Material feito de nanopartículas de tungstato de prata mostrou grande eficácia no combate a um dos microrganismos super-resistentes mais disseminados no mundo e responsável por grande parte das infecções hospitalares.
O tungstato de prata foi capaz de eliminar bactérias ‘Staphylococcus aureus’ resistentes à meticilina, uma das principais causas de infecções hospitalares. Um material minúsculo pode ser o mais novo aliado no combate à proliferação de superbactérias, responsáveis por um número cada vez maior de infecções e mortes em todo o mundo. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) comprovaram a ação bactericida de nanopartículas de tungstato de prata em testes com a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM), uma das mais disseminadas, tanto no ambiente hospitalar quanto fora dele. As bactérias super-resistentes, que surgiram, em parte, devido ao uso indiscriminado de antibióticos ao longo do tempo, tornaram-se um grave problema de saúde pública. Segundo o dentista Carlos Eduardo Vergani, da Faculdade de Odontologia da Unesp-Araraquara, o fato de esses microrganismos serem muito tolerantes aos remédios torna as infecções por eles causadas mais agressivas ao ser humano. As superbactérias podem formar colônias protegidas por uma camada extracelular composta de polímeros, o que as torna extremamente resistentes e dificulta a ação dos antibióticos Além disso, as superbactérias podem formar colônias organizadas, chamadas biofilmes, sobre diferentes superfícies úmidas (embalagens, próteses, dentes etc.). Essas colônias são envolvidas e protegidas por uma camada extracelular composta de polímeros, o que as torna extremamente resistentes e dificulta a ação dos antibióticos. Por isso, os biofilmes são, muitas vezes, responsáveis por infecções hospitalares. “Como essas bactérias são muito resistentes, é um grande desafio desenvolver novas estratégias para o seu controle”, destaca Vergani, que também é coordenador de saúde do Centro para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), órgão que reúne cientistas de diferentes instituições e onde o tungstato de prata está sendo estudado. EFICÁCIA AUMENTADAO tungstato de prata é um material desenvolvido recentemente por outro grupo de pesquisadores do CDMF. Eles usaram microscópios eletrônicos para irradiar elétrons sobre nanopartículas de tungstato (composto formado por óxido de prata e tungstênio), o que levou ao surgimento de filamentos de prata na superfície do material. O processo de elaboração do composto foi descrito em artigo publicado em abril deste ano na revista Scientific Reports. Crescimento de filamento de prata metálica (indicado pela seta azul) em um composto formado por óxido de prata e tungstênio (chamado de tungstato) a partir de uma nova rota de síntese do material. Segundo Vergani, o crescimento de filamentos de prata no tungstato potencializou a já conhecida capacidade do material de combater a proliferação de bactérias. Isso aconteceu porque os filamentos de prata são altamente reativos em meio úmido – onde podem se formar colônias de superbactérias – e produzem radicais livres, que combatem os microrganismos. “Os radicais livres reagem com as diferentes moléculas presentes no biofilme, provocando uma alteração no metabolismo de sua membrana, o que causa a morte das bactérias”, explica. O nanomaterial irradiado é bem mais eficaz que o tungstato de prata por si só no combate a SARM Testes com SARM mostraram que o nanomaterial irradiado é bem mais eficaz que o tungstato de prata por si só. “Conseguimos reduzir em quatro vezes a quantidade da substância necessária para eliminar esses microrganismos”, conta o pesquisador. Os resultados do estudo estão em processo de publicação e a equipe ainda vai testar o novo material em outras bactérias super-resistentes. Os pesquisadores pretendem usar as nanopartículas de tungstato de prata irradiado na produção de medicamentos e materiais onde é possível a formação de biofilmes de superbactérias. “Um dos objetivos da pesquisa é introduzir o tungstato de prata na composição de alguns objetos, como lentes de contato, implantes dentários e próteses ortopédicas, para torná-los mais resistentes à atividade microbiana”, completa Vergani. FONTE: