Juliana Bianchi
Com o trabalho aplicado em produtos dos mais diferentes segmentos, o artista brasileiro radicado em Miami democratiza sua arte ao extremo e causa polêmica
Reconhecido por seu trabalho com padrões geométricos e tons vibrantes, o pernambucano Romero Britto começou ganhando espaço nos museus e ruas de Miami, conquistou fãs de renome ao retratar Madonna, Obama e a rainha da Inglaterra, e finalmente invadiu a casa de meros mortais com gravuras coloridas e alegres. Mas as paredes não bastavam para mostrar sua arte. A ideia era democratizar. E unir-se a grandes marcas foi a forma encontrada para atingir o maior número de pessoas. Não apenas aquelas que pudessem pagar milhares de dólares.
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Linha de potes Tupperware com estampas de Romero Britto
Foto: Reprodução
Edição limitada do purificador de ar Bom Ar Air Wick em parceria com Romero Britto
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Almofadas da linha de produtos de Romero Britto
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Louças assinadas por Romero Britto para a in House
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A aplicação do trabalho de Romero Britto se diversifica até mesmo dentro do mesmo segmento
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A alegre mistura de cores e formas do trabalho de Romero Britto se replica nos produtos
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A gama de acessórios e utensílios para a casa é grande no e.commerce do artista Romero Britto
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As formas transcendem a pintura nesse jogo de canecas
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Os tecidos com as padronagens do artista podem ser vistos em poltronas, almofadas e sofás
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Esculturas e tampas de garrafa também já foram trabalhadas pelo artista
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Na linha pet by Romero Britto, caminha, coleira e comedouro
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Cooler com estampa de Romero Britto para a Copa
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O evento esportivo também rendeu a Britto uma parceria com a boneca Barbie. A versão do Mickey veio antes
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A rede Rei do Mate também já se rendeu a uma parceria com o artista
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Romero Britto já assinou o rótulo da água Evian e embalagens para água de coco
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A parceria com a vodca Absolut foi o que deu maior notoriedade ao artista
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Latas Romero Britto para a Pepsi
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Chinelos assinados pelo artista
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Já foi possível até mesmo limpar o nariz inspirado por Britto
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Malas de viagem Heys em diversas versões do trabalho do artista
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Guarda-chuva por Romero Britto
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Piano customizado pelo artista
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Quebra-cabeça com os traços de Britto
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BMW Mini Cooper versão Romero Britto
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Bentley personalizado por Romero Britto
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Pendrive customizado por Romero Britto para a Copa. Há também várias versões de capinhas para celular
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Ou mesmo um laptop totalmente customizado pelo artista
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O carrinho de bebê com a estampa de Britto já foi visto sendo usado até mesmo por Gisele Bündchen
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Até mesmo um cruzeiro temático o artista mereceu. Vista aérea do Mariner of the Seas
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A presidente Dilma foi mais uma homenageada do artista pernambucano
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A aproximação com as empresas teve início em 1989, quando foi convidado para criar um rótulo para a Absolut Vodka. De lá para cá já customizou carros de luxo, guarda-chuvas, bolsas, almofadas, poltronas, baralhos, embalagens dos mais diversos produtos, potes plásticos, louças, computadores, malas de viagem e, mais recentemente, purificarores de ar. Veja na galeria acima alguns exemplos.
“Ele é o maior artista brasileiro com presença global e foi a escolha perfeita para levar um pouco da alegria do mundo da decoração aos purificadores”, afirma Mônica Nascimento, gerente da categoria purificadores da RB, dona da marca Bom Ar Air Wick. Mas a superexposição dos traços de Britto – se estima que ele já tenha licenciado mais de 200 produtos, fora as parcerias especiais e os usos não autorizados – já começa a dar sinais de alerta. Nas redes sociais, páginas satirizando as infinitas possibilidades de replicar o padrão colorido nos mais diversos objetos se multiplicam e entre os especialistas cresce o coro dos que desclassificam seu trabalho como arte.
“Ele tem uma excelente qualidade técnica de aplicação de cores e imagens que deram certo, mas não o considero um artista no sentido estrito, já que o que faz não dialoga com seu tempo e não questiona nada”, afirma Debora Gigli Buinano, professora de artes plásticas do Centro Universitário Belas Artes, de São Paulo. Crítica que parece não incomodar o profissional – que costuma lembrar o desprezo recebido por Andy Warhol no início de carreira quando o assunto vem à tona – ou influenciar o mercado de consumo.
“Ele é um produto com uma identidade visual clara e desejada, que agrega valor, despojamento e alegria aos objetos”, analisa o professor de gestão de marcas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Marcos Bebendo. “Enquanto essa associação continuar gerando lucro para as marcas, certamente as parcerias continuarão”, completa. Mônica também não se preocupa. Para ela, a grande pulverização do trabalho "só aumenta o desejo das pessoas de terem um produto com a cara dele", o que torna a combinação de marcas um grande acerto.
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Fonte: Até onde vai a invasão Romero Britto?»

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