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É o fluorantimônico, cuja acidez supera a mais alta encontrada na natureza:o ácido sulfúrico a 100%. A mistura do fluorídrico com pentafluoreto de antimônio é considerada a mais forte entre os superácidos e foi criada para reagir com materiais que outros não dão conta. A concentração de um ácido é medida por meio da quantidade de íons do tipo H+, que iniciam as reações químicas com outras substâncias. O fluorantimônico tem 20 quintilhões de vezes mais íons que o sulfúrico, porém, apesar desse “poder”, ele não é capaz de corroer tudo – já que a corrosão não depende da força, mas da interação química das substâncias. Uma coisa, porém, é certa: quando a corrosão ocorre, os danos são irreversíveis. Conheça os ácidos puros mais perigosos e descubra qual deles causa mais estrago ÁCIDO FLUORÍDRICO (Hf):Como reage com vidro e metal, tem que ser armazenado em parafina ou em polímeros, como o teflon. PET: Ataca o plástico, que ganha umaspecto aquoso. AÇO: Quanto mais diluído, mais forte é a reação. Transforma o aço em gás e líquido. VIDRO: Concentrado, pode superar 100ºC e ferver o vidro derretido. CORPO HUMANO: Causa queimaduras.Diluído, pode penetrar na pele, dissolvendo os ossos. ÁCIDO SULFÚRICO (H2So4):O mais popular dos ácidos é usado na indústria e na produção de fertilizantes. PET: A venda é controlada pela Polícia Federal. Concentrado acima de 40%, derrete o plástico. AÇO: Forma uma camada de ferrugem que impede que a corrosão continue. VIDRO: Não reage. CORPO HUMANO: Concentrado acima de15%, causa queimaduras graves e a desidratação dos tecidos. ÁCIDO NÍTRICO(HNo3):Ataca boa parte dos metais, menos os preciosos. Misturado à glicerina e ao ácido sulfúrico, forma o explosivo nitroglicerina. PET: Aquecido à 90ºC, faz o material virar líquido. AÇO: O material fica diluído na solução aquosa do ácido. VIDRO: Não reage. CORPO HUMANO: Causa queimaduras e pode reagir com apele – formando uma mancha amarela. FONTES: Instituto de Pesquisa Tecnológica (ipt.br); Handbook of Corrosion Data,por Bruce D. Craig e David S. Anderson; mundoestranho

Essa divisão da Química de alta tecnologia denominada Ciência dos Materiais tem um novo dilema para resolver. O grafeno nem chegou a esquentar seu primeiro lugar no pódio dos materiais mais fortes do mundo e eis que surge o carbino como novo queridinho dos nanoquímicos para posar de adamantium; além de apresentar outras propriedades para lá de surpreendentes. Apesar de ser apenas uma cadeia linear de átomos de carbono esse novo nanomaterial apresenta o dobro da resistência à tração do grafeno e é três vezes mais resistente que o diamante. É estável à temperatura ambiente e pode formar ligações cruzadas previsíveis com outras macromoléculas quando armazenados em conjunto A denominação carbino tipifica a toda uma série de compostos poliméricos com “carbono acetilênico Linear “ ou simplesmente LAC que é a sigla para expressão inglesa “Linear Acetylenic Carbon”. Em suma, macromoléculas compostas por uma longa cadeia linear de átomos de carbono ligados entre si por triplas ligações intercaladas por ligações simples. Logo, tal estrutura unidimensional rivaliza com a do grafeno que é bidimensional(e pode gerar estruturas tridimensionais como os nanotubos de carbono e as moléculas dos fulerenos). Para entender essa sutileza basta imaginar que o grafeno é uma tela feita por átomos de carbono ligados entre si em “janelinhas” hexagonais. Como uma tela de galinheiro por exemplo. Se você enrolar essa tela no formato de um tubo teremos um nanotubo de carbono. Se você enrolar essa tela no formato de uma esfera teremos um fulereno. Em qualquer caso, como vimos, essas estruturas são bi ou tridimensionais enquanto que a do carbino é unidimensional, apresentando-se na forma de nanocordas que podem ser torcidas, gerando estruturas mais tenazes, ou então utilizadas na construção de nanoredes (por meio das já citadas ligações cruzadas) que poderão potencializar suas propriedades. Além disso, ao contrário do que se podia esperar desse tipo de polímero, possuem grande estabilidade mesmo em temperaturas ambientes e podem conduzir corrente elétrica com perda zero originando novos materiais supercondutores. E as surpresas não param por aí. As nanocordas de carbino poderão ser utilizadas para armazenar muitas formas de energia, inclusive energia mecânica. O grande desafio para transformar o que ainda é um modelo de laboratório em um supermaterial é o desenvolvimento de uma cadeia de produção capaz de fabricá-lo em escala industrial e com custo competitivo. Aliás, o mesmo problema enfrentado na alavancagem da tecnologia do grafeno e de sua nanofamília. Quem vencer a corrida ganha o pódio definitivamente ou pelo menos até descobrirem outro material mais resistente. Fontes: PHYS.ORG/ ACS NANO

O grande físico Niels Bohr uma vez nos alertou que a previsão do futuro é complicada. De fato. Ainda assim, é inegável que o mundo vai evoluir muito nas próximas décadas, e algumas mudanças são bastante prováveis. Confira: 10. FIM DO DINHEIRO EM PAPEL

