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Cultive sangue bom Muita gente sobrevive a uma leucemia, ou a um linfoma, graças a uma pequena flor rosa e a micro-organismos habitantes do chão. Uma das quimioterapias que aplaca esses males se chama ABVD. É um coquetel dos medicamentos adriamicina, bleomicina, vimblastina e dacarbazina. O “A” e o “B” derivam de bactérias da natureza – uma linhagem desenvolvida a partir de uma amostra de solo do terreno de um castelo italiano do século 13. O “V” tem origem na flor Catharanthus roseus, ou maria-sem-vergonha, nativa de Madagascar (África). Nos anos 1950, pesquisadores de uma grande empresa farmacêutica começaram a estudar propriedades dela. Um dos resultados foi a criação do remédio, a vimblastina, que ajuda a devolver a vida a pessoas com cânceres até então rotineiramente fatais. Muitas dessas pessoas com quem conversei na apuração desta reportagem contaram que são eternamente gratas aos médicos e à indústria. Pouquíssimas disseram “Caramba, a natureza acabou de salvar minha vida!”. Talvez porque costumamos subestimar o meio ambiente. Ele faz grandes coisas pelo homem o tempo todo – sim, mesmo quando nossa saúde está perfeita. Exemplo: muito do ar de que precisamos vem da Prochlorococcus, bactéria desconhecida até 1986. Ela vive nos oceanos e é um dos organismos mais abundantes no planeta – um mililitro de superfície do mar pode ser casa de 100 mil Prochlorococcus. Ainda bem. Essa bactéria produz cerca de 20% do oxigênio do mundo. As plantas e mais micro-organismos fazem os outros 80%.
Procrie, ou apenas transe, sem problemas Tomando cerveja com um amigo numa noite qualquer, eu me queixava sobre a resposta das pessoas a uma pesquisa britânica que pedia a definição de biodiversidade. Muitas falaram: “É uma marca de sabão em pó!”. Biodiversidade refere-se ao número de diferentes plantas e animais que vivem em uma região. Mas a palavra também se transformou numa espécie de abreviatura ligada à saúde de todo o planeta – e à sua. E o prognóstico não é bom. Por causa da superpopulação humana, do desmatamento desenfreado, do uso excessivo de combustíveis fósseis e mais indisciplinas do homem, espécies estão desaparecendo num ritmo ocorrido pela última vez há 65 milhões de anos: a era catastrófica em que os dinossauros foram extintos. “Muito deprimente”, respondeu meu amigo. “Se quer mesmo que os homens se importem com a biodiversidade, diga que ela ajuda a viver mais e a transar sem problemas.” O que é verdade. No Brasil, o câncer de testículo assola cerca de 8.300 pessoas por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Felizmente, já é um dos tipos de câncer mais curáveis. Ponto para a natureza! Sessões de quimioterapia contra esse mal contam com três potentes medicamentos. Um é a cisplatina, derivada do metal platina. A bleomicina é feita a partir de uma bactéria. O etopósido vem de raízes de uma planta do Himalaia, a Podophyllum hexandrum, ou himalayan mayapple. Antes de usar esse trio, os médicos conseguiam curar apenas 10% dos casos de câncer de testículo. Hoje, a chance de sobrevivência é de 70%, em média. Sim, o futuro da vida na terra e a possibilidade de sexo esta noite podem ser proposições intimamente relacionadas. Há não muito tempo, fui visitar um mercado de remédios tradicionais em Durban (África do Sul). Meu guia era Jabulani Dhlamini. Enquanto me mostrava algumas ervas, ele contou que anos atrás fora até a Universidade de KwaZulu-Natal com um saco de lascas das raízes de uma planta forrageira que diziam curar impotência masculina. O nome científico desse vegetal é Eriosema kraussianum, mas em Zulu tem mais poesia: chama-se bangalala. Os químicos da universidade isolaram cinco compostos da planta, submetendo-os a testes no tecido peniano de coelhos. Uma das substâncias apresentou 75% da eficácia do sildenafil, princípio ativo de muitos remédios para impotência. A biodiversidade também nos oferece sexo melhor. TENHA UMA CORAÇÃO FORTE A natureza