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Bruna Bessi


Com projetos que valorizam a paisagem, Paulo e Bernardo Jacobsen desenham uma nova estética da arquitetura brasileira

Fazer casa com cara de casa. É assim que os arquitetos Paulo e Bernardo Jacobsen gostam de trabalhar. Pai e filho investem em materiais naturais, como madeira, palha, pedra e cerâmica, e conquistam clientes com uma arquitetura simples e bela. Escritório preferido de celebridades como Vik Muniz, Claudia Abreu, Cauã Reymond e Luciano Huck, a dupla já assinou inclusive o projeto da casa, localizada em Paraty, que serviu de cenário para o filme “Crepúsculo”.


Saiba mais: “Brasileiro é muito caipira para aceitar as inovações que propomos”, diz Bratke


Bernardo e Paulo Jacobsen: uma dupla que valoriza a integração da arquitetura com o meio ambiente


Bernardo e Paulo Jacobsen: uma dupla que valoriza a integração da arquitetura com o meio ambiente


Foto: Edu Cesar


Cauã Reymond é um dos famosos que dá preferencia à arquitetura dos Jacobsen. Foto da Wish Casa


Cauã Reymond é um dos famosos que dá preferencia à arquitetura dos Jacobsen. Foto da Wish Casa


Foto: Reprodução


O que chama atenção na casa de 1.092 m², projetada pelos Jacobsen e localizada na Barra da Tijuca, são as tábuas de madeiras carbonizadas nas fachadas


O que chama atenção na casa de 1.092 m², projetada pelos Jacobsen e localizada na Barra da Tijuca, são as tábuas de madeiras carbonizadas nas fachadas


Foto: Reprodução


A casa BV de 1.880,50 m², em Porto Feliz, se destaca pelas grandes aberturas na arquitetura e pelo paredão de pedra (ao fundo). Destaque ainda para o telhado de madeira


A casa BV de 1.880,50 m², em Porto Feliz, se destaca pelas grandes aberturas na arquitetura e pelo paredão de pedra (ao fundo). Destaque ainda para o telhado de madeira


Foto: Reprodução


A ideia do escritório era, por meio dos panos de vidro, dar a impressão de que as lajes da cobertura dos volumes estariam soltas das paredes de pedra


A ideia do escritório era, por meio dos panos de vidro, dar a impressão de que as lajes da cobertura dos volumes estariam soltas das paredes de pedra


Foto: Divulgação / Leonardo Finotti


A casa tem 1.185 m² e é repleta de panos de vidros. As cortinas das janelas conseguem garantir privacidade aos moradores


A casa tem 1.185 m² e é repleta de panos de vidros. As cortinas das janelas conseguem garantir privacidade aos moradores


Foto: Divulgação / Leonardo Finotti


A casa de Paraty, onde cenas do filme Crepúsculo foram filmadas, foi projetada pelo escritório de Paulo ainda em parceria com Thiago Bernardes


A casa de Paraty, onde cenas do filme Crepúsculo foram filmadas, foi projetada pelo escritório de Paulo ainda em parceria com Thiago Bernardes


Foto: Divulgação


A proposta dos Jacobsen para o concurso do Centro Cultural Taichung, em Taiwan, era transformar os blocos dos prédios em verdadeiras lanternas flutuantes


A proposta dos Jacobsen para o concurso do Centro Cultural Taichung, em Taiwan, era transformar os blocos dos prédios em verdadeiras lanternas flutuantes


Foto: Divulgação


No piso intermediário da casa AMB, há o deck externo e a piscina em forma de raia com borda infinita. O projeto foi concluído em 2011


No piso intermediário da casa AMB, há o deck externo e a piscina em forma de raia com borda infinita. O projeto foi concluído em 2011


Foto: Divulgação / Leonardo Finotti


A proposta dos arquitetos para o imóvel AMB, no Guarujá, era fazer uma ‘casa-varanda’, com portas de correr de vidro que permitissem o contato visual com o espaço externo


A proposta dos arquitetos para o imóvel AMB, no Guarujá, era fazer uma ‘casa-varanda’, com portas de correr de vidro que permitissem o contato visual com o espaço externo


Foto: Divulgação / Leonardo Finotti


A fazenda Boa Vista, em Porto Feliz, tem 1.250 m² e portas de correr de vidro. A jardineira de aço corten envolve quase todo o pavimento superior


A fazenda Boa Vista, em Porto Feliz, tem 1.250 m² e portas de correr de vidro. A jardineira de aço corten envolve quase todo o pavimento superior


Foto: Divulgação / Leonardo Finotti


Os arquitetos buscaram o rigor geométrico na forma da casa e o aconchego da madeira para fazer o piso, o teto e as paredes internas


Os arquitetos buscaram o rigor geométrico na forma da casa e o aconchego da madeira para fazer o piso, o teto e as paredes internas


