aninha, porque você some assim, você não é disso. Aquele dia na igreja foi o último dia que ouvi sua voz até agora.
- Ah Edu, pensei em ti ligar mas mudei de ideia...
- Porque? Você pode me ligar quando quiser, sabe disso!
- Eu sei, mas adimito que não estou sendo uma boa companhia esses dias, não vê? Não tô legal, nem um pouco!
- Estou vendo, mas ninguém pode tirar dessa, só você mesma.
- Sempre dizendo as palavras certas, não é?
Jogamos conversa fora até as 10 da noite, quando minha mãe trouxe o jantar pra nós, ele não insistiu para que eu contasse o que estava acontecendo, apenas me fez companhia, me tirou alguns risos, fez com que me sentisse melhor apenas por esta conversando com alguém que gostava tanto de mim. Depois de comermos, pedi para que ficasse mais um pouco, mas sabia que não poderia, amanhã tinha aula logo cedo e ele não devia dormir ali comigo.

Ao chegar na faculdade meu celular vibrou na bolsa, era uma mensagem:

Ana, aconteceu uma coisa que você precisa saber! Estou te esperando na sala 13.

A mensagem era da Lua, não podia evitar de pensar besteira, o que podia ser agora? 
- Ana, vem cá rápido! Disse Lua assim que entrei na sala vazia. 
- Olha só... Ela estava na janela e apontava para duas pessoas no andar de baixo, era ele e ela, Henry e Jennifer, estavam conversando perto demais ainda que civilizadamente.
- O que é isso? Perguntei.
- Faz horas que eles estão lá embaixo, conversando sobre alguma coisa tensa, depois engraçada e agora... Ela fez uma pausa.
- Agora estão se tocando muito e ele parece triste, mas ela esta feliz. Completei o que era óbvio.
- Sim, isso mesmo.

Disse para ela ir pra sala comigo, não falei mais nada até o fim da manhã. Como sempre Henry estava me esperando no seu carro preto e charmoso. Nos agarramos no carro, depois na praia, assim que ele me contou que havia conversado com a Jennifer e aunciou ter decidido que seriam amigos.

Continua...


Levantei no dia seguinte com a certeza que seria tudo ou nada, eu tinha que tomar uma decisão definitiva.
Antes de sair para faculdade me ajoelhei aos pés da cama e orei:

- Meu Deus, eu sei que não mereço seu amor, tão pouco seu perdão, mas também sei que não posso continuar desse jeito, eu errei, errei feio, me envolvendo com alguém tão diferente do Senhor, totalmente contrário aos princípios que sempre aprendi e obedeci desde pequena. Reconheço que só pode ser por causa dele que tenho estado assim tão longe, mas o amor, o Senhor criou o amor, o Senhor é o próprio amor e eu o amo. Como pode isso ser tão errado e esta me fazendo tanto mal?

Lágrimas começaram a correr nos meus olhos, um aperto no peito me impediu de continuar falando e depois disso eu só chorei, chorei até soluçar. Me lembrei daquele versículo, Deus entendia até os meus gemidos inexprimíveis, Ele sabia muito bem o que estava sentindo, após alguns minutos sufocantes de choro e dor, eu disse abrindo os olhos:

- Me ajude, por favor, me ajude a tomar a decisão certa!

Foi a única frase que consegui pronunciar, levantei e me deparei com uma Analize triste, com olhos fundos, vermelhos e inchados, estava inteiramente abatida. Lavei o rosto, esfregando a região dos olhos e da boca ferozmente e desesperadamente. Enxuguei por alguns instantes, ao olhar o relógio vi que já estava uma hora atrasada e me apressei.
Quando cheguei na sala da faculdade, avistei as meninas, Lua e Cassie, no fundo conversando com olhares preocupados. Aproximei-me cautelosamente:
- Ana, esta tudo bem? Perguntou Lua com preocupação.
- Você nunca se atrasa ou falta a aula sem antes avisar pelo menos... E hoje é dia de prova, esqueceu? Continuou Cassie.
- É verdade, esta tudo bem meninas, eu vou ficar bem.
- Você esta... destruída Ana. Lua quase sussurrou, constatando o que já sabia.
- Perdeu a prova Ana, foi no primeiro horário. Anunciou Cassie.
- Eu sei Cassie e não posso fazer mais nada com relação a isso.
- Quer saber é aquele cara não é? É o Henry que tá te deixando desse jeito!
- O que? Aquele cara? Não são vocês que são super amigas desse cara? Falei olhando para as duas.
- É eu sei, mas ele não esta te fazendo nenhum bem Ana, não percebe?
- Como assim? O problema não é ele, sou eu!