ainda merece ilustre crédito pelas impressionantes melhorias em nosso bem-estar cardiovascular. Segundo o Ministério da Saúde, entre 1996 e 2006 caiu em 20,5% o número de pessoas que falecem por doenças cardiovasculares – a principal causa de morte no Brasil. Uma víbora e um fungo influenciaram muito essa boa estatística. No Japão e na Inglaterra, pesquisadores começaram a criar a classe de medicamentos chamados estatinas nos anos 70. Desenvolvidas a partir de fungos (parentes dos que nos deram o antibiótico penicilina), as estatinas revelaram notável capacidade de derrubar o nível de colesterol ruim (LDL) em nosso organismo – e ele é um dos grandes responsáveis pelo entupimento de artérias. Logo, aqueles fungos proporcionaram menos infartos e derrames: o uso das estatinas aumentou nos anos 90. Mas o upgrade na saúde cardiovascular do homem também é cortesia da jararaca, serpente brasileira e uma das mais perigosas da América do Sul. O veneno dela provoca queda acentuada e repentina na pressão sanguínea, descobriram cientistas do Brasil na década de 40. A arma da jararaca age na angiotensina, composto presente no sangue que eleva a pressão. Daí nasceu outra importante classe de medicamentos: os inibidores ECA (têm efeitos na enzima de conversão de angiotensina). São altamente eficazes contra hipertensão e insuficiência cardíaca. MANTENHA A FORMA Está surpreso? Tem mais. Poderia imaginar que um caracol do Oceano Pacífico, o Conus magnus, nos daria um analgésico, a ômega-conotoxina, que não possui os efeitos viciantes da morfina e é mil vezes mais potente? E que uma espécie de pinheiro da Costa do Pacífico, o Taxus brevifolia, renderia uma substância, a paclitaxel, que ajuda a combater câncer de seio e ovário, e mostra-se promissora no tratamento do câncer de próstata? Pois rolou. E muito mais virá por aí – se o homem prezar mais a biodiversidade, claro. “Precisamos seguir na investigação dos micróbios que estão em todos os lugares, inclusive em nosso corpo, e que nos mantêm saudáveis”, disse-me Daniel Gruner, ecologista da Universidade de Maryland (EUA). “Com a ajuda de análises genéticas, estamos começando a identificá-los e entender como funcionam.” Pessoas obesas, por exemplo, tendem a possuir maior proporção de um grupo bacteriano altamente eficiente em extrair nutrientes dos alimentos. Isso talvez ajude a explicar por que sujeitos com sobrepeso podem investir numa dieta igual à dos amigos mais magros e não perder quilos com facilidade. Entender a biodiversidade nesse nível, e aprender a manipulá-la, dá aos médicos mais uma ferramenta para nos manter saudáveis – e em forma. DÊ SAÚDE ÀS GERAÇÕES Estima-se que cerca de 400 mil espécies de planta habitam a Terra, além de um número não calculado de insetos, invertebrados marinhos, fungos e bactérias, cada um equipado com algum arsenal químico. “Examinamos apenas uma pequena porcentagem de plantas contra um grande número de possíveis doenças”, afirma James S. Miller, vice-presidente de ciência do centro internacional de plantas do Jardim Botânico de Nova York (EUA). Milhões de insetos e outras pequenas espécies mal foram classificados pelos pesquisadores. “É profunda a nossa dependência das plantas, animais e micróbios em todos os aspectos de nossa sobrevivência”, destaca Gruner. Ele fala com um conhecimento de causa que extrapola o alto credenciamento científico que construiu. Quando tinha 15 anos, o ecologista derrotou uma leucemia – viva aquela pequena flor rosa! Também queremos que a natureza ainda apresente respostas caso nós, nossos filhos, netos, bisnetos, tataranetos precisemos de ajuda para salvar nossas vidas. Certo? Faça o que puder para preservar a Terra. Sempre. BOLDO: As folhas podem deter crescimento de melanomas, segundo estudo italiano. Faça um chá com elas. Ponha três folhas em uma xícara (chá) e, em seguida, jogue água fervente. Se quiser amenizar o gosto amargo, adicione na xícara um cravo ou uma fatia de gengibre. CURCUMINA: Componente do açafrão-da-índia, é poderoso anti-inflamatório, segundo relatório no periódico Alternative Medicine Review (EUA). Pode retardar o crescimento de vários tipos de câncer. Espalhe meia colher (sopa) de açafrão-da-índia no peixe ou no frango. UNHA-DE-GATO: Tome chá dessa planta – você acha em lojas de produtos naturais. De acordo com estudo da Universidade da Carolina do Norte (EUA), unha-de-gato pode retardar a decomposição do colágeno nas juntas. Na América do Sul, ainda é usada para combater febres e úlceras. FONTE: MENSHEALTH