O dinheiro tem mudado de formas desde que apareceu na sociedade, mas sua importância se desvaneceu dramaticamente desde que o computador se tornou amplamente disponível. Agora, é possível pagar contas com o celular. Dinheiro em papel parece cada vez mais arcaico e complicado. O custo de manutenção de moeda chega a representar até 1,5% do PIB de um país. A falsificação de dinheiro e os profissionais para combatê-la também custam muito aos governos. Os criminosos e sonegadores desfrutam do anonimato graças ao dinheiro em papel. Sem contar que as notas tendem a conter bactérias e espalhar doenças. Assim, haverá uma sociedade sem dinheiro em breve? Quase certamente. A Suécia pode ser a primeira. Você não pode mais entrar em um ônibus na Suécia com dinheiro, uma resposta direta aos roubos de motoristas de ônibus. Um sindicato de bancários pede que o dinheiro desapareça para impedir os assaltos a bancos. Mas também existem possíveis desvantagens de ficar “sem dinheiro”. Há preocupações com a privacidade, já que tudo que você gasta no cartão seria rastreado. Não ver o dinheiro também pode nos fazer gastar mais. E certos tipos de emprego, como artistas de rua e prestadores de serviço que dependem de gorjetas, devem desaparecer, a não ser que comecem a aceitar Visa ou MasterCard. No entanto, os países provavelmente vão fazer logo essa troca, e você pode viver tempo suficiente para ver o seu mudar. 9. PICO DA POPULAÇÃO
A população humana mundial só aumentou nos últimos 15 mil anos, e aumentou dez vezes nos últimos 300. As melhores estimativas calculam que atingimos sete bilhões de pessoas alguns anos atrás, apenas 12 anos depois de termos atingido seis bilhões. Provavelmente vai levar um pouco mais de uma década para chegarmos aos oito bilhões. Estudos creem que a Terra atingirá um pico populacional, e em seguida declinará. Uma pesquisa de demógrafos de Viena (Áustria) sugere que há 84% de chance da população atingir esse pico antes de 2100. Cientistas da Espanha pensam que poderia ser ainda mais cedo, em 2050. Claro, há a possibilidade da população apenas continuar crescendo. Mas devemos chegar aos 10 bilhões até o final do próximo século e ver um declínio depois disso. Nesse caso, quem chegar aos 150 verá o pico populacional da Terra. 8. IDADE DE 150
O especialista em envelhecimento britânico Aubrey de Gray acha que a primeira pessoa a atingir 150 anos provavelmente já nasceu. Pode muito bem ser você, e, nesse caso, parabéns com antecedência. Você terá tempo de sobra para ver a humanidade estabelecer outros marcos. Pode ser que alguém corra uma maratona em menos de duas horas. Haile Gebrselassie, um dos maiores corredores de distância do mundo (e o homem que deteve o recorde mundial da maratona por muitos anos), acha que isso vai acontecer em uma geração. Outras pessoas pensam que é impossível. Também é provável que o primeiro trilionário das tecnologias venha nas próximas décadas. Supercomputadores também vão evoluir, mas não tanto quanto poderiam nos próximos anos, pelo menos não com chips de silício. 7. FIM DO SILÍCIO NA COMPUTAÇÃO
Muitos de vocês estão familiarizados com a Lei de Moore, uma observação que reflete a melhoria exponencial na computação nas últimas décadas. Originalmente, a lei observa que o número de transistores que podem caber em circuitos integrados dobra a cada dois anos. No entanto, estamos chegando no limite do que podemos fazer com a computação de silício. Enquanto o silício provavelmente continuará gerando trabalho por algum tempo, a computação em breve sofrerá uma mudança tecnológica. A gigante IBM está interessada em nanotubos de carbono como a solução, e os pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA) já fizeram um pequeno circuito para demonstrar a tecnologia. Os nanotubos são menores, mais leves e mais rápidos do que o silício, permitindo assim que o poder da computação continue a aumentar. A computação quântica, um avanço ainda maior, está cada vez mais perto e pode definir a vanguarda da tecnologia em um futuro próximo. 6. IMPRESSÃO 4D
Muitas pessoas enxergam a impressão 3D como amplamente disponível no futuro. Porém, uma tecnologia relacionada, e ainda melhor, pode fazer mais sucesso: a impressão 4D, que envolve objetos que se montam sozinhos. Nem precisamos comentar as vantagens de bens manufaturados que se fabricam sozinhos. Por um lado, isso significa que você não terá que quebrar a cabeça para montar um guarda-roupa nunca mais. Além disso, materiais que mudam sua forma ou comportamento com base em condições tais como a temperatura também poderiam melhorar a impressão 3D. Você imprime um objeto, e as partes se remodelam mais tarde para permitir uma criação mais complexa. Móveis, edifícios e veículos automontáveis seriam particularmente úteis na exploração do espaço. Engenheiros já estão trabalhando em uma nave espacial capaz de criar grandes painéis solares em órbita para gerar energia. E a impressão 4D também funciona em menor escala. Nanomateriais requerem muita energia e esforço usando métodos tradicionais. Automontagem é o caminho mais promissor para a produção em massa de nanoestruturas. Uma equipe de químicos da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, está trabalhando em um pequeno robô que se monta dentro do corpo humano para rastrear e matar células cancerosas. 5. SUBSTITUTO AOS ANTIBIÓTICOS