Respondi mais alto do que devia e dei meia volta, sai da sala em direção a lanchonete. Estava completamente arrasada por dentro e todos estavam notando isso, será que só eu não via?
Pedi um café extra-forte, eu nunca bebia café, mas precisava disso. Uns minutos depois Henry aparece sorridente, o que não demorou muito quando me viu daquele jeito.
- Hey, o que faz aqui? O que aconteceu com você?
- Comigo? Nada!
- Você esta péssima! Anunciou ele com olhos cheios de afeto.
- Não estou não, impressão sua!
- Você nunca bebe café! Porque esta aqui, não devia esta na aula?
É incrível como ele me conhece tão bem.
- Desde de quando você se preocupa com isso? Foi inevitável não ri ao dizer isso, mas ele entendeu errado.
- Claro que eu me preocupo com você, é semana de prova, devia esta na sala.
- Eu sei, não quis dizer isso. Me atrasei e perdi a prova!
De repente ele muda completamente de assunto e se aproxima sem nenhuma hesitação, afasta a cadeira ao meu lado e senta tocando o meu queixo suavemente, forçando que eu olhe para ele.
- Amor... o que tem te deixado desse jeito?
Essa é a hora, mesmo com tanta gente ao redor, eu precisava falar o que estava acontecendo, não podia continuar assim, tinha que conversar com alguém, conversar com ele. Faz tempo que não para ninguém sobre o que de fato acontece dentro de mim, o que de fato acontece quando Henry e eu estamos sozinhos, é uma espécie estranha de paixão e desejo incontroláveis, eu o desejo com todo o meu ser, mas isso tem que acabar. Abro a boca com a intenção de desabafar, entretanto não consigo.
Porém hesitante, Henry me beija com doçura, sem desejo, sem furor, apenas de maneira suave e romântica, tentei evitar mas acabei correspondendo. Lágrimas correram dos meus olhos, uma ponta de dor e culpa pulsaram no meu coração. Passaram alguns segundos do beijo mais lindo que ele me deu e fomos interrompidos por uma voz melosa. Olhei assustada, não conhecia aquela voz, que estranha iria interromper o beijo de dois apaixonados?
- Henry, como vai você? Uma loira estonteante apareceu na nossa frente cumprimentando Henry com certa intimidade que me incomodou um pouco.
- Jennifer? O que faz aqui? Henry diz incrédulo, como se visse um fantasma. Então ao que parecia os dois se conheciam, há muito tempo por sinal. Fiquei sem chão e decidir ir embora.
- Vou indo Henry. Anunciei.
- Espera... amor! Disse olhando para a loira.
- Preciso conversar com você agora mesmo. Falou a tal da Jennifer como se eu nem estivesse ali, no entanto sua voz estava tranquila e educada.
- Não temos nada para conversar, não vê? Estou ocupado! Pelo que conhecia do meu namorado misterioso, ele estava começando a ficar furioso.
- Onde você vai? Eu levo você. Continuou dizendo, dessa vez olhando nos meus olhos.
- Não precisa, vou sozinha.

Continua...


Enfim quando acabou a aula, tentei ao máximo não me deparar com Henry, não estava pronta para aquela conversa decisiva. Para isso resolvi sai pela porta dos pedestres, evitando passar pela saída dos carros. Caminhei lentamente até nossa prainha próxima a faculdade, os pensamentos dos momentos que vive com Henry naquele lugar inundaram a minha mente. Quando estava com ele me sentia tão viva, tão poderosa, tão mulher, não podia terminar com Henry assim, sem mais nem menos. Uma lágrima teimosa rolou no meu rosto, deixei-a correr, seguida de muitas outras. Estava preste a cometer o maior erro da minha vida, eu sabia que isso estava cada vez mais perto, quanto mais me envolvia com Henry, estava mais perto de desagradar a Deus cruelmente. Corria sérios riscos toda vez que ficava trancada no quarto com ele, toda vez que ficávamos sozinhos em algum lugar, precisa por um fim nisso.

- Ah, eu não vou conseguir! Disse em voz alta pra mim mesmo choramingando.
- Não vai consegui o que? Perguntou uma voz preocupada atrás de mim. Eu sabia quem era.
Atordoada me virei e encarei seus olhos profundos cor de mel.
- Henry?! Não é nada! Afirmei confusa, enxugando as lágrimas.
- Pode me contar, você sabe que pode contar comigo para tudo.
- Eu sei, mas... Ele interrompeu:
- Mas... nada! Parou e segurou meu rosto com as duas mãos. Eu tô aqui, o que esta acontecendo?
- Desculpa Henry, você nunca entenderia.
- Como você pode ter tanta certeza disso?
- Eu só sei, desculpe. Disse me virando novamente para encarar o mar turbulento.

Momentos de silêncio se seguiram e eu não conseguia mais pensar em nada, sentindo sua presença forte e quente atrás de mim.  Contornando, ele apareceu na minha frente, os olhos intensos me encarando. Com um susto ele me agarrou e me beijou apaixonadamente, não pude impedi-lo, no fundo eu também desejava isso. Após o beijo demorado, tudo voltou a ser como era, o gelo e o clima tenso se quebrou. Sentamos na areia, perdidos em pensamentos, carícias e beijos sem fim. No final da tarde ele me levou em casa ou melhor, perto de casa, meus pais nunca aprovarão nosso envolvimento, eu sei disso. Me despedi com um beijo longo e apaixonado, ainda dentro do seu carro, como se nunca mais fosse beijá-lo outra vez.
Abri a porta, meus pais estavam na sala assistindo tv, já arrumados para ir para igreja naquela noite. Casualmente minha mãe me perguntou:
- Ana querida, vai conosco hoje?
- O que mãe? Já estava nas escadas com a cabeça na lua, quando respondi.
- Pra igreja Ana, você vai com a gente?
- Ah... Pensei por alguns segundos e disse: - Acho que sim, mãe, só um minuto.

Subi as escadas apressadas, troquei de roupa e acompanhei meus pais a igreja, essa era coisa certa a fazer, afinal o que eu estava pensando de minha vida?
O culto começou como sempre, preferi ficar no fundo outra vez, meus pensamentos estavam em quando eu dava aulas de inglês para os pequenos, bateu uma saudades desesperadora. Repentinamente era como se eu não estivesse mais ali e recordei a noite passada, foi tão maravilhoso, senti Deus me acolher de braços abertos e me perdoar mais uma vez. O pior era que tinha feito tudo errado de novo, havia passado o dia inteiro praticamente desagradando a Deus. Estava realmente desagradando a Deus de verdade? Amar alguém não é errado. Só porque ele não era cristão? Mas é uma pessoal incrível, me trata como ninguém nunca me tratou antes, ele me ama também, nós nos amamos muito! Como Deus podia me condenar por amá-lo assim? Meus devaneios foram interrompidos quando o pastor falou:

- Você jovem que já não vive um namoro puro, mesmo que ninguém esteja vendo, saiba que Deus esta! É só você e seu namorado estarem sozinhos que as coisas saem do controle e você já avançou demais. Vocês dois vivem um namoro avançado, se não já  fizeram o que não deveria fazer.

