
Apesar dos grandes progressos da ciências mentais os mitos no que diz respeito ao esquecimento são muitos.
Para efeito de curiosidade pegue um pedaço de papel e teste a sua opinião respondendo qual é o seu ponto de vista a respeito da memória escrevendo sim quando você acha que é positivo ou não em caso contrário.
- A memória está diretamente ligada a inteligência ou raciocínio?
- A anotação tipo lembrete é um excelente recurso para a memória?
- O número de um telefone após transitar pela nossa memória fica arquivado?
As respostas as três perguntas são:
A primeira pergunta é não, porque nada tem a ver com a inteligência ou o raciocínio. Vamos encontrar pessoas com inteligência elevada porém muitos esquecidos. O poder de memorização é um dom natural e em muitas ocasiões depende de treino.
A segunda é sim, porque o simples fato de anotar é um excelente recurso para reforçar a memorização, e não como muitos pensam que é o caminho mais curto para o seu enfraquecimento.
O neurologista Barry Gordon da Universidade Johns Hopkins autor de um excelente livro sobre memória dá um conselho categórico¶
«Vale mais a pena comprar uma agenda - e usa-la do que esperar que a cabeça cuide de tudo sem falhar» .
A terceira pergunta é não e pode ser explicada da seguinte maneira: Uma grande parte das nossas percepções como no caso a retenção de dados esporádicos como por exemplo número de telefone, nome de ruas etc. transitam com muita rapidez em nossa memória, e após o uso assemelha-se ao processo de «evaporação».
Quando ocorrem «esquecimentos», eles estão retidos no cérebro, arquivados e podem ser desarquivados por terapias a base de hipnose ou psicanálise e outras tantas.
Um outro mito que deve ser eliminado, é que o esquecimento é determinado pela morte das células cerebrais, e que, portanto pela idade toda a pessoa estaria fadada a decrepitude. Tal idéia não é verdadeira pois que apesar do cérebro perder o peso com a idade (entre 5% e 10% por década depois dos 65 anos de idade) e a memória ser mais lenta, a maioria das pessoas não está programada para de tornar incapaz mentalmente depois de uma certa idade.
Entretanto o estresse , os tóxicos (álcool, drogas ilícitas e fármacos) assim como algumas enfermidades cerebrais como o «Mal de Alzheimer», as «Doenças Vasculares» causam sérios danos à memória.
Os estudantes constantemente se referem ao «branco» ou «falha de memória», por ocasião das provas exames, e quando entregam a prova tudo o que haviam esquecido volta normalmente.
Tal fato explica como um período estressante pode gerar esquecimento. Os estudantes que não elaboram adequadamente a sua agenda de trabalho, vão para as provas com altos níveis de ansiedade e angústia achando de que irão mal na prova e com certeza sofrerão do efeito rebote que é a «amnésia de momento» ou lapsos de memória.
Acontece com a maioria das pessoas que conversam descontraidamente e de um momento para o outro ocorre falha de memória, como por exemplo ao citar o nome de uma pessoa. Ele não é lembrado, e com o aumento de tensão por mais que se tente não surge a lembrança. Passado um tempo repentinamente eis que surge a lembrança.
A tese de que a idade faz decrescer a memória não é verdadeira porquanto vejamos os exemplos de Verdi que aos 70 anos compôs as suas obras mais complexas, e o jornalista Barbosa Lima Sobrinho recentemente falecido já perto dos 100 anos estava bem lúcido ,assim como o arquiteto Oscar Niemayer o jurista Sobral Pinto, o escritor argentino Jorge Luís Borges que aprendeu o inglês arcaico já octogenário. Séria longa a lista de pessoas que com idade provecta tiveram a memória inalterada e até melhor do que quando eram jovens.
O estilo de vida saudável é um ótimo auxiliar para a conservação higida da mente
As pesquisas confirmam, a velha crença de que quando mais a memória é usada ela se torna mais ativa como acontece com a musculatura e outras partes do corpo que quando convenientemente usados mantém sua forma adequada. Quanto mais as conexões dos neurônios forem ativadas maiores serão as chances de perpetuar as lembranças, e se ter uma memória privilegiada.
De:* Roque Theophilo
* Jornalista Profissional e Psicólogo, é autor do título « O Amigo Psicólogo ® ». Presidente das Academia Brasileira de Psicologia e Academia Internacional de Psicologia, e um dos pioneiros da Psicologia no Brasil.

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