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por Thais Torres
Em uma das escolas em que trabalho, eu e outras professoras começamos a desenvolver um projeto para discutir os sentidos da sexualidade na adolescência. Repensar padrões de beleza, causas e consequências da gravidez precoce e os significados do prazer são alguns dos assuntos que vão ser abordados. Além disso, é claro, repensar a cultura machista tão própria da nossa sociedade que condena e produz a "periguete" e que diviniza e produz o "garanhão". 
Outro objetivo (para mim um dos mais importantes) é pensar a formação da cultura do estupro. Felizmente, não estamos lidando com pequenos estupradores, no sentido de criminosos que deveriam ser condenados. Mas há uma permissividade com comportamentos de uma certa agressividade sexual, algo que choca não tanto pela pouca idade dos envolvidos, mas pelo fato de que está em formação um pensamento que pode levar a aceitação do estupro como algo moralmente aceitável.

Vide o caso recentemente noticiado pela Folha de São Paulo. O jornal relata que uma menina de 13 anos foi agredida por colegas de 14. Segundo especialistas consultados pelo jornal, "Situações como essas são, sim, violência sexual". Segundo a direção da escola particular paulistana, "É grave, mas não se trata de estupro". Fizemos uma proposta de redação para discutir o assunto com os alunos. Nas aulas, chamamos atenção para a diferença significativa entre a composição das duas frases. De certa forma, me parece que a direção da escola acha que o acontecido não é tão grave por que ainda não se constitui um estupro propriamente dito. Em um afã desesperado para abafar o caso e não afetar as matrículas, silenciam-se as discussões, envolvidos são expulsos por alguns dias e tudo volta ao normal.

A educação no Brasil parece se resumir a uma luta para que os alunos sejam bem sucedidos no vestibular e a escola, bem sucedida na manutenção da ordem e da disciplina. Nada parecido acontece na escola para a qual trabalho. Pelo contrário, recebemos total apoio para desenvolver nosso projeto. Mas sabemos que pais vão reclamar por estarmos discutindo sexo na escola. Que os adolescentes vão se indignar por estarmos denunciando práticas como a abordagem agressiva de meninos "garanhões" fazem com as "periguetes", condenadas por todos (até por elas mesmas). Que pais e alunos se revoltarão se o contato erótico do "casal hetero" precisar obedecer às mesmas regras que as "meninas que namoram" devem seguir.
No fundo, o dilema de quem se importa não é outro senão este: uma luta contra a uniformização que transforma todos os alunos em vestibulandos e um esforço para ajudar a formação de seres humanos plenos nos mais diversos aspectos, inclusive a sexualidade.
Procurando por imagens para ilustrar o post, encontrei essa clara demonstração de que o problema maior não é a sexualidade precoce, mas a distorção dos sentidos da sexualidade, ensinada desde cedo. 


PS: Esse post é também um pedido de sugestões para assuntos que podem ser abordados no nosso projeto. Bem como um agradecimento sincero a todo mundo que trabalha comigo e que, como eu, também se importa.


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