Amores clandestinos só existem porque são, de alguma forma, inevitáveis. E por esta razão sobrevivem. Podendo evitar, aposto eu, quem iria escolher os riscos e limitações que estes oferecem?
Sei lá, sempre tem alguém que adora o que não é seu ou que é impossível. Tem gosto pra tudo, tem gente pra tudo e tem amores que fazem bem e também amores que são absolutamente doentios.
Amores fatais. Estes costumam ter como habitat o segredo, o fortuito, o improvável. Tenho a impressão de que tudo o que tira a segurança oferece emoção, contradizendo Cazuza, que desejava a sorte de um amor tranquilo. Maior a velocidade, mais vertigem, mais emoção e maior a chance de um acidente fatal. Assim também é no campo do afeto. Segurança de mais, emoção de menos e vice-versa. Para o amor este terreno, o da insegurança, não é tão fértil quando para o desejo. Este parece ser, por si só, coberto por vários véus que só a ousadia e o impulso podem fazer cair. O amor, não. O amor precisa de tempo e calma.
Histórias de amor sempre valem a pena, se são mesmos histórias de amor. Mesmo aquelas que não poderão ser contadas jamais.
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