Os seriados médicos estão na moda. Bom, você já deve ter visto pelo menos um ou dois programas sobre emergências hospitalares. O nome mais famoso entre os doutores da TV no momento é House (a série está em sua oitava e última temporada), e esse personagem especificamente tem uma boa sacada sobre a profissão: ele mostra como os médicos pensam, na verdade, com a mesma lógica que Sherlock Holmes. Isso não é uma surpresa, já que o Dr. Arthur Conan Doyle se inspirou em um dos seus professores de medicina para criar o detetive da ficção. Mas o que é importante aprender com os dois é que, nas palavras de Holmes, quando você eliminou o impossível, o que sobrar, por mais improvável que seja, deve ser a verdade. Na faculdade, nós aprendemos a não agir com precipitação. Somos orientados pelos professores a fazer uma lista com todas as possíveis explicações para os sintomas do paciente, e classificarmos as hipóteses na ordem da mais à menos comum ou mais fatal, e depois coletamos a evidência necessária para descartar cada item da tal lista, até que o que sobrar, seja o que for, deve ser a verdade. Muitos médicos ficam incomodados, ou até mesmo nervosos, quando acham que um paciente está diagnosticando a si mesmo. Essa mania pode, sem dúvida, causar problemas – e a internet deixou isso muito mais fácil. Mas alguns de nós também acreditam que as pessoas mais caladas nas consultas – estou falando dos homens – tornam-se mais propensas a procurar ajuda se puderem encontrar informação básica on-line antes de ir até o especialista. É compreensível que você queira entender o que nós dizemos tecnicamente para se sentir mais seguro do diagnóstico. Claro que nada substitui o conhecimento de quem estudou a fundo a doença que você pode ter (ou não), mesmo que a busca on-line já tenha oferecido um nome da encrenca. Mas essa curiosidade não é ruim. Muito pelo contrário, ela pode ajudar. Numa emergência, você é responsável pela análise da situação e pela reação que pode salvar a sua vida (ou de outra pessoa). A decisão de pegar o telefone e marcar uma consulta ou chamar ajuda não vai ser do médico: ela tem que vir de você. Por isso, é bom que saiba o que está acontecendo. É aqui que começa a arte de diagnosticar. Veja como sintomas comuns ajudam a reconhecer o que está acontecendo com você e quando é preciso correr para o hospital mais próximo. DOR DE GARGANTA, TOSSE, NARIZ ESCORRENDO É resfriado, certo? Nem sempre. Desconfie se você não tem congestão nasal, a tosse é seca, a febre está acima de 38 °C ou a doença começou subitamente e você se sente como se tivesse sido atropelado por um caminhão. Esses são sinais de gripe. Nesse caso, se sua saúde estiver boa, o médico pode mandar você embora do consultório tranquilamente. Mas, se você tem cardiopatia, doença pulmonar, diabetes ou qualquer problema que restrinja a ação do seu sistema imunológico, o especialista vai decidir se você precisa de antiviral. E se, enquanto estiver gripado, sentir falta de ar com o menor esforço, começar a expelir um muco nojento quando tossir ou a febre voltar com calafrios e tremores, procure ajuda imediatamente. Você pode estar desenvolvendo pneumonia. DOR DE CABEÇA As dores de cabeça têm uma variedade enorme, desde a dor fraca, que atinge todo mundo, até a batida agoniante acima de uma das orelhas ou aquele espeto em brasa enfiado no seu olho. Algumas trazem alucinações visuais, cheiros imaginários, vertigem, vômitos ou uma