Fantásticos avanços da medicina estão se tornando cada vez mais necessários, já que nossos métodos atuais estão começando a falhar. Os antibióticos, que provavelmente já salvaram a sua vida ou de alguém que você conhece, não estarão aqui por muito mais tempo. As bactérias estão ficando resistentes, e precisamos de uma nova ferramenta para lutar contra elas. Uma possibilidade é combater infecções bacterianas com infecções virais. Vírus que atacam bactérias são conhecidos como bacteriófagos, e fazem com que seus hospedeiros literalmente se despedacem. Os cientistas não necessariamente precisam usar todo o vírus. Uma equipe em Israel já conseguiu isolar uma proteína a partir de um bacteriófago que poderia levar ao desenvolvimento de drogas que destroem bactérias. Outro método possível consiste em introduzir produtos químicos que ligam anticorpos pré-existentes com agentes infecciosos, auxiliando a resposta imune do corpo. Esta tecnologia está sendo liderada por Kary Mullis, um microbiologista vencedor do Prêmio Nobel. Já a DARPA, agência de defesa americana, famosa por estar na vanguarda da tecnologia militar, está colocando seu dinheiro em nanotecnologia. A agência quer criar uma nanopartícula que combata bactérias com produtos químicos que alteram genes reprogramáveis. Dessa forma, assim que elas evoluem, a tecnologia pode ser ajustada a curto prazo para contornar sua resistência. Outras equipes estão trabalhando na prevenção da infecção para reduzir a necessidade de antibióticos. Cientistas de Cingapura criaram um revestimento que atrai bactérias e as destrói. A equipe espera desenvolvê-lo em uma substância ingerível para combater doenças como pneumonia e meningite. 4. APOCALIPSE MAMÍFERO Um quarto das 4.000 espécies de mamíferos do mundo estão sob ameaça de extinção nos próximos 30 anos. E não estamos falando de espécies obscuras e pouco conhecidas. Cientistas preveem que podemos viver em um mundo sem elefantes, rinocerontes e leões dentro de um quarto de século. Gorilas também estão em vias de extinção já que são caçados por sua carne, e seus habitats são destruídos por operações madeireiras e de mineração. Isso sem mencionar o tigre siberiano, ou as 51 espécies de morcegos criticamente ameaçadas de extinção. Em um par de gerações, metade dos animais nos livros de nossos filhos podem ser tão relevantes quanto o dodô. Na verdade, os cientistas sugerem que estamos vivendo atualmente um período de extinção em massa, como o que matou os dinossauros. Esta seria a sexta extinção em massa na história da Terra, em grande parte causada por nós mesmos. 3. SUBSTITUTO PARA A GLOBALIZAÇÃO Embora pareça uma batalha para o futuro, a guerra entre os carros elétricos e os com motores de combustão interna tem uma longa história. Até 1900, os carros elétricos eram os favoritos: menos fedorentos, mais silenciosos e mais fáceis de operar do que seus primos movidos a combustíveis fósseis. A primeira morte em estrada nos EUA envolveu um veículo elétrico, e não foi até a década de 1910 que os problemas da tecnologia de bateria pavimentaram o caminho para beberrões de gasolina. Teremos que voltar aos elétricos em breve, no entanto. Seja você crente ou não do aquecimento global antropogênico (97% dos cientistas climáticos são), ainda precisamos encarar o fato de que o petróleo é finito e irá se esgotar. Precisamos de um método de alimentar os nossos veículos mais renovável (ou pelo menos mais duradouro). A companhia de petróleo Shell sugere que o último carro a gasolina pode sair de linha de produção em 2070. Mudanças potenciais poderiam acelerar esse processo. Avanço na fusão nuclear já tomou o primeiro lugar nas apostas. Seria uma eletricidade limpa, confiável e segura que deixaria o petróleo no chinelo. 2. FIM DA LINHA TELEFÔNICA Que tipo de telefone você tem? Um quarto de século atrás, essa questão não teria muitas respostas para além de “um com botões”. Se você queria se comunicar instantaneamente com alguém do outro lado do país, usava uma rede de fios de cobre. É estranho até pensar por que o telefone já não se extinguiu. O sistema de linha fixa está sendo drasticamente menos utilizado conforme os anos passam. O número de telefones fixos nos EUA cai a um ritmo de 700 mil por mês. Já diminuiu de 139 milhões para 75 milhões entre 2000 e 2008. A comunicação hoje é cada vez mais feita através de conectividade baseada em IP. No entanto, incontáveis vidas foram salvas pela existência de números de emergência, como o 112. Os governos, portanto, forçaram as empresas de telecomunicações a manter sua infraestrutura. Isto as custa bilhões de reais todos os anos, o que as atrasa para mudar sua rede para alternativas mais recentes. Muitos moradores de áreas rurais gostariam de ver a velha rede de telefone ficar disponível por mais algum tempo. Para eles, é a única comunicação que funciona. E tem algumas vantagens sobre as tecnologias mais recentes, também, já que muitas vezes ainda opera durante quedas de energia. No entanto, com apenas 5% das pessoas ainda aderindo exclusivamente ao sistema de telefone fixo, é provavelmente inevitável que ele siga o caminho do telegrama. 1. CURA/EXTERMÍNIO DE DOENÇAS ICÔNICAS A AIDS deixou de ser nada para ser uma das doenças mais onipresentes do mundo dentro de uma geração. Dezenas de milhões de pessoas estão vivendo com a doença, e outras dezenas de milhões já morreram. No entanto, a maré está virando – a doença que explodiu em uma geração pode ser derrotada em outra. O número de crianças infectadas pelo HIV a cada ano está caindo a uma taxa crescente. As estatísticas de mortes também são impressionantes. Só na África do Sul, 100.000 menos pessoas morreram de doenças relacionadas com AIDS em 2011 em comparação a 2005. O marco fundamental nesta luta vai ser uma época em que quase não há crianças nascendo com a doença. A medicina atual pode nos levar até lá, e uma vacina pode trazer esse marco mais cedo na história. A primeira doença a ser eliminada em todo o mundo sem uma vacina será, provavelmente, a doença do verme da Guiné, uma infecção parasitária horrível que causa ardor infernal perto da pele. O número de pessoas com a infecção caiu de 3,5 milhões em 1986 para 542 casos em 2012. A Organização Mundial de Saúde espera se livrar do verme até 2015. Essa não é a única doença na lista negra da OMS. Bouba foi uma infecção bacteriana alvo de erradicação no meio do século passado, e os números caíram de 50 para 2,5 milhões entre 1952 e 1964. Pairou nesse nível desde então, mas a OMS espera que desapareça em 2020. Bouba já foi eliminada da Índia, assim como a poliomielite, outra doença que todos nós devemos viver para ver desaparecer completamente. FONTE: Listverse

