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Me remexi na cama a noite inteira, ao pegar no sono sonhei com ele e antes de terminar acordei com o barulho do despertador, era hora de me arrumar para ir à faculdade.
Estava nervosa com o primeiro dia de aula do semestre, comi feito uma louca no café da manhã, minha mãe logo percebeu:

- Porque está nervosa Ana? Perguntou preocupada.
- Não é nada, só a expectativa com primeiro dia de aula.
- Pare de comer tanto vai acabar passando mal.

Eu tinha colocado três pedaços de bolo de abacaxi, uma caneca grande cheia de chocolate quente, duas bananas, uma pera e quatro fatias de queijo, peito de peru e salame, nem terminei e já estava enchendo uma xícara com mingau de milho pegando uvas na geladeira, não parava quieta.

- Pode lagar isso Ana! Detesto quando você fica ansiosa desse jeito! Ordenou minha mãe muito séria enquanto eu colocava duas uvas de vez na boca.
- Desculpa mãe, mas é incontrolável. Respondi com a boca cheia de uvas.
- Pare já, vá logo embora e nada de levar lanche hoje.
- OK mãe!
- Venha almoçar em casa, tá?
- Tudo bem. Aceitei sem protestar.

Subi para pegar a bolsa, ao pegar o celular na cama vi uma mensagem de Lua e lembrei que nem tinha ligado para agradecer a Henry pela surpresa de ontem a noite, com isso fiquei mais nervosa ainda.

Mais tarde na faculdade, fui direto para sala de aula, e não contei nada para as meninas. Ao termino da primeira aula recebi uma mensagem de Henry no meu celular dizendo:
"Bom dia minha flor, onde está você? Estou te esperando em frente a Subway do campus 4."

Meu coração palpitou, ora o que esta acontecendo comigo? É só o Henry, meu amigo,mais nada. Repetia incisivamente para mim mesmo.

Não disse onde ia nem para Lua nem para Cassie. Desci as escadas indo ao encontro dele, no caminho encontrei Edu - nossa que saudades do Edu, de ouvi-lo tocar, da comida divina da mãe dele e das nossas conversas sem pressa.

- Oi Edu. Falei abraçando-o animadamente.
- Oi Ana. Que saudade, você sumiu. Disse Edu correspondendo ao meu abraço.
- É... só cheguei de viagem ontem a noite mesmo.
- Ok. Mas e aí está sem aula? Perguntou Edu querendo puxar assunto.

Minha vontade também era ficar ali conversando tranquilamente com Edu, me sentia tão a vontade e em paz quando estava com ele, mas o desejo arrebatador de rever Henry foi mais forte, acabei dispensando Edu depressa demais.

- Na verdade terei aula daqui à 15 minutos mas antes preciso da um pulinho lá em baixo, desculpa Edu, mas tarde nos falamos melhor, tá? Respondi sem graça, mesmo com pressa eu sempre dava uma atenção especial a ele.
- Tudo bem Ana, mais tarde nos falamos.
Dei um beijo em seu rosto e sair quase correndo descendo outro lance de escadas. Senti os olhos de Edu me fitando como laser de gelo e foi uma sensação nada boa, ele estava desconfiado e eu percebi isso. Eu não podia mentir, mas o que eu ia dizer a ele depois tenho certeza que Edu iria me perguntar o que estava acontecendo.

Cheguei rapidamente ao térreo, minhas pernas ficaram bambas, indo na direção do quarto campus da faculdade. De longe avistei Henry parado encostado em um carro preto moderno, chaves nas mãos. Mentalmente perguntei-me: "Henry tem carro?”
Ele tinha me visto também e sorriu encantadoramente para mim, ele estava deslumbrantemente vestindo sua inseparável camiseta preta mostrando seus ombros musculosos e a linda tatuagem tribal desenhada em seu braço esquerdo, calça jeans e havaianas branca.
Fui me aproximando devagar e sorri timidamente de volta.
- Oi minha linda. Como passou a noite? Ele perguntou segurando minha mão alegremente.
- Oi Henry, foi bem. Fiquei muito surpresa com as flores e o poema, foi você que fez?
- Foi sim, sentimentos bons sempre me inspiram.
- Desculpa não ter ligado nem nada, fiquei tão surpresa, tão paralisada que acabei me passando.
- Tudo bem, minha flor, não precisa se preocupar com isso.
Sorri e perguntei para descontrair:
- Motorizado agora?
- É, comprei com as economias.
- E que economias, né? O carro era um Hyundai Eletran preto lindo de morrer.
- Vamos dar uma volta para conversarmos melhor? Afinal foram longos 30 dias sem te ver.
- Verdade teria aula agora, mas é só o primeiro dia então não tem problema.
Imediatamente ele abriu a porta do carona para mim e entrou pelo outro lado.
- Curte velocidade? Perguntou rindo a toa.
- Não muito. Ri também avisando.

Ele partiu arrancando e todos olharam para nós, de relance avistei Lua, Cassie, e Edu olhando curiosamente.

Continua...

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