http://cienciahoje.uol.com.brTratamento baseado em inalação de insulina tem mostrado efeitos positivos no combate à perda de memória em pessoas saudáveis e com doença de Alzheimer.Pode parecer estranho, mas um spray de insulina aplicado no nariz vem sendo testado para o combate do Alzheimer, doença neurodegenerativa sem cura que atinge 32 milhões de pessoas no mundo. A novidade foi apresentada pelo psicólogo e biólogo Manfred Hallschmid, da Universidade de Tübingen (Alemanha), durante palestra no 6º Fórum Mundial de Ciência, ocorrido esta semana no Rio de Janeiro. A insulina é o hormônio envolvido na retirada de glicose do sangue e na sua entrada nas células para produzir energia. A pouca produção dessa substância pelo corpo resulta no diabetes mellitus, que é tratado com injeções regulares de insulina. Estudos têm mostrado que o diabetes e a doença de Alzheimer têm uma forte relação Mas o que esse hormônio tem a ver com o Alzheimer? Estudos da equipe de Hallshmid e de pesquisadores brasileiros têm mostrado que o diabetes e essa doença neurodegenerativa têm uma forte relação. Há alguns anos, cientistas descobriram que o diabetes pode ser um fator de risco para o Alzheimer. Pesquisas desenvolvidas nos últimos cinco anos pela bioquímica Fernanda de Felice e colegas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) demonstraram que o contrário também ocorre. O Alzheimer pode causar um tipo de ‘diabetes cerebral’. Os pesquisadores brasileiros viram que, em pacientes com Alzheimer, os receptores de insulina cerebrais não funcionavam corretamente porque estavam ‘cobertos’ por placas de proteína beta-amiloide. Essas placas são a principal característica do Alzheimer e estão diretamente ligadas à perda de memória vista nos pacientes.
Em pacientes com Alzheimer, os neurônios ficam cobertos com placas da proteína beta-amiloide, que impede o funcionamento correto dos receptores de insulina no cérebro. (foto: Linnea Rundgren/ BBC). A equipe da UFRJ chegou a fazer testes em animais com Alzheimer fornecendo a eles medicamentos que potencializam a ação da insulina. Como resultado, os cientistas observaram que, com o aumento da insulina, os animais tiveram as placas de beta-amiloide reduzidas e passaram a absorver o hormônio no cérebro. A mudança resultou em melhor desempenho em tarefas de memória por parte dos animais. Agora, a equipe de Hallschmid, em colaboração com a médica Susan Craft, da Universidade de Washington, está coordenando ensaios clínicos em humanos com o uso da insulina injetada pelo nariz para combater a perda de memória tanto em pacientes com Alzheimer quanto em pessoas saudáveis. “Observamos que injetar a insulina pelo nariz é a melhor forma de fazer com que o hormônio chegue diretamente ao cérebro sem precisar passar pela corrente sanguínea e se espalhar por todo o corpo, o que poderia alterar o nível de glicose sanguínea e ser prejudicial ao paciente”, diz o pesquisador. TERAPIA PROMISSORAHallschmid testou a nova abordagem em 19 pessoas saudáveis. Durante oito semanas, elas receberam diariamente o spray nasal de insulina e listas de palavras para memorizar. Ao final do experimento, elas tiveram que repetir a lista e demonstraram melhor memória do que o grupo controle, que tentou decorar a lista sem receber a insulina. Os pacientes que receberam doses moderadas de insulina demonstraram melhorias cognitivas em comparação com os que não receberam a substância Nos Estados Unidos, Susan Craft testou diferentes doses do spray de insulina em 104 pacientes com Alzheimer. Os que receberam doses moderadas do hormônio demonstraram melhorias cognitivas em comparação com os que não receberam a substância. Para Hallshmid, a insulina intranasal é uma abordagem terapêutica promissora para o Alzheimer. Mas o pesquisador lembra que ainda são necessários mais testes clínicos antes que o uso da substância seja recomendado. “A insulina é uma droga disponível nas farmácias e facilmente acessível”, comenta. “Qualquer um poderia comprá-la e espirrá-la no nariz de um parente idoso, mas eu não recomendo que as pessoas façam isso, pois embora nossos resultados sejam muito bons, pode haver efeitos colaterais que ainda não percebemos em nossos testes.” FONTE: http://cienciahoje.uol.com.br/