Na mesma hora disse a mim mesma em voz baixa:
- Não, não fizemos! Nem iremos fazer, não posso fazer isso!

- É verdade, você afirma que sua carne é fraca. Diz não vai mais permitir esse avanço, mas quando estão juntos esquece tudo e se entrega de vez. A carne pode ser fraca mais o espírito, o espírito é forte, no entanto ele só poderá resistir se você fortalecer ele! Continuou o pastor como se pudesse me ouvir.

No meu íntimo sabia que não podia responder mais nada, eu estava errada, tinha certeza disso. Na hora da oração me desmanchei em lágrimas, cheguei a soluçar, estava arrependida, Deus não iria me perdoar pelo que estava fazendo a mim mesma.

Continua...








Estava a muitas semanas sem ir à igreja no domingo, quando naquela manhã minha mãe avisou que seria a Santa Ceia, então decidi ir depois que ela já tinha saído com o meu pai foi para o quarto, peguei meu vestido favorito, vermelho com póas branco, saltei o cabelo e segui o caminho até a igreja que ficava a algumas quadras da minha casa. Assim que cheguei sentei nas últimas fileiras, me sentei quando todos ainda estavam de pé. Após alguns minutos o pastor pediu que todos sentassem e abriu a Bíblia para iniciar a pregação, não prestei muita atenção no versículo e como tinha saído às pressas acabei nem levando minha Bíblia, mas notei tudo que ele dizia e parecia que estava falando especialmente comigo, sobre tudo o que estava acontecendo na minha vida, pode isso ser possível? Logo pensei: "Minha mãe dele ter conversando com ele..." e então meus pensamentos foram interrompidos quando ele disse algo sobre o que eu estava fazendo, mas isso... isso ninguém sabia, não poderia saber, eu não havia contado para ninguém. Como ele sabe disso? Me deu uma vontade imensa de chorar, uma dor no meu peito, uma culpa devastadora, percebi o quanto estava longe de Deus, o meu Deus, como deixei isso acontecer comigo? O que realmente estava me levando para tão longe d'Ele, eu precisava descobrir. Finalmente o pastor anunciou e eu notei, o Henry, ele estava me afastando de Deus? Mas como? Por quê? Não podia aceitar aquilo, meu coração estava dilacerado, as lágrimas irroperam dos meus olhos e desabei em um choro sufocado, para que ninguém me visse daquele jeito, curvei a cabeça por alguns instantes e de repente senti uma mão suave e carinhosa no meu ombro. Deus? Só podia ser Ele! Eu sentia uma dor gigantesca, uma sensação de solidão tão terrível como um fogo que me consumia, teimava em levantar a cabeça, imaginando que aquele toque não era real, quando ouvi ele dizer: Ana? Eu estou aqui, vai ficar tudo bem. A voz doce e suave era de Edu, olhei para ele com meus olhos vermelhos, se aproximando, sentou ao meu lado e me abraçou. Edu não dizia nada, apenas me abraçava com ternura, enquanto eu chorava incessantemente, o remorso me invadia. Lá na frente o pastor disse para nos prepararmos para a Santa Ceia, quis ir embora, mas Edu falou: Essa é a sua oportunidade de recomeçar, Ana. De se arrepender e fazer do jeito certo agora. Assenti enquanto a ceia era servida. Ao chegar próximo a mim com temor peguei o pão e o cálice. A oração que fiz a seguir foi sincera, confessei os meus tão recentes erros e pedi perdão. Assim que abri os olhos, Edu não estava mais ao meu lado, no entanto sai de lá aliviada.

No dia seguinte...
Henry apareceu sorridente na porta da minha sala na faculdade, tentei retribui o sorriso, mas pareceu forçado. As lembranças da manhã anterior martelavam na minha mente, tudo que Deus falou comigo através do pastor ainda estava nítido, deveria por um fim naquilo, Henry não é a pessoa certa pra mim, definitivamente, não é. Estou decidida, eu acho, vou conversar com ele no final da aula.
- Oi meu amor. Disse ele com a voz mais sedutora possível, quando veio na minha direção.
- Oi... Henry! O intuito foi ser fria, mas soou mais como um apelo.
- Está tudo bem? 
Como ele podia me conhecer tão bem? Pensei antes de responder.
- Estou bem, sim. A gente pode conversar depois da aula? Essa disciplina é muito importante, não posso sair agora.
- Tranquilo, nos falamos depois então. Seu rosto pareceu confuso e ele insistia em não transparecer isso, eu sabia.

Apesar de ter dito a verdade e aquela aula ser realmente importante pra mim, não estava prestando atenção em muita coisa, rabiscava no canto da folha e meus pensamentos estavam presos nele.

Continua...



Depois daquela manhã turbulenta na casa de Henry eu passei a pensar nele com mais intensidade e  surpreendentemente desejá-lo com mais paixão do que antes.

Eu me senti culpada no momento que ele me tocava na cama do quarto dele e me senti um pouco traída quando descobri que seus pais na verdade não estavam em casa. Como ele pode me enganar assim? Ou melhor... pensando bem ele não disse que seus pais estariam em casa, disse? Nem ao menos mencionou os pais dele na nossa conversa, não podia culpá-lo por causa disso. 
Logo depois de tomar um banho rápido na sua suíte particular me arrepiava ao lembrar do seu toque em minha pele e quando ele me perguntou se eu havia gostado não pude evitar em balançar a cabeça positivamente. Toda aquela "culpa" havia sumido de repente quando vi seu sorriso triunfante.