Foto: Divulgação / Leonardo Finotti


A criação do Museu de Arte do Rio (MAR) contou com a reforma do Palacete Dom João e do antigo prédio da polícia. A cobertura que liga os prédios simula o formato de uma onda


A criação do Museu de Arte do Rio (MAR) contou com a reforma do Palacete Dom João e do antigo prédio da polícia. A cobertura que liga os prédios simula o formato de uma onda


Foto: Divulgação


A cobertura do antigo prédio da polícia ganhou uma praça suspensa que trouxe o convívio para o espaço público


A cobertura do antigo prédio da polícia ganhou uma praça suspensa que trouxe o convívio para o espaço público


Foto: Divulgação


A casa de 918 m², também em Porto Feliz, São Paulo, tem pilares estreitos e numerosos para garantir a sustentação. Os painéis em ripas camuflam as portas do imóvel


A casa de 918 m², também em Porto Feliz, São Paulo, tem pilares estreitos e numerosos para garantir a sustentação. Os painéis em ripas camuflam as portas do imóvel


Foto: Divulgação / Leonardo Finotti


Na residência do ex-primeiro ministro do Qtar, os arquitetos inovaram ao fazer um projeto onde o telhado da cobertura verde toca o solo


Na residência do ex-primeiro ministro do Qtar, os arquitetos inovaram ao fazer um projeto onde o telhado da cobertura verde toca o solo


Foto: Divulgação


O novo hotel boutique de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, está sendo construído em uma área de 12600 m². O projeto conta com áreas sociais, 13 suítes e um spa


O novo hotel boutique de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, está sendo construído em uma área de 12600 m². O projeto conta com áreas sociais, 13 suítes e um spa


Foto: Divulgação


O destaque da residência Suva, localizada em Fiji, é a piscina do andar superior e a integração dos ambientes. Projeto ainda em construção


O destaque da residência Suva, localizada em Fiji, é a piscina do andar superior e a integração dos ambientes. Projeto ainda em construção


Foto: Divulgação


A casa do carioca Paulo Jacobsen, em São Conrado, foi construída por ele há mais de 28 anos. O teto feito de bambus dá um ar tropical ao imóvel


A casa do carioca Paulo Jacobsen, em São Conrado, foi construída por ele há mais de 28 anos. O teto feito de bambus dá um ar tropical ao imóvel


Foto: Divulgação


O frescor dos espaços integrados marcam presença na casa do arquiteto. Destaque para o uso recorrente de madeira


O frescor dos espaços integrados marcam presença na casa do arquiteto. Destaque para o uso recorrente de madeira


Foto: Divulgação


O projeto de revitalização do hotel Frade, em Angra dos Reis, incluiu a criação de diversas vilas. A da foto tem residências de 250 m²


O projeto de revitalização do hotel Frade, em Angra dos Reis, incluiu a criação de diversas vilas. A da foto tem residências de 250 m²


Foto: Divulgação


O escritório apostou na geometria reta para fazer a casa AK, localizada no Jardim Europa. As brises retráteis permitem aos moradores expandirem o contato com o meio ambiente


O escritório apostou na geometria reta para fazer a casa AK, localizada no Jardim Europa. As brises retráteis permitem aos moradores expandirem o contato com o meio ambiente


Foto: Divulgação


É total a integração entre pai e filho. Bernardo trouxe o rigor técnico à arquitetura de Paulo e valorizou a realização de maquetes


É total a integração entre pai e filho. Bernardo trouxe o rigor técnico à arquitetura de Paulo e valorizou a realização de maquetes


Foto: Edu Cesar


A sala de reunião é usada para os arquitetos finalizarem os projetos e resolverem as pendências


A sala de reunião é usada para os arquitetos finalizarem os projetos e resolverem as pendências


Foto: Edu Cesar


Os Jacobsen têm escritórios no Rio e em SP. O da foto é paulistano e têm o conjunto maior de profissionais em operação


Os Jacobsen têm escritórios no Rio e em SP. O da foto é paulistano e têm o conjunto maior de profissionais em operação


Foto: Edu Cesar


O escritório dos Jacobsen conta ainda com um espaço voltado à decoração de interiores


O escritório dos Jacobsen conta ainda com um espaço voltado à decoração de interiores


Foto: Edu Cesar


Digna de prêmios na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo e no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), a tropicalidade característica dos projetos do escritório já ultrapassa o território nacional. “Estamos com trabalhos na Austrália, Fiji e no Qatar”, conta Paulo, de 60 anos. “Os estrangeiros nos procuram pelo estilo que usamos principalmente nas casas. Não nos importamos muito com fachadas, mas sim com a melhor cobertura”, completa. “As paredes não devem ser destaque, por isso, tentamos deixá-las quase invisíveis nos projetos”, explica Bernardo, de 34.