Quem nunca viu, provavelmente conhece alguém muito próximo que jura ter visto. Discos voadores são tão populares que há tempos se tornaram um dos raros temas universais, sucesso certo em qualquer mesa de boteco do mundo. Um dos motivos de os visitantes interplanetários despertarem tanto interesse em todas as culturas deve ser o fato de que eles já estiveram em todos os rincões da Terra. Pelo menos é o que parece. Segundo o Centro Brasileiro de Pesquisas em Discos Voadores (CBPDV), desde 1947, quando teve início a era moderna da ufologia, mais de 6 milhões de pessoas no mundo inteiro afirmaram ter tido algum tipo de contato com alienígenas – número que corresponde à população da cidade do Rio de Janeiro. É muita gente. “O desejo de não estarmos sozinhos no Universo é relatado ao longo dos tempos, em todas as épocas e culturas. O que difere é a forma como isso acontece”, diz o psicólogo Wellington Zangari, pesquisador do Laboratório de Psicologia da Religião, da Universidade de São Paulo (USP). Para ver um ET, em primeiro lugar, dizem os ufólogos, é interessante ter boas condições geográficas e climáticas. Dificilmente alguém consegue enxergar um disco voador em meio ao caos urbano, com nuvens de fumaça, poluição, barulho de ônibus e sirenes de ambulância – embora isso possa acontecer, sim, de vez em quando. Locais mais tranqüilos, altos e montanhosos, como São Tomé das Letras (MG), Serra do Roncador (MT) e Chapada dos Guimarães (MT), em geral são mais propícios aos avistamentos. Descampados também são ambientes favoráveis para ver o céu com mais clareza – a fronteira desértica dos Estados Unidos com o México é onde se concentram os maiores sítios ufológicos do mundo. O caso mais famoso de que se tem notícia aconteceu em 1947, num rancho em Roswell, no Novo México, onde uma nave teria despencado. De lá para cá, o lugar vive do turismo ufológico (leia na página 30). Outra cidade, Rachel, perdida no meio do estado de Nevada, é emblemática: a estrada que chega até lá foi curiosamente batizada de Rodovia Extraterrestre. QUEM VÊ MAISSozinhas, as características topográficas não dizem muita coisa. Até porque o número de relatos não é o mesmo em todos os lugares calmos, desérticos e montanhosos do planeta – ele varia consideravelmente. Ao que tudo indica, por alguma razão misteriosa, os ETs adoram os Estados Unidos. Com 4,6% da população mundial, esse país concentra mais de 60% dos casos registrados de avistamentos de óvnis no planeta. Somente no estado da Califórnia, em fevereiro deste ano, 962 pessoas disseram ter visto naves espaciais. Já na China, apesar de ter 1,3 bilhão de habitantes, esse número cai para míseras 228 pessoas – isso durante o ano passado inteiro. A mesma discrepância pode-se observar na Europa. França e Inglaterra vêem muito mais óvnis do que a Alemanha, que tem uma população bem maior que a dos dois países. Será que os alienígenas teriam alguma preferência regional? “Não, eles não ‘aparecem’ mais aqui ou ali. Eles são mais ‘vistos’ aqui e ali. Em cidades cujas populações tenham uma predisposição maior para aceitar o fenômeno, uma única observação pode originar um resultado muito mais expressivo do que em outras, com menos predisposição para o fato”, diz o ufólogo Ademar Gevaerd, editor da revista UFO. Faz sentido. Uma pesquisa realizada em 2002 pelo Instituto Roper apontou que 56% dos americanos acreditam em óvnis. E quem crê, vê. Em 1995, mais de 11 milhões de espectadores naquele país assistiram, fascinados, à suposta autópsia do ET capturado em Roswell, exibido pela Fox. “Os Estados Unidos sempre foram preocupados demais com inimigos invasores que podem destruí-los a qualquer momento”, diz o psicólogo Zangari. “Isso porque eles não conseguem perceber que quem destrói os outros são eles mesmos.” Foram os americanos que inventaram o termo ufo (unidentified flying objects), em 1947, para designar os tais “pratos voadores”. Na época, o piloto Kenneth Arnold convocou a imprensa para dizer que viu nove objetos estranhos enquanto conduzia seu avião monomotor no estado de Washington. Segundo o CBPDV, naquele mesmo ano foram registradas mais de 2 mil outras manifestações de ufos e contatos com seus tripulantes, em cerca de 30 países ao redor do mundo. Como tudo o que é bom para os Estados Unidos deve ser bom para o Brasil, logo os relatos começaram a pipocar por aqui também. Menos de um mês depois do incidente envolvendo Arnold, foi noticiado um caso no Paraná: um agricultor contou ter visto uma nave pousar e seres de quase 2 metros de altura vasculhar os arredores. Diversos outros casos foram relatados até chegarmos a 1996, quando finalmente entramos para a lista dos tops da ufologia mundial, com o célebre ET de Varginha. Segundo a *U* Ufo Database, um banco de dados americano sobre ufologia, só em abril deste ano foram vistos cerca de 550 óvnis no Brasil. ELES SABEM ONDE PISAMDe acordo com especialistas em ufologia, os vôos e aterrissagens dos alienígenas em nosso planeta não se dão por acaso. Eles passariam muito tempo estudando nossos hábitos, até o momento em que escolheriam onde dar o ar da graça. “Como seres tecnologicamente mais avançados, os ETs detêm conhecimento de como funciona e está organizada nossa sociedade planetária. Assim, eles fazem uma observação constante de nossas ações”, afirma Gevaerd. Segundo ele, é justamente por isso que a forma de agir dos extraterrestres se diferencia conforme o lugar e o nível de desenvolvimento da sociedade. “Está confirmado que, quando eles interagem com pessoas de centros urbanos, mais desenvolvidas, os ETs têm procedimentos mais refinados. Por exemplo, uma ação que envolva a abdução de um nova-iorquino, certamente, não será igual à abdução de um integrante de uma tribo africana ou paraguaia. Os ETs conhecem muito bem nossa sociedade e nossas etnias, de forma a saber o que querem e onde encontrar”, afirma Gevaerd. David Jacobs, professor de História da Universidade da Pensilvânia, que estuda abduções há 35 anos, concorda. Mas alerta: “É importante entender a natureza global desse fenômeno. Milhares de pessoas de todo o mundo têm falado que estão sendo abduzidas. Isso precisa ser estudado”. Com 4.6% da população mundial, os Estados Unidos concentram mais de 60% dos casos registrados de avistamentos de óvnis no planeta POINTS NO BRASIL:Conheça cinco regiões no país que ganharam fama por supostamente atrair seres de outro mundo. Quando você for lá, não custa olhar para o céu! # Varginha (MG)Desde o dia 20 de janeiro de 1996, quando seres de outro planeta teriam sido vistos por lá, a pacata cidade mineira entrou no roteiro do turismo ufológico nacional. Hoje, Varginha conta com um espaço de pouso para futuros visitantes interplanetários, além de pontos de ônibus que imitam naves espaciais e diversas lojas que vendem suvenires de ETs – inclusive os bichinhos vestindo a camisa do seu time favorito # Peruíbe (SP)O litoral sul de São Paulo é uma das áreas com maior incidência de avistamentos e abduções no Brasil. A região de Peruíbe, em especial, é um dos núcleos. Desde 2001, vem sediando encontros nacionais de ufologia. Até a prefeitura entrou na parada: no ano passado, a cidade lançou um roteiro ufológico oficial, que leva o turista a conhecer lugares com alta incidência de ETs, como Serra dos Itatins, Pedra da Serpente, Perequê, Guaraú, Barra do Una e Ilha de Queimada Grande # Itaara (RS)Abriga, desde 2001, o Museu Internacional de Ufologia Victor Mostajo, criado e dirigido pelo presidente da Associação Brasileira de Pesquisas Ufológicas (ABPU), Hernan Mostajo, um estudioso do assunto. O lugar já faz parte da agenda de turismo do governo gaúcho e conta com painéis temáticos, réplicas de ETs, computadores com acesso a chats, além de 300 documentários sobre ufologia e astronomia # Guarabira (PB)Parada obrigatória para quem quer ver ETs – ou ser abduzido por eles. Dizem os ufólogos que a cidade, vista do alto, tem o formato de um disco. E que, por isso, no passado teria sido um local de pouso de óvnis. Depois de diversos casos,inclusive o de uma enorme sombra triangular pairando sobre Guabira, em 1996, a maioria dos moradores se oferece para dar informações e guiar turistas curiosos # Serra do Roncador (MT)Lugar cercado de mistérios e aparições de ETs – além das evidentes exuberâncias naturais. Dizem que ali vivem seres intraterrestres (ou seja, que ficam embaixo da terra). Por isso, estão instaladas na região 16 representantes de comunidades místicas à procura de contatos e sinais de povos subterrâneos, sobreviventes da desaparecida Atlântida e dos incas, no Peru.