Cheguei em casa no final da tarde e minha mãe falou horas sobre minha irresponsabilidade.
No domingo saímos para ir ao cinema, tudo estava perfeito. Assisti ao meu gênero de filme favorito que coincidentemente era o mesmo que o dele, terror, na verdade não assistimos a filme algum, sentamos na última fileira do cinema e trocamos muitos beijos e carícias.
Ao chegar em casa minha mãe parecia arrasada, assim que passei pela porta avistei ela na sala e perguntei:

- Mãe? O que houve?
- O que houve? Eu que te pergunto o que esta acontecendo com você minha filha? Disse minha mãe preocupada.
- Por quê? O que eu fiz?
- O certo é: o que você tem feito? Hoje você não foi para igreja, na verdade já tem uns meses que você tem ido poucas vocês, eu não entendo, você sempre foi tão dedicada, porque isso agora?
- Não é nada, mãe. Que bobagem é essa, estava cansada pela manhã...
Ela me interrompeu:
- Cansada? Estava tão cansada que saiu desde as 18hs, já viu que horas são agora?
- AH, para com isso!!! Gritei e subi as escadas.
- Volte aqui Analize Gomes Albuquerque, estou falando com VOCÊ!!!
Bati a porta e tranquei, enquanto ela subia atrás de mim.

Segunda-feira ao chegar na faculdade, Lua veio imediatamente falar comigo.

- Oi Ana, como foi o fim de semana? Perguntou ela.
- Foi ótimo Lua, melhor impossível. Respondi com indiferença e presunção.
- Ana, não fica assim comigo, quero te pedir desculpa pela semana passada, quero que desculpe a Cassie também, nós te amamos e nos preocupamos com você, só isso!
- Tudo bem Lua, eu entendo perfeitamente. Onde esta a Cassie?
- Acho que ela não vem hoje...Interrompi preocupada.
- Por quê? Ela está bem?
- Ontem ela estava se sentindo um pouco enjoada, me ligou dizendo que ia para emergência.
- Poxa, será que foi alguma coisa séria?
- Não sei, mais tarde ligo pra ela!
- Unhmm também ligarei.

Claro, que alguns dias depois nos reunimos outra vez e a mesma conversa veio à tona, queriam saber o que havia acontecido naquele sábado na casa do Henry. Eu não poderia contar a verdade, não poderia confessar que fui fraca, então me rendi ao erro mais uma vez e menti, menti para as minhas melhores amigas, que mesmo não sendo cristãs me diziam o que era certo para se fazer, dessa vez entretanto eu não queria ouvir e estava indo pelo caminho contrário...

- Meses depois -

Outra vez lá estava eu, Ana, na casa do meu amado, aos beijos no seu quarto, quando sua mãe chegou. Ele já tinha me apresentado aos seus pais e os meus também já estavam sabendo quem era Henry, apesar de não ter gostado nada da ideia. Ela entrou e perguntou se eu queria comer alguma coisa, ao responder que não ela saiu, como se não tivesse vista nada de errado, se fosse a minha mãe me mataria!
Ajeitei-me em seu colo e seus braços musculosos me envolveram com paixão. Encostada em seu peito, Henry começou a brincar com meus dedos em sua mão. Viajei em pensamentos quando me toquei pela primeira vez, que nós não conversávamos a um bom tempo, sempre que nos víamos era aquela pegação sem limites e só paravámos para recuperar o fôlego e começar de novo, eu não me reconhecia quando estava com ele, como podia isso acontecer comigo?
Ele interrompeu meus pensamentos com uma pergunta:

- Bom, fico pensando... você é cristã não é? Mas eu não consigo ter essa fé que você tem, como pode Adão e Eva ser os primeiros homens na terra, com quem Caim se casou? Com sua irmã? 
-  Não sei, tem coisas da Bíblia que não são reveladas. Ele continuou:
- E Deus, Jesus, Espírito Santo, são três? São um? Como se explica isso?
- Ei, tá de brincadeira né? 
- Já tentei entender. Se Jesus é também o Espírito Santo, porque falou eu vou para o Pai e depois enviou Ele mesmo para a terra novamente?
- Quer saber? Um dia vamos entender isso ok?
Ele simplesmente não disse mais nada. No entanto eu fiquei pensando nos questionamentos dele durante dias...

Continua...



Encontrei Henry no lugar marcado e seguimos para casa dele em silêncio, estava com um frio na barriga de repente. Será que os pais deles estão lá? Ele tem irmão? Será que vão gostar de mim?
Estava cheia de perguntas em mente, mas fiquei receosa em perguntar. Tudo que desejava era gradar Henry, meu desejo era fazê-lo feliz, queria que ele sempre se sentisse a vontade em dizer o que quiser pra mim. Nunca iria decepcioná-lo, nunca.

Paramos em frente a uma casa azul, bem grande. O Henry era... rico! Não pode ser... aí o motivo desse carrão de repente! 

Ele abriu a porta do carro e pegou minha mão. Seguimos até a frente da casa, ele abriu a porta e me beijou lentamente, ouvi a porta se fechar atrás de mim, meu coração acelerava e eu sabia que ele estava percebendo meu nervoso. Em meio aos beijos, perguntei:
- Onde estão seus pais?
- Não se preocupe, eles sairam.
ALERTA VERMELHO! Estávamos sozinhos, sem ninguém naquela casa enorme. Simplesmente deixe-me levar por seus beijos sedutores, ele me guiou para algum lugar, subimos as escadas aos beijos e amassos calientes demais.

Eu ofegava com seu toque. De repente me arrependi de ter ido de vestido, mas agora já era tarde, quando me dei por mim estava no seu quarto!

- Onde estamos Henry?
- Eu te amo Analize. Eu te quero mais que tudo... Ele sussurrou no meu ouvido.

