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 a luz era esta: a de uma calculadora. Aprendi a fazer conta.
Porque, reparem: na semana passada, no post passado, eu escrevi que responderia seis perguntas rapidinhas, e vejam só: passei o olho no texto e vi que eram sete – seis mais uma – respostas.
Ah, meninas. Errei. Errei o mais básico. E confesso.
Botaria a culpa no panetone de conhaque, o conhatone, que recebi, abri e comi, numa inauguração toda colorida e solitária dos festejos de fim de ano, um fim de semana dezembrino, uma farra, o meu tríduo natalício e prematuro, numa véspera do que virá nas próximas semanas. Ah, meninas: o último fim de semana foi de lascar.
E assim, errei o cálculo elementar. Se vocês me dessem dois chocotones mais cinco colombas pascais, eu diria que teria seis delícias, e não sete gostosuras. Porque é isso, meninas, eu enrolo, enrolo, mas a grande verdade do dia, maior do que todas as que virão abaixo, é uma só: eu não sabia fazer a conta mais nuclear: disse que sete eram seis.
Donde hoje, ao retomar o post passado – em que desovava um batalhão de dúvidas que vocês enviaram, uma espécie de saldão, uma queima de estoque, pra iniciar 2014 com tudo novo pelo dobro do preço (terei um aumento? Serei demitido? Tudo mudará pra que tudo fiquei igual? E o Quico?)… Enfim, eu dizia: donde ao retomar o post passado, prometo que hoje responderei outras sete perguntas, que se forem seis, vocês já sabem o que aconteceu…
Sou independente, gosto sempre de dividir a conta, fazer o pedido para o garçom, buscar o cara em casa. Isso assusta os homens?
Olha, pode até ser que assuste. Mas se assustar mesmo, e o cara demonstrar, eu diria que a assustada deveria ser você. Chama o garçom com um assovio, paga a conta (pode ser até a conta toda), deixa o sujeito em casa, gritinho no Ipiranga e nunca, nunca, mas nunca mais a senhora me volte a ver o bocó.
Falei que queria transar a três, mas com outro homem além dele. Ele ficou bravo comigo. E agora?
E agora nada. Ele tá errado. E agora deixa passar. E agora, durma com a insatisfação com a qual ele provavelmente dorme porque ele, na cabeça dele, gostaria de tirar o segundo sujeito da sua fantasia e colocar no lugar do cara uma amiga sua, montando um ménage mais alegre (pra ele). E agora, durma também mais tranquila porque você tem um trunfo pra não fazer aquele sexo a três com outra mulher que ele, secretamente ou não, tanto quer. E agora, converse com ele: explique que é desejo, como os que todo mundo guarda debaixo das calças. São coisas que acontecem. Se todo mundo abrisse a boca pra dizer as vontades que esconde na Holanda, não haveria casal depois de Adão e Eva. E agora, tente enfiar na cabeça dele que, entre o desejo e a consumação, há uma travessia de quatro metros de distância dividida por um muro de quatro quilômetros de altura. Qualquer fantasia realizada depende de oportunidade, vontade e sorte. E agora, tente enfiar na cabeça masculina que era só uma fantasiazinha. E agora, sei lá, deixa mesmo passar, como disse lá no começo. E fica tranquila: nada de errado nisso. Uma hora ele aceita melhor a ideia, mesmo que seja pra nunca fazer, mas respeitar o óbvio: se ele pode querer com duas, você pode querer com dois… Sexo é um negócio complicado mesmo.
Estávamos fazendo sexo e ele pediu para eu apertar a bunda dele: isso quer dizer que eu deva explorar a região?
Quer. Mas vai com calma no andor aí. Faça como o Levi Strauss e vá de pezinho em pezinho rumo às profundezas (ou ao limite que o seu namorado estabelecer). Às vezes, é só isso mesmo: uma pegada na poupança, sem grandes arroubos. Outras vezes, ele está preparando o caminho (mesmo que seja pra ele mesmo. Digo: mesmo que seja ele se convencendo aos poucos do que gosta e não gosta na retaguarda). O fato é que sexo bom, aquele sexo que é uma conversa única entre aquelas duas pessoas (ou três, se for a moça da pergunta aí de cima), esse sexo é uma alegria de libertações: com jeito, aos poucos, escutando nas arfadas dele, você descobre até onde pode ir. Com calma, sem avançar jamais os sinais dele. Mas explora sim.
Tenho medo de ir às festas em que a ex dele está, mas nunca admiti. Se eu falar, vou passar por insegura?
Vai e não vai. Sinceramente, diga a ele sim. Se o rapaz não entender, é um idiota. E como a gente sabe que o mundo é povoado por idiotas, não se surpreenda se ele não perceber e aceitar. A questão da ex é um negócio delicado. Mas saiba e fique calma: com ele é igualzinho. Ou até pior. Diante do seu ex (ou de qualquer cara com quem você dormiu), ele provavelmente terá comichões nos nós dos dedos – aquela vontade de esmagar aquela cabecinha barbuda que já esfregou muito lençol contigo. Se tudo for normal, se você e ele forem gente crescida, essa vontadezinha, essa insegurança logo passam porque, afinal, mais do que o ar que a gente respira, o que realmente une a humanidade são os ex que a gente carrega pra sempre. Converse com ele. E não deixem de fazer coisas porque a possibilidade da ex existe na lista de convidados. Evitar seu encontro com o passado dele, se der, por uns tempos, tempos iniciais, tudo bem. Mas depois, entender, superar e não ligar. Brigar contra o passado é brigar de socos com uma onda do mar.