aversão à luz clara e à conversa. A maioria delas não representa perigo, mas nem toda dor é uma simples cefaleia. Em algumas situações, o desconforto pode esconder algo mais sério. Fique de olho nestes casos… Dor instantâneaSe ela o atingir como uma flechada do nada e se intensificar em minutos, tornando-se insuportável, corra para a emergência. As causas prováveis são quase todas fatais. Dor do sexo/exercícioUma cefaleia forte que chega rápida e furiosamente com esforço físico violento ou em um momento de orgasmo precisa ser investigada – pode ser uma hemorragia. Dor que se espalha para o pescoçoIncômodos que se espalham para outras partes do corpo podem ser sinal de meningite ou hemorragia. Busque ajuda, especialmente se você tiver febre, se recupera de uma infecção bacteriana, tem urticária ou não consegue raciocinar com clareza. Dor que não tem fimSe ela vai e vem por dias, acompanhada de febre, distúrbios visuais e têmporas doloridas, pode sinalizar uma inflamação das artérias que pode deixá-lo cego. Vá ao médico já! Dor “contagiosa”Você está em casa, com janelas fechadas, e ao longo do dia sua dor de cabeça piora. Se outra pessoa sentir o mesmo, pode ser gás vazando. Vá para um lugar aberto na hora e depois cuide do reparo. Dor que piora há semanas, acorda você e marca presença logo pela manhãÉ o padrão clássico de uma massa que se expande lentamente dentro do cérebro, ou seja, um tumor. Não deixe para amanhã a consulta médica e a ressonância magnética. CAROÇOS Normalmente, são nódulos linfáticos que estão inchados porque as células do seu sistema imunológico estão ocupadas fazendo o que têm que fazer. Caroços no pescoço, axilas ou virilha geralmente sugerem uma infecção nas proximidades ou alergias. Nódulos inchados e moles, tipicamente localizados no pescoço e acompanhados de uma dor de garganta forte, são mononucleose (doença viral transmitida pela saliva que causa hipertrofia do fígado e do baço) até que se prove o contrário. Não há muito o que fazer sobre isso, mas, para evitar uma ruptura no baço, vá ao médico para um teste rápido para confirmar a suspeita e, até o resultado sair, dê um tempo nos esportes de contato. Caroços combinados com febre também podem ser indicativos de HIV, tuberculose e lúpus – três casos em que se deve procurar tratamento rapidamente. No caso de você ter alguma dúvida, caroços nos testículos nunca são normais. Qualquer um que apareça sobre os músculos peitorais também precisa ser examinado porque os homens também podem ter câncer de mama. E um nódulo linfático inchado que não desaparece em uma ou duas semanas, especialmente se é firme e imóvel, deve ser submetido a uma biópsia para checar se é câncer. “Em uma emergência, você é o primeiro responsável pela análise da situação. A decisão de chamar ajuda tem que vir de você” CABEÇA VAZIA Se alguma vez já experimentou isso, você não se esquece da sensação horrível de náusea, suor frio e da consciência fugindo. A sua avó chama isso de desmaio; o termo preferido pelos médicos é “síncope”. O apagão manda muita gente para o pronto-socorro. A maioria das vezes, ele não traz problema e é causado por uma desidratação ou algo chamado reflexo vasovagal – um órgão interno estimula o seu nervo vago, que sinaliza para o coração desacelerar, o que pode acontecer se você está com intoxicação alimentar e as suas vísceras se contraem por causa de um sushi suspeito. Algumas outras causas da síncope são menos inofensivas. Para começo de conversa, arritmias cardíacas podem fazer você perder a consciência. E, como elas são potencialmente fatais, qualquer desmaio precisa passar por diagnóstico no hospital. Também existe uma doença genética relativamente comum conhecida como cardiomiopatia hipertrófica, que faz com que homens jovens desmaiem durante o exercício, e algumas vezes caiam mortos. Se você sentir tontura quando se levanta e se fica facilmente sem fôlego quando se deita ou de repente, no meio da noite, não deixe de ir ao médico. MANCHAS As