Encantada e entorpecida acabei tropeçando no tapete e cai na sua cama... Olhei assustada, era uma cama de casal. Ele tirou a camisa e se deitou ao meu lado acariciando meu cabelo, meu vestido havia subido de repente, estava acima do meu joelho, já não tinha mais sandálias nos meus pés, ele viu o espanto nos meus olhos e eu via o brilho da confiança nos seus olhos dourados. Ele continuou seus avanços e eu não conseguia pensar, não conseguia falar, não conseguia dizer não. Suas mãos estavam no meu ombro abaixando a alça do vestido, minha mão escorregava em suas costas...
Foi quando parei e consegui dizer baixo:
- Chegaaa... Eu suava muito e ele estava simplesmente molhado.
-Nãao... Ele respondeu. Não amooor... vem!
Quando levantei rapidamente e me recompus, me sentei de novo na cama, ele me olhava... não sei decifrar como ele me olhava.
- Desculpe Henry, não posso fazer isso!
- Mas... eu te amo. Ele sussurrou beijando meu pescoço.
- Eu não posso, desculpe.
- Não se preocupe meu amor, não precisa ter medo, não vou ficar zangado. Olha como você esta...precisa de um banho!
- Um banho? Notei meu estado, estava molhada de suor, precisava mesmo.
- Vem, vamos tomar banho. Posso ir com você?
Em choque, quase gritei:
- NÃO...

Continua...



Depois do nosso primeiro "encontro" na prainha perto da faculdade passei a ver o Henry com mais frequência todos os dias, estava tudo perfeito e maravilhoso, eu assumia a todo instante o quanto estava apaixonada por ele. Minhas amigas Cassie e Lua estavam curiosas a respeito disso, sem perceber notei que estava um pouco distante delas. Foi quando no fim da última aula do dia elas me chamaram para conversar, em meio a conversa surgiu o assunto do momento...

- Me conte isso direito, vocês estão namorando mesmo? Perguntou Lua intusiasmada.
- Éee.. ele não disse a palavra namoro, mas estamos juntos, ele me chamou para conhecer os pais deles esse final de semana, é um bom sinal, não é?
- Bom sinal, Ana? Tem certeza disso? Isso é no mínimo estranho, não acha não? Argumentou Cassie.
- Estranho, por quê? Estamos juntos e feliz isso é o que importa! Respondi um pouco exaltada.
- Cassie pode ter razão amiga, pense bem, não vá cair numa furada! Onde é a casa dele?
- Até você Lua? Não importa onde é a casa dele, não dá pra entender que estamos felizes juntos, não vê isso? Perguntei a Lua.
- É verdade que você tem mudado bastante depois do Henry. Ela respondeu.
- Mudado, como? Pra melhor, não é? Ohei para as duas.
- Você tem estado mais solta que o normal, pra ser sincera! Afirmou Cassie.
- Mais solta? Vou aceitar isso como um ponto positivo Cass, não quero discutir com você!
- Porque esta nervosa desse jeito Ana, realmente não ti via assim a muito tempo, acho que nunca vi você nervosa por tão pouco, estamos apenas conversando. Falou Lua calmamente.
- Conversando? Conversando? Tem certeza Lua?
- É que... é muito estranho ver você e o Henry juntos desse jeito! Você é cristã, e ele... bom eu não sei o que ele é na verdade!
- Vocês não combinam Ana, isso é fato. Disse Cassie com convicção.
Foi quando explodi de descrença, minhas amigas contra mim por causa do meu amor pelo Henry?!
- Pode parar as duas, o que é isso? Um complô? EU AMO O HENRY e nada vai impedir de ficarmos juntos!!!

Com isso sai rápido pegando minha bolsa sem olhar para trás. Descendo as escadas correndo e olhando para o chão acabei me batendo com Edu nos corredores.
- Edu! Disse surpresa.
- Oi Ana, como você esta? Disse Edu feliz em me ver, mas o sorriso em seu rosto desapareceu quando ele notou minha expressão.
- Oi Edu, estou bem... quer dizer... as meninas não me entendem, porque isso?
- As meninas não te entendem, por quê? O que aconteceu Ana?
- Ah, Edu ore pela gente, estou tão feliz com o Henry, não quero que nada estrague isso!
- Sobre o Henry? Entendi, agora...
- Parece que elas discordam do meu novo... quer dizer, do meu relacionamento com ele. Você é amigo dele não é, sabe quem ele é, já o chamou para ir a igreja com você?
- Já chamei Ana, mas você sabe como ele é, Henry é um cara...
Completei:
- Totalmente diferente de mim, eu já sei disso, foi o mesmo que elas me disseram, eu não vou aceitar vocês continuarem me falando isso!
- Calma, Ana, ninguém aqui esta te julgando.
- Eu não estou NERVOSA, dá pra entender isso?! Gritei para ele.
Eu nunca tinha gritado para Edu antes, o que estava acontecendo comigo?
- Tudo bem Ana, vou orar por vocês.

E então Edu se despediu e seguiu seu caminho enquanto eu ia ao encontro do Henry de cara emburrada.

- Ei princesa, o que houve? Logo falou Henry ao me ver aborrecida daquele jeito.
- Não é nada, quer dizer... foram as meninas, acabei discutindo com elas, mas não é nada, besteira.
- Mas, por quê? Vocês nunca brigam! O que houve?
- Nada de importante, amor. Vai passar logo certo?
Com isso contornei o carro e entrei no lado do carona, ele me seguiu e assumiu o banco do motorista com preocupação.

- Esta tudo bem, confie em mim. Falei e o beijei intensamente o que fez ele calar e não falar mais sobre o assunto.

Era incrível como o fato de esta com ele me acalmava tanto. Fomos para o nosso lugar secreto, nossa prainha deserta como costumávamos chamar e então combinamos que ele iria me buscar amanhã às 10hs em um quarteirão antes da minha rua, preferia evitar que minha mãe o visse por enquanto.

No dia seguinte, tudo que eu queria era encontrá-lo, mas antes teria que pensar em algo a dizer para minha mãe, encontrei-a ainda de pijama no andar de baixo me encarando quando me viu descer as escadas toda arrumada.