Ele ocupa a maior parte do cérebro e controla quase tudo o que fazemos. Mas a ciência já sabe como domá-lo e usar os poderes dele para várias coisas, de guardar senhas a fazer espionagem militar. Conheça as novas descobertas sobre o inconsciente - e veja como elas confirmam a principal teoria de Freud. Quando tinha pouco mais de cinquenta anos, o médico africano T.N. sofreu dois derrames cerebrais devastadores. Eles destruíram totalmente seu córtex visual, a região do cérebro que nos permite enxergar. T.N. ficou completa e irremediavelmente cego. Mas, ainda no hospital, um grupo de cientistas ingleses decidiu recrutá-lo para um estudo estranho. Colocaram um laptop na frente de T.N. e pediram a ele que identificasse qual figura aparecia na tela, que poderia ser um círculo ou um quadrado. O homem identificou corretamente 50% das figuras - o que é de se esperar num cego, pois esse índice de acerto é o mesmo que se consegue fazendo escolhas aleatoriamente. T.N. estava apenas chutando. Mas aí, num segundo teste, os pesquisadores trocaram as imagens exibidas no laptop. Agora, aparecia uma sequência de rostos, alguns amigáveis e outros hostis. T.N. deveria dizer se cada face era amiga ou inimiga. Para perplexidade geral, ele identificou corretamente dois terços dos rostos. Sorte? Os cientistas repetiram o teste, mas o índice de acerto se mantinha. T.N. estava tendo alguma reação aos rostos. Ele dizia que não estava vendo nada - e, clinicamente, de fato era impossível que enxergasse. Como explicar isso, então? Um fenômeno sobrenatural? Não. Ser capaz de ler expressões faciais é uma habilidade extremamente importante. Para o homem das cavernas, saber se um indivíduo era amistoso ou hostil poderia significar a diferença entre a vida e a morte. E era preciso fazer isso no ato; não dava tempo de conversar e analisar racionalmente a pessoa para saber se ela era boazinha ou não. Por isso, ao longo da evolução, uma região cerebral se especializou em julgar rostos. Ela se chama área fusiforme e é um pedaço fininho e comprido da parte de baixo do cérebro. Quando você vê uma pessoa pela primeira vez, sua área fusiforme analisa o rosto dela. O processo dura frações de segundo e é inconsciente, ou seja, você não percebe que está acontecendo. Sabe aquela primeira impressão instantânea, que parece puro instinto e sempre temos ao conhecer alguém? É um julgamento feito pela área fusiforme. No cérebro de T.N., esse pedaço estava intacto. O córtex dele não conseguia processar as imagens enviadas pelos olhos, mas a área fusiforme sim. É por isso que, mesmo estando cego, T.N. ainda conseguia ver rostos. Seu cérebro consciente não enxergava mais nada. Mas o inconsciente dele ainda conseguia ver - e, mais do que ver, julgar os rostos das pessoas. Há diversos casos como o de T.N., tantos que a ciência até criou um termo para designá-los: blindsight, ou visão cega. Todos seguem o mesmo padrão. Conscientemente, a pessoa está cega - mas partes do cérebro dela ainda conseguem enxergar. A visão cega é apenas uma das demonstrações do poder do inconsciente, que interessa cada vez mais aos cientistas. Agora, o lado oculto da mente não é apenas um assunto de psicanalistas; ele também virou uma das áreas mais interessantes da neurociência moderna. Essa transformação aconteceu porque as técnicas de mapeamento cerebral finalmente estão permitindo que os cientistas comecem a desbravar o inconsciente - um mundo inexplorado e muito maior que a consciência. Quão maior? No ano passado, a emissora inglesa BBC fez essa pergunta a sete dos maiores experts do mundo em cérebro e cognição, de quatro grandes universidades (Oxford, Montreal, Columbia e Londres). Cada um deles deu seu palpite - sim, palpite, pois a ciência ainda está longe de ter um catálogo completo dos processos cerebrais. Pelas estimativas dos especialistas, a consciência ocupa no máximo 5% do cérebro. Todo o resto, 95%, é o reino do inconsciente. CONSCIENTE X INCONSCIENTEQuando você vê um rosto pela primeira vez, o seu inconsciente decide, em frações de segundo, se aquela pessoa é amiga ou inimiga. É uma habilidade vital para a sobrevivência - e também permitiu que um homem totalmente cego voltasse a enxergar. Muito do que você faz, o tempo inteiro, é inconsciente. Falar, por exemplo. Você simplesmente pensa no que quer dizer (as ideias), e não precisa selecionar conscientemente as palavras - elas simplesmente aparecem. Isso acontece porque o seu inconsciente trabalha nos bastidores durante o papo, vasculhando o seu vocabulário e abastecendo o consciente para ajudar você a se expressar. Enquanto você escuta outra pessoa falar, acontece algo parecido. Você não precisa analisar e decodificar conscientemente cada palavra do que ela está dizendo - porque o seu inconsciente se encarrega de transformar em ideias os sons que estão saindo da boca dela. Quando você lê um texto, é a mesma coisa: o inconsciente transforma automaticamente os símbolos gráficos (as letras e palavras) da página em ideias, que só então são transmitidas para a sua consciência. É por isso que é tão difícil aprender outro idioma. Quando você começa a falar ou ler textos em outra língua, só usa a consciência - porque o inconsciente ainda não assumiu a tarefa (mais sobre isso daqui a pouco), e você tem de escolher ou analisar as palavras uma por uma. "Falar outro idioma é quase experimentar ser outra pessoa. Precisamos reunir os sentidos usando outra lógica", diz Luiza Surreaux, doutora em estudos da linguagem e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O inconsciente se encarrega de tudo o que fazemos sem esforço perceptível, como andar na rua ou escovar os dentes. Por causa disso, ele opera em potência máxima o tempo todo - e é uma exceção no organismo. Se você se levantar e sair correndo, por exemplo, os seus músculos vão gastar aproximadamente 100 vezes mais energia do que se você estivesse imóvel (e coração e pulmão também serão mais exigidos). Mas o cérebro é diferente. Quando você faz alguma coisa mentalmente intensa, como jogar xadrez, ele gasta apenas 1% a mais de energia do que se você estivesse olhando para o teto, sem pensar em nada. Isso acontece graças ao inconsciente - que trabalha freneticamente até quando estamos relaxados. "O cérebro é abastecido pelos olhos, ouvidos e outros sentidos, e o inconsciente traduz tudo em imagens e palavras", diz o psicólogo e neurocientista Ran Hassin, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e um dos autores do livro The New Unconscious ("O novo inconsciente", ainda não lançado no Brasil). "Novo inconsciente", aliás, é o termo que os cientistas têm utilizado para definir essa nova abordagem - que propõe uma explicação puramente neurológica para o lado oculto da mente. Mas também confirma a principal ideia de Freud. LER X VEREnquanto lê este texto, você vê uma sequência de símbolos: as letras. Mas é o seu inconsciente que dá sentido a elas. PSICANÁLISE X CIÊNCIASigmund Freud não foi o "descobridor" do inconsciente. Já durante o Iluminismo, no século 18, se discutia a existência dele - entendido como um pedaço da mente dotado de vontades que escapavam ao controle consciente. A contribuição específica (e enorme) de Freud foi transformar uma noção vaga num conjunto de ideias, teorias e técnicas: a psicanálise. Como explica o biógrafo Peter Gay em Freud - Uma Vida para Nosso Tempo (Companhia das Letras, 2012), Freud acreditava que o inconsciente era "uma prisão de segurança máxima" na qual os