erupções cutâneas são bastante comuns mas, às vezes, elas são o primeiro sinal visível de uma calamidade. O tipo mais comum de mancha é a dermatite de contato: a pele fica vermelha e coça – é feia, mas nada grave. Pode ser causada por alguma mudança, como o novo sabão de lavar a roupa ou uma camisa feita de fibras recicladas misteriosas. Erupções doloridas, quentes e semelhantes a queimaduras de sol, que aparecem e desaparecem, especialmente em alguém com febre ou que passou recentemente por uma cirurgia, teve qualquer tipo de ferimento profundo ou mesmo um cateter intravenoso comum inserido, podem ser um sinal de síndrome de choque tóxico (quadro no qual bactérias de pele comuns entram na corrente sanguínea, produzindo toxinas que, em algumas horas, provocam a falência de órgãos). Erupção acompanhada de febre, dor de cabeça e dor nas articulações também pode ser o primeiro sinal de meningite. Fique de olho em qualquer mancha que não fique mais clara quando você a aperta entre os dedos. Este é um teste simples, mas que ajuda a reconhecer problemas sérios. Se a cor mantiver-se a mesma, a erupção requer atenção imediata: você pode estar desenvolvendo um ataque autoimune contra as plaquetas sanguíneas ou até mesmo câncer. Mas essas são apenas as mais perigosas. Existem milhares de manchas e causas diferentes para elas. O clínico geral pode não reconhecer todas, mas ele conhece um dermatologista para indicar que vai fazer isso com segurança. A MAIOR AMEAÇA À SAÚDE DE UM HOMEMO inimigo é o ego. As três regras seguintes vão manter o seu sob controle 1. Não tenha certeza demais de que você sabe o que está acontecendo. Os melhores médicos questionam a si mesmos constantemente. 2. Quando estiver em dúvida, procure ajuda. Sempre que achar que uma situação pode ser perigosa, vá ao pronto-socorro mais próximo. 3. Confie na sua intuição. Mesmo que alguém lhe diga para não se preocupar, se a coisa simplesmente não parece bem vá ao médico. FALTA DE AR Você é um homem saudável, com 30 anos em média, sem nenhum antecedente médico significativo, e acorda no meio da noite com falta de ar. Não teve doença respiratória, não está com tosse ou febre e vou considerar que você não fuma. Sentar-se na cama melhora um pouco. Mas se você se deita e espera essa sensação passar, ela não passa. Tenta respirar fundo, mas isso só faz com que sinta uma pontada no peito. A boca fica seca e o pulso acelera. É de fato assustador. Parte do terror vem de um reflexo – um impulso nervoso liga os pulmões à parte do seu cérebro que experimenta medo. O outro motivo de preocupação é a soma do feio com o improvável, que inclui falência pulmonar, ataque cardíaco e ataque de pânico. Existem centenas de possibilidades para esse quadro – destas, umas dez podem ser fatais até o amanhecer. Aí é uma questão de escolha. Se você acha que ligar para a emergência dá muito trabalho, tente a funerária – único lugar que eu conheço onde não precisa respirar. MUDANÇAS NA VISÃO Os olhos são ligados diretamente ao cérebro. Se você achar que eles estão tentando lhe mostrar algo, preste atenção. Visão dupla pode ser sinal de AVC, de fratura da órbita do olho ou esclerose múltipla. Toda vez que a visão sofrer uma mudança repentina, seja o escurecimento do seu campo visual (AVC), as chamadas moscas volantes (descolamento de retina) ou obscurecimento generalizado da visão (coma diabético iminente), você pode ter graves problemas não apenas nos olhos, mas também em outra parte do corpo. CONCUSSÃO Este é o termo técnico para quando você bate a cabeça com força suficiente para abalar o conteúdo dela. Nós pensávamos que a perda da consciência definia a concussão. Atualmente, sabemos que, mesmo que você não tenha sido nocauteado, um golpe ainda pode romper a fiação do seu cérebro. Resultado: depois que a desorientação inicial passar, você pode ter dor de cabeça, vertigem, náusea e vômitos, mudanças de humor, insônia, perda de memória, dificuldade para falar. Luzes claras e barulhos