- Aonde você vai essa hora mocinha? Perguntou ela.
- Vou sair mãe, não tá vendo?
- Olha como você fala comigo Ana, vai sair com quem?
- Como com quem... Hesitei por um momento e decidi falar uma parte da verdade: - Vou sair com meu... com um amigo meu mãe, vou conhecer os pais dele hoje, somos bons amigos, só isso!
- Bons amigos? Vai conhecer os pais deles essa hora, em pleno sábado?
- Sim, não implica mãe, não tô fazendo nada de errado! Afirmei sem hesitar.
- Sei... tome cuidado filha, não deixe suas emoções e o seu coração te enganar. Disse ela com ternura, olhando nos meus olhos.
- Já sei disso, tá? Tenho que ir, tô atrasada!

Sair batendo a porta atrás de mim.

Continua...


Depois daquele fim de tarde estranho e inusitado, voltei para casa com a minha mãe. Subi para tomar um banho e trocar de roupa, estava cheia de areia da praia e simplesmente não parava de pensar nele. Depois desci para comer alguma coisa. Minha havia preparado o jantar, meu pai já tinha chegado, então jantamos.

- Como foi o primeiro dia de aula, filha? Meu pai perguntou ao sentar na mesa.
- Normal, pai.
- Hmmm. Disse ele sem se importar muito com a resposta, para o meu alívio.
- O jantar esta delicioso querida. Disse meu pai se dirigindo a minha mãe do outro lado da mesa.

Os dois continuaram conversando sobre o dia deles, fiquei inerte na conversa, nem conseguia ouvi los. Terminei rapidamente meu prato, dei boa noite para dos dois que continuaram na mesa conversando e subi para o meu quarto.

Ao pegar meu celular vi três chamadas perdidas na Cassie e duas da Lua. Elas deviam esta preocupadas comigo, pensei em mandar uma mensagem para as duas mas tinha certeza que se mandasse elas iriam me ligar, então preferi contar que estava tudo pela manhã mesmo na faculdade. Após isso vi que ele tinha me ligado também, umas duas chamadas perdidas. Respirei fundo nervosa com a ideia dele esta pensando em mim e deitei na cama pensativa.

Depois de alguns minutos o celular tocou novamente, era ele! "E agora o que eu vou dizer..." Pensei sem falar. Após mais duas chamadas, atendi tensa:

- Alô?
- Oi meu amor, como está você? Estou te atrapalhando? Perguntei Henry com carinho.
- Não, esta tudo bem sim e com você?
- Melhor agora, pensei em você o resto dia inteirinho.
- Pra falar a verdade eu também.
- Que chegue logo amanhã para gente se ver.
- Sim, que chegue logo mesmo!

Conversamos por mais alguns longos minutos e fui dormir desejando que a noite passasse rápido. Para minha surpresa peguei logo no sono, mas acordei de madrugada com o coração acelerado, sem nenhum motivo aparente, como de costume me ajoelhei aos pés da cama e orei:

Meu Deus, o Senhor bem sabe que eu nunca me senti assim antes, sempre fui muito segura a respeito do queria para meu futuro relacionamento amoroso, mas ele... ele me pegou de surpresa.
Acho que estou amando ele, o Henry. Pai, eu peço que o Senhor o proteja, o guarde e vá onde ele estiver agora, faça com que ele mude os pensamentos a respeito do Senhor, faça com que ele se converta, eu sei que o Senhor pode fazer, só o Senhor pode fazer isso, faça com que ele seja o rapaz ideal pra mim e que meus pais o aceite, acho que eu o amo, Jesus. Esse é o meu pedido! Amém.


Foi a primeira vez que fui tão precisa em minha oração com relação ao Henry, voltei a dormir tranquilamente. Na manhã seguinte assim que pisei os pés no campus da faculdade, vi o carro dele e meus batimentos cardíacos quase parou de vez.
Ele me viu e me olhou tão intensamente, seu sorriso era deslumbrante, perfeito, maravilhoso.
Fui imediatamente ao encontro dele, confiante de que Deus tinha ouvido minha oração na noite anterior.
- Oi meu amor. Ele disse seguido de um  beijo quente e rápido.
- Bom dia Henry, respondi sorridente.
- Está pronta para o nosso passeio de hoje?
- Sério? Preciso assistir aula hoje, você sabe, você também tem que ir...
- Eu sei, mas a primeira semana de aula não tem nada de importante, você também sabe disso.
- Você sempre tentando me convencer não é?

Estávamos próximos demais e percebi olhares nas minhas costas. "Oh, não, Cassie e Lua..." Pensei antes de me virar e avistei as duas olhando nos dois com uma expressão de surpresa e descrença. Acenei timidamente...

- Tenho que ir, te vejo depois das aulas, certo?
- Tudo bem! Respondeu Henry com um toque de desgosto acompanhado de um beijo intenso e demorado, me deixando ainda mais com vontade de aceitar seu convite e não assistir as aulas do dia. Ele viu minhas duas amigas do outro lado e acenou também para elas.

Caminhei para as minhas amigas espantadas e abri um sorriso imensamente feliz para elas. Lua foi a primeira a perguntar:
- O que foi isso amiga? Vocês estão... juntos? Ela perguntou com um sorriso no rosto o que me deixou surpresa.
Só então caiu a ficha, a Lua já foi apaixonada pelo Henry, como pude me esquecer disso... estava arrasada!
- Me desculpe Lua, por não ter te contado, eu sei q...
- Não precisa se desculpar Ana, Henry já passou, não sinto mais nada por ele, é só estranho ver vocês, tão diferentes juntos desse jeito.
- Também acho Ana, você é... cristã! E ele... bem, eu não sei o que ele é , afinal. Acrescentou Cassie.
- Calma meninas, não se preocupem, vai dar tudo certo!

Continua...