traumas sofridos na infância ficavam aprisionados, e nisso estaria a raiz das infelicidades humanas. A neurociência nunca deu muita bola para a psicanálise. Mas os novos estudos sobre inconsciente trazem comprovação para um conceito central dela. Uma experiência liderada pelo psiquiatra Eric Kandel, que ganhou o prêmio Nobel de Medicina de 2000 por estudos sobre neurotransmissores, mostra como o inconsciente pode funcionar como amplificador das emoções. Antes da experiência, os voluntários preencheram questionários que mediam seus níveis de ansiedade. Depois, enquanto seu cérebro era monitorado pelos cientistas, cada voluntário via uma série de rostos com expressões de medo. Foram duas sessões. Na primeira, as fotos passavam bem devagar, com tempo suficiente para o voluntário analisar os detalhes de cada uma. Na segunda, as imagens passavam tão rápido que os voluntários não conseguiam identificar nada - não tinham nem certeza de ter visto um rosto ou qualquer outra coisa. A intenção de Kandel e seus colegas era provocar emoções conscientes e inconscientes. Quando a foto ficava por um bom tempo na tela, o voluntário tinha tempo de perceber conscientemente a expressão de medo da imagem. No outro experimento, era tudo tão rápido que não era possível ter uma reação consciente. Essas imagens rápidas estimulavam diretamente o inconsciente, e provocavam atividade muito alta no núcleo basolateral da amídala cerebral - área ligada às sensações de medo. Já as imagens lentas, que eram interpretadas de forma consciente, não geravam nenhuma atividade nessa área. Quanto mais ansiosa a pessoa era, maior a diferença entre a interpretação consciente e inconsciente da mesma coisa (as imagens). Para Kandel, o estudo é a comprovação neurocientífica de uma teoria central da psicanálise: a interpretação inconsciente de coisas negativas é a fonte de muitas das aflições humanas. Freud tinha razão. EXPERIÊNCIA X INFLUÊNCIAVocê é o produto das situações que vive. Mas também sofre uma influência que vem de dentro - e é tão potente quanto elas. O inconsciente pode ser fonte de angústias - e também de algumas injustiças, cujos efeitos são perceptíveis desde a infância. O queridinho do professor, provavelmente, será o aluno com as melhores notas da classe. Não porque ele seja necessariamente o melhor, mas porque os professores acreditam que seja - e acabam atuando inconscientemente a favor dele. Esse fenômeno, que se chama incentivo inconsciente, tem respaldo em diversos estudos científicos. Um dos mais engenhosos (e mais polêmicos também) foi conduzido na década de 1960 por Robert Rosenthal, hoje um octogenário professor de psicologia da Universidade da Califórnia. Na experiência, os alunos de uma escola americana foram submetidos a uma prova. Rosenthal e sua equipe disseram aos 18 educadores do colégio que se tratava de um teste especial, desenvolvido na Universidade Harvard para analisar o potencial de desenvolvimento de cada criança. Mentira. Era apenas um reles teste de QI, sem nada de especial. O objetivo da lorota era aumentar as expectativas dos professores. Os alunos fizeram a prova, e a grande sacada de Rosenthal veio na hora de anunciar o resultado. Antes mesmo de calcular a pontuação de cada aluno, os pesquisadores escolheram aleatoriamente três a seis crianças de cada série e disseram aos professores que aqueles alunos haviam se destacado e teriam um desempenho extraordinário nos anos seguintes. Era outra mentira. No final do ano escolar, a equipe de Rosenthal voltou à escola e repetiu o teste. Os alunos que haviam sido falsamente diagnosticados como gênios haviam ganho, em média, 3,8 pontos de QI a mais que os demais. O resultado foi ainda mais surpreendente entre alunos da primeira série: a diferença entre os ungidos e o resto foi de assombrosos 15,4 pontos de QI a mais. Ou seja: as crianças que haviam sido apresentadas como mais inteligentes de fato se tornaram mais inteligentes - porque inconscientemente, sem querer, os professores haviam dado mais atenção e estímulo a elas. "O resultado mais importante desse experimento foi mostrar como a expectativa dos professores faz toda a diferença para o desenvolvimento dos alunos", analisa Rosenthal. É impossível ser completamente justo e imune a esse tipo de influência, mas existe um antídoto eficaz contra as distorções induzidas pelo inconsciente: saber que ele sempre está pronto para nos enganar. APRENDER SEM SABERSe, por um lado, é impossível controlar o inconsciente de maneira consciente, é possível influenciá-lo. "Podemos mudá-lo. Ele é tão maleável quanto a consciência, ou talvez mais", afirma o neurologista Ran Hassin. Como se faz isso? Praticando alguma coisa até que ela se torne uma segunda natureza, ou seja, vire um processo automático. Qualquer profissional de elite, seja um pianista profissional, um médico-cirurgião ou uma bailarina do Theatro Municipal, depende de anos de prática para chegar ao topo da carreira. Cerca de dez anos de prática - ou 10 mil horas de treino, segundo uma famosa pesquisa do psicólogo Anders Ericsson, da Universidade da Flórida. Ericsson estudou violinistas de uma das melhores escolas de música de Berlim. Eles começaram com cinco anos de idade, todos no mesmo ritmo. Mas, a partir dos oito anos, as horas de ensaio começaram a variar entre os estudantes. Quando chegaram aos 20 anos, os melhores violinistas haviam somado 10 mil horas de treino, enquanto os demais não passavam de 8 mil horas - e os piores da turma tinham apenas 4 mil horas de estudo. SENTIR X PENSARO consciente e o inconsciente reagem de modo diferente à mesma coisa. O primeiro é racional; o segundo, carregado de emoção. A dedicação trouxe recompensa porque, quando se pratica muito alguma coisa, ela fica gravada num tipo especial de memória: a memória não-declarativa, que faz parte do inconsciente e registra ações e movimentos do corpo. É ela que permite que o violinista consiga tocar bem. Se dependesse apenas do consciente, ele não daria conta de todos os procedimentos envolvidos na tarefa (ler a partitura, equilibrar o instrumento no ombro, posicionar os dedos, mover o arco, respirar e, ainda por cima, tocar de maneira natural e relaxada). E ninguém conseguiria aprender a falar fluentemente um segundo idioma. Em suma: a chave para ensinar uma nova habilidade ao próprio inconsciente é treinar, treinar e treinar. É um processo bem demorado. Mas já existe gente tentando deixá-lo mais rápido. CRIA X FALAVocê decide o que quer falar, mas não escolhe as palavras que vai usar - o seu inconsciente faz isso por você. Ele pega as suas ideias e cria a sua fala. Quando você está aprendendo outro idioma, isso não acontece: a consciência tem de se virar sozinha. AS SENHAS INVISÍVEISElas são um problema típico do mundo moderno. Ou você acaba esquecendo as suas, ou escolhe uma bem bobinha e usa pra tudo - até que, por causa disso, alguém acaba invadindo o seu e-mail ou conta bancária. Um grupo de cientistas da Universidade Stanford tem uma solução melhor: senhas ultrassecretas, que ficam armazenadas no inconsciente. Funciona assim. Primeiro, os cientistas pedem a voluntários que joguem um joguinho no qual bolinhas caem, uma de cada vez, em uma das seis colunas que aparecem na tela. O objetivo é apertar o botão do teclado correspondente à posição da bolinha na tela. Se a bolinha cai do lado esquerdo, por exemplo, a pessoa aperta a letra S (porque ela fica bem à esquerda no teclado). A ordem das bolinhas parece aleatória, mas