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Meninas, eu tive um sonho e…
Não, não. Péraí que é diferente.
Meninas, eu tive uma ideia.
Sim, sim! Uma ideia… Melhor assim.
E a ideia, meninas, é um roteiro. Fosse eu um desses homens que vivem de preencher a tela branca do computador com as palavras que depois um outro homem, o diretor, usará todas erradas para preencher outra tela, maior mas igualmente branca, com um filme; se eu fosse esse cara, um roteirista de cinema, eu escreveria uma linda história de horror.
Meu personagem seria um sujeito de moicano e óculos 3D. Ele frequentaria todos os dias, todas as mostras, todos os festivais de filmes, todas as sessões, sobretudo às sextas à noite, e sábados e domingos e quartas. Ele seria um compulsivo visitante das salas de cinema mais lotadas.
Ali, o meu herói ficaria, sutilmente como um gato, trocando de fileiras. E, sentado, buscaria, com o ouvido também de gato, as pessoas que falam durante as sessões.
Quando encontrasse o idiota que comenta cada cena com a pessoa ao lado (ou mesmo sozinho, com ele mesmo), o meu herói passaria esse sujeito a faca, a bala ou a soco. Promoveria carnificinas loucas, totais, silenciosas (pra não atrapalhar os outros) e lindas. As vítimas seriam sempre essa gente que não consegue por diabo nenhum calar o diabo da boca quando o diabo da luz apaga e o diabo do trailer finda e o diabo do filme que o diabo do cinema me cobrou uns diabos de vinte reais para ver começa.
Ah, meninas. O herói do meu filme seria um serial killer. Mas um serial killer do bem.
Seria um Taxi Driver mais sentado, com mais diálogo e mais justiça.
“João, mas por que você escreve isso?”, você me pergunta. “Não estou entendendo!”, você insiste. E, por fim, encerra: “Que post é este, João?”
Ah, meninas. Eu explico. Eu explico.

O BURACO NEGRO WEEK
Acabou de passar uma semana de moda. E aqui, na site, nas semanas de moda, eu sei como vai ser. Sei que falarei com a parede, com as nucas, com as costas de vocês. Porque, meninas, em semana de moda todos os olhos e todas as atenções estão ali, nas canelinhas finas, nas canelinhas lindas que passeiam pela passarela suspendendo esses panos coloridos que causam tantos aplausos e alvoroços.
E eu aqui, assim, solitário, quedo longe de tudo. Porque nas gravidades deste site, meninas, surge como um buraco negro que desvia toda luz e todos os cliques pra lá, pra esses assuntos tão fashion.
E eu me sinto só.
Ciente de que ficarei escondido debaixo de uma tonelada de cintos, botinhas, estações, vestidos, osklens, pakalolos e modelos, serei curto e fugirei da minha programação normal.
Semana que vem eu volto longo e com tudo.

UMA CARTINHA A FAVOR DO CINEMA E CONTRA OS IMBECIS
Meninas, eu falo sobre o meu filme e tenho uma razão de dizer isso.
Uma cartinha!
Vejam só:
“João, uma dúvida que me deixa torta. Saí com esse cara dia desses. A gente já saiu outras vezes. Já ficamos. Tá tudo indo bem. Mas nessa última vez, ele me convidou ao cinema. E pomba, João: ele fala! Sabe esses caras que falam na sessão? Que riem e te pegam no braço pra comentar uma cena? Não era toda hora, mas ouvi uns ‘xius’ vindo das fileiras da frente e fiquei com vergonha. João, ele não sabe sussurrar também. Ele acha que sabe, mas quando fala baixinho, no cinema, é alto! Eu fiquei com vergonha. Tentei sutilmente fazer ele parar de falar. Mas não deu muito certo. Sei lá. Deve ser aquela leio do equilíbrio: todo mundo tem algum loucura que não enxerga e não aceita como loucura. A dele deve ser essa. Mas, sinceramente, me incomodou muito. E fiquei meio sem saber o que fazer. Não senti brecha de puxar o assunto e pedir pra ele não falar no cinema. Mas ao mesmo tempo, me incomodei muito e perdi um pouco a vontade de ir com ele de novo. O que você faria, João? Você falaria? Você respeitaria o jeito dele? Você pularia fora?”

FLIPPER
Ah, eu faria do meu filme lá de cima a mais sacra realidade! Eu mandaria ele pro inferno, eu faria “xiiiiu”. Eu tacaria pipoca no seu amante. Eu sonharia com que ele se engasgasse com aquele canudo da coca-cola e que esse canudo conseguisse tapar a goela dele, impossibilitando qualquer fala e respiração. Eu lançaria o sujeito ao saco dos humanos sem jeito.
Porque, meninas, pessoas quem falam no cinema participam de um grupo de humanos sem jeito. Estão ali os loucos de palestra, os ditadores, os corruptos, os que são maus, os que passam a perna, os que não prestam.
Meninas, meninas, meninas. Façam um favor à humanidade: pessoas que falam no cinema não merecem nem um bocadinho de compreensão. Merecem a solidão. Merecem retratos falados e recompensas de um milhão de barras de ouro em troca do sumiço dessa gente. Merecem falar sozinhas, diante da tela de TV da casa delas, vendo um DVD de comédia em pé.
Sozinhas.
Para sempre.
Sério: se o seu namorado, marido ou amigo fala durante a sessão, diga a ele pra calar o diabo da boca. Se você fala durante a sessão, diga a você mesma pra calar a boca. E se a pessoa com quem você sai e que não consegue manter o lábio superior e o inferior grudados por duas horas (com a exceção das bocas que abrem pro amor e pras beijocas), se essa pessoa não muda, se ela não atende aos seus pedidos por mais educação, fuja, fuja, fuja muito, mas fuja anunciando que a fuga é por conta da falta de sensibilidade e noção diante do mundo.
Ah, meninas, guerras devem ter iniciado por conta de um jeca que não sabe calar no cinema e na vida. E o mundo já é tão difícil… Tão difícil.
Então, depende de você. Depende da gente. Depende de nós fazer alguma migalha de diferença.
Diga ao rapaz pra ele calar a boca.


  • J. ANTÔNIO

    Meu nome é J. Antonio e sou um amador. Jogador de futebol amador, jornalista amador e poeta amador. Frequento duas academias: a de Letras e a do bairro. Na última, convivo e suo ao lado de halteres e halterofilistas amadores. E ao lado de meninas, que brincam de fuzilar gordurinhas, todas lindinhas, molhadas e com calça fusô (minha leitora: é 'fusô' ou 'fuseau' o nome da calça? Eu tenho essa dúvida). Mas dizia que sou poeta e malhador. Aos fins de semana, gosto de correr e comer. Sou bruto e macho, mas sensível. Choro escondido – e ó, se um amigo me perguntar, eu nego. Eu nego! Mas sim. Quando a coisa aperta, quando a vergonha afrouxa, ou quando uma de vocês, mulheres, me machuca, eu choro. É assim desde que nasci. Há 30 anos. REVISTA MARIE CLAIRE

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