Ele me levou a uma praia próxima da nossa faculdade, logo lembrei que tinha dito uma vez a ele que tinha vontade de ir lá, mas nunca tinha ido.
Ao sairmos do carro Henry rapidamente segurou minha mão entrelaçando nossos dedos com ternura. Meu coração parecia que ia sair pela boca e minha vontade era beijá-lo novamente. Andamos um pouco mais pela areia branquinha e então ele parou me colando a sua frente, seus olhos castanhos cor de mel me olhando fixamente, não disse nada a princípio e me beijou lentamente mais uma vez, agarrei seu braço que me envolveu em um aconchego apaixonado. Estava tudo perfeito, nem se eu imaginasse não seria assim tão lindo como estava sendo.
Jogamos conversa fora no restante da manhã, só então me dei conta que já era 1 hora da tarde e que eu tinha um compromisso na igreja às 14hs, ainda nem tinha almoçado.

- Henry, tenho que ir, já é tarde, tenho compromisso ás duas!! Disse levantando da areia.
- Já? Que compromisso você tem?
- Na igreja, tenho reunião com para desenvolver as atividades com as crianças para esse ano.
- Tudo bem, mas você precisa comer alguma coisa.
- Não vai dar tempo, tenho que ir agora. Falei desesperada praticamente.
- Calma, te levo de carro. Respondeu Henry tentando me tranquilizar.
- Não precisa, pego um ônibus aqui na frente, minha mãe vai está lá e ela não vai gostar nada se me ver com você agora.
- Então, tá. Te deixo em um ponto mais próximo de sua igreja, pode?
- Tudo bem, eu aceito.

Ele me deu um beijo rápido e fomos até o carro, parece que eu estava anestesiada, não conseguia para de pensar nele, mesmo eu ainda estando com ele.

Ele acabou me deixando a duas quadras da minha igreja e fui andando o resto do caminho. Ele me beijou intensamente e antes de sai do carro ele falou:

- Nos vemos amanhã, certo? Ou melhor quer sair hoje a noite comigo?
- Ah. Disse surpresa.
- Não pode? Vai ter algum compromisso da igreja?
- Acho que sim, amanhã a gente se vê, tudo bem?
- Ok, então.

Aqueles momentos com Henry não saia da minha cabeça. "Oh Meu Deus, preciso me concentrar nos projetos!" Repetia para mim mesma.

Cheguei na nossa sala de reunião e todos notaram que eu estava um pouco destraída no decorrer da conversa, não consegui dá dica nenhuma, estava inerte, o que estava acontecendo comigo. Só vi minha mãe depois e disse a ela que estava morrendo de fome. E então ela perguntou:

- Onde você estava Ana?
- Como assim, onde eu estava, mãe?
- Me responda apenas, Cassie me ligou perguntando sobre você.
- O que ela disse?
- Não interessa, onde você estava? Não comeu nada não, tem certeza?
- Mas mãe, não tive tempo de comer vim direto para reunião...
- Reunião essa que parecia que nem estava lá, melhor seria até que não viesse!
Meu Deus, minha mãe parecia zangada.

- Calma mãe, sai antes de vim para cá... é... eu estava com um amigo meu.
- Um amigo, nãe é? Ok Ana, vamos para casa!
- Mas não vai ter a continuação à noite?
- Depois de agora, você não influiu em nada, a Diana me disse, você é sempre que dá as melhores ideias e hoje simplesmente ficou calada!
- Poxa, estraguei tudo, não foi?
- Elas marcaram novamente no sabádo, você precisa se inspirar minha filha, o primeiro dia de aula foi tão tenso assim?
- Um pouco mãe, um pouco.

Pegamos o ônibus e seguimos para casa. Pensativa, não disse uma palavra no decorrer do caminho, realmente estava distraída demais, meus pensamentos pertecia a ele...

Continua...



E agora, o que eu iria dizer para as meninas e para Edu? O que eles iam pensar?
Eu saindo da faculdade no horário de aula, bem no primeiro dia de aula? É claro que eles estavam desconfiados e sem saber o que estava acontecendo, na verdade nem eu sabia o que estava fazendo.
Logo, logo meu sorriso fácil deu lugar a uma pequena ruga de preocupação. Henry havia notado e então perguntou:

- O que foi? Se arrependeu de ter vindo? Quer voltar? Prometo que não vou correr.
- Não, não é isso. Respondi com o pensamento distante.
- Pode falar o que foi que você ficou assim?
- As meninas e Edu, eles olharam com... Não, não é nada besteira minha.
- Se você não quiser falar tudo bem, só não fica assim.
- Passou, onde estamos indo mesmo, hein?
- Surpresa...

Eu simplesmente não conseguia parar de olhá-lo. Como isso havia acontecido, como ele de repente ficou tão, tão, tão encantador. Inundada em pensamentos andando em meio a cidade movimentada eu só conseguia ter noção do que estava naquele carro, de quem estava naquele carro. Henry perguntou se eu queria ouvir alguma coisa e ligou o rádio do carro, estava tocando No One de Alicia Keys.

- Gosta? Perguntou Henry olhando rapidamente nos meus olhos.
- Pode deixar aí. Respondi.

Alguns minutos depois parece que chegamos onde ele queria, mas eu ainda não havia identificado o lugar, do nada fiquei nervosa sem saber o que falar, ele parou o carro tirou o cinto de segurança e se virou para me olhar, eu também havia tirado o cinto e encarei o rosto de Henry que me olhava fixamente sem piscar, não conseguia decifrar sua expressão e então ele desligou o som do carro no mesmo instante que eu ia fazer o mesmo, nossas mãos se tocaram de um jeito diferente e ele quebrou o silêncio dizendo:

- Sabe Ana eu acho que você já deve ter percebido o quanto que eu estou a fim de você e eu realmente não sou de fazer isso, mas quando estou com você, quando falo com você parece que nada mais existe, que nada mais importa. Ele se aproximou mais de mim e continuou:
- Sei que somos diferentes, mas nada importa se eu não estiver com você...