não é. A pessoa não percebe, mas existe uma sequência que se repete de tempos em tempos - cerca de 90 vezes ao longo de 30 minutos, a duração do jogo. Essa sequência é definida pelo computador e é personalizada, ou seja, diferente para cada jogador. Ela é a senha. E, graças à repetição, acaba sendo gravada no inconsciente da pessoa. Na segunda etapa da experiência, a pessoa joga o joguinho novamente. E as bolinhas vão caindo na tela do mesmo jeito: sua ordem parece aleatória, mas uma sequência específica (a senha) se repete de tempos em tempos. Como as bolinhas caem bem depressa, o jogador erra muitas. Exceto as bolinhas daquela sequência que ficou gravada no inconsciente dele. Sem perceber nem saber o motivo, a pessoa acerta todas. Está digitada a senha. Ela é reconhecida pelo computador, que libera o acesso. Além de ser conveniente (você nunca mais precisará se lembrar de uma senha), a tecnologia é extremamente segura. "O sistema torna praticamente impossível para um assaltante forçar a vítima a revelar sua senha bancária, por exemplo. Porque a senha está no cérebro da pessoa, mas não está acessível conscientemente a ela", explica Hristo Bojinov, um dos criadores da tecnologia. Segundo ele, o sistema de senhas inconscientes pode chegar ao mercado dentro de três anos, mas ainda precisa ser aperfeiçoado. Por enquanto, ele é inviável para uso cotidiano - porque é preciso jogar o joguinho durante 5 a 10 minutos até que a senha inconsciente seja digitada. Dez minutos é bastante. Mas é bem menos do que as 10 mil horas do exemplo anterior. Ou seja: a nova técnica mostra que é possível inserir informações simples no inconsciente muito mais depressa do que se acreditava. O Exército americano já percebeu, e está tentando tirar proveito disso. A ideia é ajudar os analistas de imagens aéreas, funcionários do Pentágono que olham as fotos tiradas pelos satélites espiões dos EUA - e dizem quais delas contêm algo relevante (como um reator nuclear ou uma base militar inimiga, por exemplo). É um trabalho cansativo e difícil, pois são milhares de fotos aparentemente iguais, com diferenças minúsculas. Mas o cientista Paul Sajda, da Universidade Columbia, teve a ideia de monitorar o cérebro de um analista enquanto ele olhava essas fotos. O analista vestiu uma touca de eletroencefalograma (EEG), cheia de sensores que medem a atividade elétrica em determinadas regiões do cérebro. Aí Sajda mostrou a ele uma foto relevante, ou seja, na qual se via claramente uma construção suspeita. O eletroencefalograma registrou um pico de atividade cerebral - pois aquela imagem havia despertado a curiosidade do analista. Normal. Mas aí os pesquisadores resolveram acelerar as coisas, e começaram a exibir dez imagens por segundo. Algumas das fotos eram relevantes, outras não, mas todas passavam rápido demais para que o analista conseguisse prestar atenção em qualquer coisa. Mesmo assim, quando aparecia uma foto relevante, algo incrível acontecia: o eletroencefalograma registrava um pico de atividade no cérebro dele. O analista não conseguia perceber nada de diferente nas imagens, mas o inconsciente dele sim - e estava identificando as fotos que tinham pontos interessantes. De acordo com Sajda, o novo método permite aumentar em até 300 vezes a eficiência da análise de imagens militares. "Os processos inconscientes são capazes de algum tipo de racionalidade, muito mais do que se pensa, e essa racionalidade pode levar a boas decisões", escreve o neurocientista Antonio Damasio no livro E o Cérebro Criou o Homem. HANS, O CAVALO ESPERTOO inconsciente não é apenas um depósito de traumas reprimidos e habilidades incríveis. Ele também é especialista em fazer o contrário: colocar tud o pra fora. O psicólogo Paul Ekman, da Universidade da California, ficou famoso por ter catalogado mais de 10 mil conjuntos de "microexpressões" - expressões faciais que fazemos inconscientemente enquanto conversamos, e que podem revelar nossas verdadeiras emoções. Inclusive se o seu interlocutor for um cavalo. Em 1904, o alemão Wilhelm von Oster ficou famoso por suas apresentações com Hans - um cavalo que era capaz de "quase tudo, menos falar". Segundo o dono, Hans fazia cálculos matemáticos complexos. Quando perguntavam a raiz quadrada de quatro, o bicho respondia batendo o casco duas vezes no chão. A conexão era tanta que Hans acertava o resultado mesmo quando seu mestre não fazia as perguntas em voz alta - e apenas pensava nelas. Havia quem jurasse de pés juntos que o cavalo lia a mente de Von Oster. A dupla rodou a Alemanha em apresentações fantásticas, e deixou estudiosos debruçados sobre o mistério durante anos. Em 1907, o psicólogo Oskar Pfungst publicou um estudo que solucionava a charada. Hans só acertava os resultados quando seu `entrevistador¿ (no caso, Von Oster) já sabia a resposta certa. Pfungst descobriu um padrão: Von Oster se inclinava levemente para frente quando terminava de propor uma questão. Esse era o sinal. Hans entendia e começava a bater o casco no chão. Quando atingia o número certo de batidas, algum outro movimento do dono denunciava a hora de parar. Von Oster era um charlatão, então? Talvez. Mas muitas outras pessoas, que não sabiam de nada, desafiaram Hans com problemas matemáticos. O cavalo acertou todos. É que elas, sem saber, também coordenavam com movimentos inconscientes as respostas dele. Ou seja: cavalos talvez não saibam fazer contas, mas podem ser capazes de ler o inconsciente alheio com mais precisão do que muito humano. ROTINA X MUDANÇAUm estudo neurológico provou que o inconsciente exagera as coisas ruins - e confrontá-lo pode ser a chave para superar angústias. Ainda não existe uma fórmula que permita controlar o que dizemos de forma inconsciente. Emitimos sinais inconscientes o tempo todo - a ponto de sermos transparentes até para cavalos. É por isso que é tão difícil fingir: todo mundo percebe quando achamos que uma festa está meio chata, por exemplo. Mas não vá culpar o seu inconsciente por isso. Se não fosse ele, você sequer conseguiria dançar e conversar ao mesmo tempo. MEMÓRIA SUBLIMINARComo funciona o sistema que permite gravar senhas de computador no inconsciente: 1. Você joga um game em que bolinhas caem na tela - e o objetivo é apertar a letra do teclado correspondente à coluna na qual a bolinha está caindo. 2. A ordem das bolinhas parece aleatória, mas não é. Você não percebe, mas existe uma sequência de 30 letras que se repete várias vezes durante o jogo. Ela é a senha - e, de tanto ser repetida, fica gravada no seu inconsciente. 3. Para acessar o computador, você joga novamente o game. Como as bolinhas caem bem rápido, você erra muitas delas - exceto aquela sequência de 30, que o seu inconsciente gravou, e por isso você acerta. A máquina reconhece a senha e libera seu acesso. PERCEPÇÃO ACELERADAExército dos EUA já sabe usar o poder do inconsciente para turbinar a visão humana: 1. O militar veste uma touca de eletroencefalograma (EEG), aparelho que mede as correntes elétricas do cérebro. 2. Uma tela mostra dez imagens por segundo. É rápido demais para que a pessoa tenha qualquer reação consciente. 3. Mas quando aparece uma imagem relevante (mostrando uma base militar inimiga, por exemplo), o inconsciente percebe - e o EEG registra um pico de atividade cerebral. 4. A técnica permite que um analista militar processe até 36 mil imagens por hora - e com três vezes mais precisão do que se estivesse usando a consciência. FONTE: Superinteressante