altos podem ser intoleráveis. Você derruba coisas e perde a linha de raciocínio. A concussão é a forma mais leve de lesão cerebral e não deve ser ignorada de maneira alguma. Se for atingido na cabeça com força suficiente para ficar atordoado, mesmo que por poucos segundos, procure orientação médica imediatamente e ignore qualquer outro conselho dos colegas de time. E mais importante: nunca volte para o jogo! O médico vai pedir pelo menos uma tomografia computadorizada da cabeça e, se ela for normal e houver alguém na sua casa para manter o olho em você (o que significa acordá-lo a cada duas horas para uma breve rodada de “Qual é o seu nome?”, “Quantos dedos você vê aqui?” e “Quem é o presidente?”), ele pode deixá-lo ir embora tranquilamente. FONTE: MENSHEALTH

Quer ajudar o clima? Que tal reduzir o seu consumo de carne? Pelo menos no mundo desenvolvido, esse passo pode ser necessário a fim de estabilizar os níveis atmosféricos de um gás do efeito estufa, o óxido nitroso. O óxido nitroso é o maior contribuinte do homem à destruição do ozônio estratosférico (o “buraco de ozônio”), e o terceiro gás que mais contribui para o efeito estufa, depois do dióxido de carbono e do metano. Cerca de 80% das emissões humanas de óxido nitroso são provenientes da agricultura. Bactérias convertem o nitrogênio encontrado no esterco bovino ou o excesso deixado no solo em gás óxido nitroso. Cada quilo de carne que comemos requer múltiplos quilos de grãos, e cada grão, por sua vez, requer a utilização de fertilizantes contendo azoto, de modo que a quantidade de óxido nitroso liberado por caloria da carne (e lacticínios) é muito maior do que simplesmente comer as culturas (verduras, frutas) diretamente. PARANDO A MUDANÇA CLIMÁTICAPesquisadores analisaram várias trajetórias possíveis para as futuras emissões de óxido nitroso, inclusive estabilizar os níveis atmosféricos de óxido nitroso deste século. Eles consideraram que alterações às emissões seriam necessárias para atingir esta meta. Uma abordagem para reduzir a quantidade de óxido nitroso emitida é a utilização de azoto de maneira mais eficiente para cada quilo de grãos ou carne produzido. Mas reduzir a demanda por carne também é eficaz. “Se quisermos chegar à redução mais agressiva – o que realmente estabiliza o óxido nitroso – temos que usar todos os itens acima, incluindo mudanças na dieta”, disse o pesquisador Eric Davidson. Ele mostrou que seria necessário reduzir o consumo de carne no mundo desenvolvido em 50% para gerir o azoto duas vezes mais eficientemente. Essa análise é consistente com outros estudos, como um relatório de 2006 da ONU, que afirmou que a pecuária contribui mais à mudança climática do que o transporte. Se incluirmos o metano – liberado em grandes quantidades por ruminantes como o gado – e as emissões de dióxido de carbono da produção de fertilizantes, as emissões de gases de efeito estufa provenientes da agricultura e pecuária são ainda maiores. O óxido nitroso é liberado em quantidades muito menores do que o dióxido de carbono e o metano, mas é cerca de 300 vezes melhor em capturar calor, e dura na atmosfera por cerca de 100 anos, de modo que cada uma de suas moléculas contribui muito ao aquecimento climático. Então, a solução é a redução do consumo de carne. Mas isso tem chances de acontecer? Davidson ressalta que, 30 anos atrás, ninguém acharia possível que o tabagismo fosse proibido em bares, ou que o consumo de cigarro diminuísse. Tudo pode acontecer. De acordo com o estudo de Davidson, o consumo anual médio per capita de carne no mundo desenvolvido foi de 78 quilos em 2002 e está projetado para crescer para 89 quilos em 2030. Enquanto isso, no mundo em desenvolvimento foi de 28 quilos em 2002, projetado para crescer para 37 em 2030. “Temos vivido de uma forma muito luxuosa. Ir de 82 kg de carne por ano a 40 não deveria ser pedir muito”, disse a cientista Christine Costello. FONTE: LiveScience

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