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Nas novelas eles são romantizados, mas na vida real a coisa muda. Se quiser compromisso, fuja desse tipo

Ligia Helena, iG São Paulo | 
Divertido, charmoso e bem sucedido. Este é Cadinho, personagem interpretado pelo ator Alexandre Borges na novela "Avenida Brasil", da Rede Globo. A maior particularidade do personagem é o fato de ser casado com Verônica, mas também com Noêmia, e ter um relacionamento estável com Alexia – a única que sabe dessa confusão toda. Tem um filho com cada uma delas. Não abre mão de nenhum dos relacionamentos, mas não quer dividir suas mulheres com mais ninguém. É, sem dúvidas, um mulherengo.
Foto: Divulgação/TV GloboCadinho (Alexandre Borges) com Verônica (Deborah Bloch), uma de suas esposas: um raro mulherengo que se compromete
Mulherengos são personagens constantes na ficção. O mais famoso deles, Don Juan, seduzia as mulheres com promessas de amor e casamento, mas na verdade estava interessado apenas na conquista e em obter sexo. Depois de conseguir o que queria, abandonava a vítima da vez sem explicações. Sua fama é tão grande que batizou um transtorno psicológico: o Donjuanismo. Homens com este perfil sentem necessidade de seduzir constantemente, mas depois da conquista não veem mais graça na “vítima” e partem para a próxima.
“Cadinho é uma exceção no universo dos sedutores. Em geral o mulherengo não se casa”, diz Cláudio Paixão, psicólogo clínico e professor da Universidade Federal de Minas Gerais. “Mais comum é o que se esforça em manter as mulheres próximas e interessadas, mas não quer compromisso”, completa. 

Um homem que resiste ao compromisso é visto pelas mulheres como um desafio. E é por isso que muitas não resistem ao charme do mulherengo, mesmo conscientes do passado dele. “As mulheres costumam ser muito competitivas. Ao se deparar com um tipo mulherengo, elas acreditam que não vão passar pelo que as outras passaram, que com elas a história pode ser diferente”, explica o psicólogo Thiago de Almeida, especializado nas dificuldades do relacionamento amoroso
Foto: Divulgação/TV GloboCadinho (Alexandre Borges) beija a amante Alexia (Carolina Ferraz)
Para a decepção de muitas, dificilmente uma mulher consegue “consertar” um mulherengo. “Se envolver com esse tipo de homem é roubada. Pode ser bom para uma noite de prazer, uma aventura, mas não tenha expectativa de compromisso”, alerta Paixão. Se a vontade de mudar não partir dele, são poucas as chances de sucesso. Mas se o homem achar que vale a pena se comprometer, há salvação. “É preciso mudar a concepção do que é compromisso para este homem, além de trabalhar o medo da rejeição”, recomenda a psicóloga Milena Frankfurt. [comente]

 
Agora, mulherengos como Cadinho, que é mais atrapalhado do que mal-intencionado, só em ficção mesmo.

O ficar, dentre as outras possibilidades de relacionamento amoroso contemporâneas, não é um modismo, patologia, deterioração do relacionamento ou um fenômeno superficial e isolado, mas se concatena com outras subjetivações produzidas na sociedade contemporânea. Aliás, tal modalidade pode ser tomada como expressão dos novos paradigmas de relacionamento emergentes nesse tempo. Obedece à mesma lógica que também governa relacionamentos de diferentes espécies e naturezas. A abreviação do tempo e o caráter efêmero e provisório do “ficar” estão presentes em vários outros cenários da contemporaneidade, como algumas vezes, o “morar juntos” é apenas uma das possíveis ilustrações. Não são apenas os jovens que estão vivendo a condição de encurtamento e abreviação de seus relacionamentos amorosos. Podemos citar também a abreviação dos vínculos empregatícios e a rarefação dos relacionamentos outrora sólidos e duradouros, tais como os de vizinhança, amizade e os familiares.
É inegável pensarmos que as concepções contemporâneas referentes ao amor são de extrema importância para a organização das várias culturas e sociedades porque implicitamente definem o que é apropriado e desejável para o relacionamento interpessoal. O amor é considerado como detentor de poder atrativo como veículo para a intimidade, pelo que é criador de novos laços, que adquirem contornos específicos em diferentes contextos sociais. Preferências e seduções à parte, flertar é um jogo em que ambos os jogadores estão munidos aparentemente com as mesmas armas, e o que difere é como e quando cada um vai utilizá-las. Logo, seduzir é uma arte e disso ninguém duvida. De forma alguma ela é um segredo. Todos nós queremos viver um grande amor e com uma paixão ainda melhor, nem que seja uma única vez. “Staying together”, “To stay with”, “One night stand”, ou mesmo, como é conhecido no Brasil, o “ficar” é um relacionamento afetivo bastante popular entre os adolescentes e caracteriza-se por ser breve, passageiro, imediatista, volátil e descompromissado. Análises comparativas evidenciam que o ficar obedece à mesma lógica que rege outros relacionamentos. Na década de 1980, a chamada “amizade colorida” entrou em ação. Tratava-se de algo diferente do namoro. Rapazes e moças mantinham encontros libidinosos, com o compromisso de não terem quaisquer compromissos! Com o passar dos anos o namoro continuou em processo de mutação. Assim, uma nova modalidade de namoro surgiu. Como a adolescência é uma idade instável, o desejo de independência e liberdade provocou um novo tipo de relação: o Ficar.
Em suma, o ficar pode ser interpretado como sendo: Um código de relacionamento marcado pela falta de compromisso e pela pluralidade de desejos, regras e usos. O objetivo principal é a busca de prazer ‘Ficar com’ é a maneira mais fácil de chagar perto do outro sem se comprometer. É um exercício da sedução.

Como Conquistar um Homem