Lagos vulcânicos podem surgir de maneiras diferentes. A primeira forma é simplesmente quando uma cratera se enche de água. A segunda maneira é, quando um vulcão entra em erupção, como grandes quantidades de magma são liberadas, a câmara de magma esvaziada desaba sob o peso da terra e, com isso, um grande recuo chamado caldeira surge. Eventualmente, a caldeira se enche de água, nos presenteando com esses belíssimos lagos.

Todos eles têm um passado explosivo, um presente bonito e majestoso, e um futuro potencialmente devastador. Conheça os 10 lagos vulcânicos mais incríveis:

10-LAGO IJEN


O lago Ijen é uma cratera localizada na Indonésia. Ele está situado em um grupo de estratovulcões, no interior do vulcão Ijen. O lago de bela cor azul-turquesa é ácido e tem um quilômetro de largura.Nele acontece um fenômeno conhecido como mineração de enxofre, já que há uma abertura que traz de enxofre para a superfície continuamente. O enxofre é levado para fora através de tubos de cerâmica, é depositado no chão e se resfria, se transformando em uma cor amarela brilhante.

9-CALDEIRA COATEPEQUE

Coatepeque é uma caldeira vulcânica em El Salvador, formada depois de uma série de enormes erupções que aconteceram entre 72 mil e 54 mil anos atrás. Este lago tem cerca de 26 quilômetros quadrados, e é um dos maiores de El Salvador. O Coatepeque tem fontes de água quente ao longo de suas fronteiras, além de uma ilha chamada Teopan, que era um local sagrado importante para os maias.

8-LAGO TOWADA


O Towada é o maior lago de cratera no Japão, e o 12º maior lago do país. Ele está localizado em uma caldeira de um vulcão ativo, que teve a última grande erupção 13 mil anos atrás.

A última erupção devastadora conhecida foi há cerca de mil anos, com cinzas e fluxos piroclásticos que acabaram com os povos que ali viviam – e trouxeram uma considerável diminuição de temperatura que resultou em um inverno muito frio e fome severa.

7-MONTE KATMAI

Monte Katmai é um estratovulcão complexo encontrado no sul do Alasca. No seu centro, há uma caldeira que forma um lago, com cerca de 4 quilômetros de diâmetro. A caldeira foi formada na erupção Novarupta de 1912. Pouco se sabe sobre o vulcão antes dessa enorme erupção, devido ao aspecto inabitável da área.

A erupção de 1912 foi uma das duas maiores do século 20 (a outra foi a de Mount Pinatubo, em 1991). A erupção durou 60 horas e fez com que a caldeira caísse criando uma cratera na montanha, que resultou no belo lago.

6-LAGO LAACH

O Laach é um lago de caldeira, com cerca de 9 quilômetros de diâmetro, localizado na Alemanha, a apenas 8 quilômetros de distância do rio Reno. A caldeira foi formada após uma erupção que ocorreu cerca de 12,9 mil anos atrás. A erupção do Laacher causou um resfriamento global, e piroclasto (rocha sólida expelida para o ar pela erupção) ainda pode ser encontrado na Europa.

5-LAGO TAUPO

O Taupo é o maior lago da Nova Zelândia, e acredita-se que ele surgiu cerca de 26,5 mil anos atrás. A erupção que deu origem ao lago é a maior conhecida em pelo menos 69 mil anos. A coluna de erupção teria sido duas vezes maior que o da erupção Monte Santa Helen, e registros históricos da China e de Roma afirmaram que o céu ficou vermelho em decorrência da erupção. Este vulcão é atualmente considerado dormente, mas provavelmente irá despertar de seu longo sono em algumas centenas de anos.

4-LAGO TOBA

O Toba é uma enorme caldeira localizada na Indonésia. Com 100 quilômetros de comprimento e 30 de largura, ele é o maior lago vulcânico do mundo.

Surgiu há aproximadamente 70 mil anos, quando um vulcão entrou em erupção na maior explosão vulcânica em pelo menos 25 milhões de anos. Essa erupção causou um inverno global, que teria matado a maioria dos seres humanos vivos no momento. Tal situação criou um gargalo populacional na região central da África Oriental e na Índia, o que afetou a diversidade genética de todos na Terra.

3-LAGO CRATER


O Crater é um belo lago de caldeira localizado nos EUA. Tem uma deslumbrante cor azul profunda e é a principal atração do parque Crater Lake National Park. O lago não tem quase nenhum sinal de poluição, e é um dos mais puros reservatórios de água nos Estados Unidos, com uma claridade recorde de 43,3 metros.

O lago foi formado há 7,7 mil anos, quando o vulcão Monte Mazama desmoronou. Muitas histórias e lendas surgiram de tribos que teriam presenciado a formação do lago. Ele tem sido muito bem preservado devido à água fria em seu interior.

2-LAGO HEAVEN


O Heaven, ou “Céu”, está situado na fronteira entre a China e a Coreia do Norte. Situado dentro de uma caldeira, abrange 9,82 quilômetros quadrados. É um lago belíssimo tipicamente coberto por gelo de outubro a junho. É também o lar do lendário Monstro do Lago Tianchi. O primeiro avistamento da criatura aconteceu em 1903, quando ele supostamente atacou três pessoas e depois voltou para a água, após ser baleado seis vezes.

Em 1962, um homem que olhava através de um telescópio relatou que viu duas criaturas se perseguindo na água, e centenas de pessoas confirmaram o fato no mesmo dia. A descrição do monstro foi alterada ao longo dos anos. Em 2007, um repórter chamado Zhuo Yongsheng disse que gravou 20 minutos de vídeo que mostra seis criaturas não identificadas nadando no lago. Ele é fascinante, mas é preciso coragem para se aventurar pelas suas redondezas.

1-LAGO NYOS

O Lago Nyos é uma cratera com 2 quilômetros de comprimento situado na parte ocidental de Camarões. O lago tem uma câmara de magma abaixo dele, que constantemente infiltra dióxido de carbono para dentro do lago, transformando a água em ácido carbônico.

Ao longo dos milhares de anos escoando dióxido de carbono, o lago ficou saturado e teve alguns efeitos devastadores, o principal em 2 de agosto de 1986. Um deslizamento de terra fez com que o lago liberasse 1,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono. A nuvem sufocou mais de 1,7 mil pessoas e 3,5 mil cabeças de gado que estavam em um raio de 25 quilômetros do local.

Essa foi a primeira asfixia em massa conhecida devido a um evento natural. Após tal evento, o lago foi nomeado como o mais perigoso pelo livro Guinness World Records. Os cientistas ainda estão trabalhando na desgaseificação do lago para torná-lo mais seguro.
Bônus

Lagos de Lava: Os lagos de lava são ocorrências raras, que podem acontecer quando um vulcão permanece em erupção por um bom tempo para fornecer quantidade suficiente de lava. Atualmente existem apenas 5 lagos de lava ativos sobre a terra: Erta Ale, na Etiópia; Monte Erebus, na Antártida; Kilauea, no Havaí; Nyiragongo, na República Democrática do Congo e Villarrica, no Chile.

Piscina de Champagne: A Champagne Pool, ou Piscina de Champagne, não é um lago, mas é uma consequência surpreendente de uma erupção vulcânica. Ela fica na Nova Zelândia e tem seu nome pela quantidade de fumaça que libera, que é um efluxo abundante de dióxido de carbono, semelhante a um copo de champanhe borbulhante. A coloração alaranjada em torno das bordas é devido a depósitos de arsênico


Fonte:Hypescience

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