Transamos sempre, mas ele continua se masturbando. Isso é normal? Devo me preocupar?
Ah, meninas, se ele pudesse ele descascava a bananinha até durante a trepada! Não encanem: eu já disse: fosse feita a medição do Ibope das punhetinhas masculinas, não ia dar nem pra final de Copa. A quase totalidade masculina é de um onanismo brutal, avassalador. Sério, e não é nenhum segredo. Homens confessam a prática aos outros na maior das alegrias. E mais: qualquer coisa é motivo pra um zíper sendo aberto por cinco dedos. A punhetinha nossa de cada dia, de hora em hora (ou quase isso), é normalíssima. Relaxem.
Broxar ainda é tabu para os homens?
Sim. Imenso, só menor do que a questão interna e nunca assumida diante do tamanho do pau (porque ele sabe que sempre haverá um maior). Sim, sim. E, como já disse, quase sempre a culpa da madeira mole é mais do universo do que sua ou dele: ele cansou, ele tá nervoso, a cabeça tá cheia, ele comeu muito, ele tomou um remédio… É sempre por aí. Entendam: dificilmente um homem falha só porque não te achou a pessoa mais deliciosa do planeta. Homens – e isso é um defeito e uma qualidade a um só tempo – são capazes de qualquer coisa quando estão com vontades e foguetes no equador. O negócio, o problema, o segredo do pênis que não avança, dorme no Alasca masculino: na cuca dele. Se ele te achou chata, desinteressante, é causa menor. Como falei antes, as maiores são qualquer coisa num espectro que vai do cansaço ao nervoso. O ponto é: se ele falhar, ele se sentirá o menor dos homens. Ele vai fingir que não, mas voltará pra casa amuado e por semanas pensará no tema. Ele vai querer uma nova chance, provavelmente. Se não tiver, guardará a má lembrança pelas décadas que virão. E, o pior: numa lógica toda darwinista e marota, caso ele ganhe nova chance, vai ficar ainda mais nervoso do que a primeira vez. Porque o rapaz sabe: não pode falhar uma segunda vez. Enfim, longo papo ficando curto: não se preocupem com o que ele achou de você. Quando ele falhar, saiba que a maior preocupação ali na cama é a dele diante do que você vai pensar. Conversem, dê tempo a ele, dê chance. E que coisa, né. 2014 aí, e seguimos igual ao moço da Pangeia. Como a gente é besta, meu pai.
Vale a pena trair seu namorado-marido, por uma aventura, mesmo que maravilhosa?
Não sei. Vale? Às vezes deve valer, vai saber. Desembarcamos aqui no território do que queríamos do mundo e do como o mundo é. Na vida ideal, a sombra da traição seria suficiente pra gente sucumbir ao calor do desejo por alguém a mais. Na vida real, no calor do momento, no adiantado da hora, com o teor alcoólico avançado, fazemos o que a vida ideal não recomenda. Não sou a favor de nenhum dos lados. Real e ideal dependem. Por isso, repito: não condeno, às vezes, mas outras vezes, condeno sim. O que quero dizer é que fingir que não acontece é bobagem. Porque sim, infelizmente (ou não), uma aventura pode salvar… Humm, não, não. Peraí, escrevo a frase e paro a frase. Uma nova verdade acaba de me chegar: por trás da aventura, há uma vontade de novidade. Uma saudade do passado, um desejo de futuro, e uma preguiça do presente. E daí eu penso que as aventuras não valem a pena. Elas só acontecem. E se acontecem, faça a reflexão verdadeira: por que lareiras você está fazendo isso? Você já não está no automático com o relacionamento principal? Uma aventura é só mesmo uma aventura? Haverá repeteco? Não será melhor ser justo e partir pra outra, pra outro, pra outros? Ou a aventura foi um jeito de arrumar as coisas com o oficial? Você que sabe… Eu, não.


  • J. ANTÔNIO

    Meu nome é J. Antonio e sou um amador. Jogador de futebol amador, jornalista amador e poeta amador. Frequento duas academias: a de Letras e a do bairro. Na última, convivo e suo ao lado de halteres e halterofilistas amadores. E ao lado de meninas, que brincam de fuzilar gordurinhas, todas lindinhas, molhadas e com calça fusô (minha leitora: é 'fusô' ou 'fuseau' o nome da calça? Eu tenho essa dúvida). Mas dizia que sou poeta e malhador. Aos fins de semana, gosto de correr e comer. Sou bruto e macho, mas sensível. Choro escondido – e ó, se um amigo me perguntar, eu nego. Eu nego! Mas sim. Quando a coisa aperta, quando a vergonha afrouxa, ou quando uma de vocês, mulheres, me machuca, eu choro. É assim desde que nasci. Há 30 anos.REVISTA MARIE CLAIRE

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Como Conquistar um Homem