Grande parte dos projetos assinados pelos Jacobsen é produzida em áreas de extrema beleza natural, o que permite à dupla aproveitar ao máximo a paisagem. Panos de vidro, painéis móveis, brises de madeira e varandas são algumas das alternativas recorrentes em suas criações. Mas eles não se sentem presos a nenhuma escola arquitetônica. Paulo lembra que durante sua formação no Rio de Janeiro não existiam escolas de arquitetura com tanta influência como em São Paulo. “Via o modernismo sob uma ótica diferente. Profissionais como Niemeyer traduziam essa estética de forma muito livre e aberta”, diz.


A herança da época e a admiração pela arquitetura japonesa resultaram em imóveis repletos de vãos livres. “A leveza das construções do Japão sempre me deixou impressionado. Usei a proposta por muito tempo, entretanto, não tinha qualquer rigor técnico; algo diferente após a entrada de meu filho no escritório”, afirma. “Trabalhei algum tempo com o arquiteto japonês Shigeru Ban e gostava muito da arquitetura que fazia. Em 2012, busquei trazer este conhecimento ao Brasil”, diz Bernardo. “Uma das ideias que estamos trabalhando agora para conseguir mais fluidez nas construções é o uso de pilares menores e mais estreitos, ao invés das tradicionais vigas.”


O único impasse que os imensos panos de vidro desenhados frequentemente poderiam gerar é a superexposição dos ambientes. Mas Paulo não vê isso como problema. “Valorizamos a amplitude do local e a integração com o meio externo”, diz. Para conseguir a intimidade em alguns espaços, eles recorrem a elementos que não atrapalhem a fluidez, como divisórias vazadas e painéis de vidro fosco.


Mas a excelência alcançada pelos Jacobsen é fruto de anos de trabalho intenso. Paulo graduou-se no Rio em 1975, na Universidade Bennett, e estagiou com o primo e arquiteto Indio da Costa durante dois anos. “Ele sempre mostrou interesse, sensibilidade e comprometimento, além de muita amizade. Acredito que estas qualidades fizeram dele o profissional altamente qualificado que se tornou hoje”, conta o arquiteto. Paulo ainda estudou cinema e fotografia em Londres por um ano e voltou ao Brasil para estagiar no escritório do arquiteto Sérgio Bernardes. Casou-se, aos 20 anos, com a psicanalista Monica Jacobsen e resolveu unir-se a Cláudio Bernardes, filho de Sérgio. A dupla carioca produziu mais de 400 projetos, sempre valorizando a simplicidade nas construções. A parceria foi desfeita em 2001, quando Cláudio morreu em um acidente de carro em Mato Grosso do Sul.


A partir deste momento a carreira de Paulo tomou outros caminhos e uma nova sociedade foi feita com o filho de Bernardes, Thiago, e o arquiteto Miguel Pinto Guimarães (que deixou e empresa em 2003). Algum tempo depois, Bernardo retornou ao Brasil e assumiu a coordenação da equipe de projetos do escritório. “Ele trouxe novos conhecimentos e a técnica necessária para aprofundar questões importantes. A arquitetura de Paulo e Thiago ganhou mais apuro técnico, além das necessidades funcionais”, afirma Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie. E o trio logo se viu envolvido na criação do Museu de Arte do Rio (MAR) – primeiro projeto público assinado por Paulo a sair do papel. “Queríamos desenvolver algo diferente das obras de Niemeyer, porém, com um traço tão fluido quanto o dele. Resolvemos inovar na cobertura e usamos cálculo digital no momento de conferir plasticidade ao concreto”, revela Bernardo.


O jovem arquiteto carioca iniciou a carreira no antigo escritório do pai e Cláudio, saindo para ser assistente de iluminação cenográfica de Maneco Quinderé – um dos iluminadores mais reconhecidos do Brasil. “Meu pai nunca exerceu qualquer pressão para seguir a mesma carreira que ele. Foi Quinderé quem me incentivou após ver meu trabalho e meus desenhos”, conta. Mas Bernardo era, na verdade, fascinado por música. Trancou por diversas vezes a faculdade de arquitetura para estudar melhor o assunto que tanto gostava. Mudou de ideia apenas quando constatou a forte instabilidade financeira da profissão.


A sociedade entre Paulo e Thiago acabou em 2012 e o escritório assumiu o nome apenas dos Jacobsen. No dia a dia a cumplicidade entre pai e filho chama atenção. As ideias são discutidas, na maioria das vezes, por telefone e finalizadas pessoalmente. Eles se dividem entre dois escritórios – o do Rio e o de SP (maior e com 25 arquitetos) – três vezes na semana e chegam cedo para trabalhar. A dupla está hoje envolvida em projetos como os de hotéis boutique e retrofits do Rio, condomínios na Austrália e as residências de São Paulo. Mas nem tudo é só trabalho. Paulo aos 60 anos cria ovelhas francesas em sua fazenda de Petrópolis e Bernardo continua tocando em sua banda de rock, além de pegar onda e aproveitar a família no tempo livre.




Fonte: Conheça os arquitetos preferidos de Cauã Reymond e Luciano Huck»

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