Henry tocou meu rosto devagar beijou minha bochecha carinhosamente, meu corpo se arrepiou com seu toque e meus olhos se fecharam instantaneamente. Quando ele retornou e olhou o meu rosto sua expressão era de desejo e carinho, não pude evitar me aproximar mais dele e então ele segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou, seu beijo era doce e sedutor, lento, saboroso e demorado, era como se fosse o meu primeiro beijo de verdade, segurei seu pescoço e acariciei seu cabelo lentamente, então acabou o momento mais maravilhoso que vivi naquele ano. Sem fôlego abri os olhos e vi o homem dos meus sonhos irradiando alegria e prazer.
- Você é a pessoa mais encantadora e maravilhosa que conheci, eu também estou gostando muito de você. Eu disse a ele.
- Você que é maravilhosa e encantadora você é perfeita Ana, não mais do que isso.
Sorridente perguntei:
- Onde estamos?
- Venha ver...

Continua...


Me remexi na cama a noite inteira, ao pegar no sono sonhei com ele e antes de terminar acordei com o barulho do despertador, era hora de me arrumar para ir à faculdade.
Estava nervosa com o primeiro dia de aula do semestre, comi feito uma louca no café da manhã, minha mãe logo percebeu:

- Porque está nervosa Ana? Perguntou preocupada.
- Não é nada, só a expectativa com primeiro dia de aula.
- Pare de comer tanto vai acabar passando mal.

Eu tinha colocado três pedaços de bolo de abacaxi, uma caneca grande cheia de chocolate quente, duas bananas, uma pera e quatro fatias de queijo, peito de peru e salame, nem terminei e já estava enchendo uma xícara com mingau de milho pegando uvas na geladeira, não parava quieta.

- Pode lagar isso Ana! Detesto quando você fica ansiosa desse jeito! Ordenou minha mãe muito séria enquanto eu colocava duas uvas de vez na boca.
- Desculpa mãe, mas é incontrolável. Respondi com a boca cheia de uvas.
- Pare já, vá logo embora e nada de levar lanche hoje.
- OK mãe!
- Venha almoçar em casa, tá?
- Tudo bem. Aceitei sem protestar.

Subi para pegar a bolsa, ao pegar o celular na cama vi uma mensagem de Lua e lembrei que nem tinha ligado para agradecer a Henry pela surpresa de ontem a noite, com isso fiquei mais nervosa ainda.

Mais tarde na faculdade, fui direto para sala de aula, e não contei nada para as meninas. Ao termino da primeira aula recebi uma mensagem de Henry no meu celular dizendo:
"Bom dia minha flor, onde está você? Estou te esperando em frente a Subway do campus 4."

Meu coração palpitou, ora o que esta acontecendo comigo? É só o Henry, meu amigo,mais nada. Repetia incisivamente para mim mesmo.

Não disse onde ia nem para Lua nem para Cassie. Desci as escadas indo ao encontro dele, no caminho encontrei Edu - nossa que saudades do Edu, de ouvi-lo tocar, da comida divina da mãe dele e das nossas conversas sem pressa.

- Oi Edu. Falei abraçando-o animadamente.
- Oi Ana. Que saudade, você sumiu. Disse Edu correspondendo ao meu abraço.
- É... só cheguei de viagem ontem a noite mesmo.
- Ok. Mas e aí está sem aula? Perguntou Edu querendo puxar assunto.

Minha vontade também era ficar ali conversando tranquilamente com Edu, me sentia tão a vontade e em paz quando estava com ele, mas o desejo arrebatador de rever Henry foi mais forte, acabei dispensando Edu depressa demais.

- Na verdade terei aula daqui à 15 minutos mas antes preciso da um pulinho lá em baixo, desculpa Edu, mas tarde nos falamos melhor, tá? Respondi sem graça, mesmo com pressa eu sempre dava uma atenção especial a ele.
- Tudo bem Ana, mais tarde nos falamos.
Dei um beijo em seu rosto e sair quase correndo descendo outro lance de escadas. Senti os olhos de Edu me fitando como laser de gelo e foi uma sensação nada boa, ele estava desconfiado e eu percebi isso. Eu não podia mentir, mas o que eu ia dizer a ele depois tenho certeza que Edu iria me perguntar o que estava acontecendo.

Cheguei rapidamente ao térreo, minhas pernas ficaram bambas, indo na direção do quarto campus da faculdade. De longe avistei Henry parado encostado em um carro preto moderno, chaves nas mãos. Mentalmente perguntei-me: "Henry tem carro?”
Ele tinha me visto também e sorriu encantadoramente para mim, ele estava deslumbrantemente vestindo sua inseparável camiseta preta mostrando seus ombros musculosos e a linda tatuagem tribal desenhada em seu braço esquerdo, calça jeans e havaianas branca.
Fui me aproximando devagar e sorri timidamente de volta.
- Oi minha linda. Como passou a noite? Ele perguntou segurando minha mão alegremente.
- Oi Henry, foi bem. Fiquei muito surpresa com as flores e o poema, foi você que fez?
- Foi sim, sentimentos bons sempre me inspiram.
- Desculpa não ter ligado nem nada, fiquei tão surpresa, tão paralisada que acabei me passando.
- Tudo bem, minha flor, não precisa se preocupar com isso.
Sorri e perguntei para descontrair:
- Motorizado agora?
- É, comprei com as economias.
- E que economias, né? O carro era um Hyundai Eletran preto lindo de morrer.
- Vamos dar uma volta para conversarmos melhor? Afinal foram longos 30 dias sem te ver.
- Verdade teria aula agora, mas é só o primeiro dia então não tem problema.
Imediatamente ele abriu a porta do carona para mim e entrou pelo outro lado.
- Curte velocidade? Perguntou rindo a toa.
- Não muito. Ri também avisando.

Ele partiu arrancando e todos olharam para nós, de relance avistei Lua, Cassie, e Edu olhando curiosamente.

Continua...

Como Conquistar um Homem