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Na tentativa de criar laços, é comum iniciarmos um relacionamento prestando muita atenção às necessidades e desejos do outro, para que possamos atendê-los ao mesmo tempo em que procuramos lhe oferecer o melhor de nós, na expectativa de sermos aceitos ou amados. Isso ocorre em relação às novas amizades, novos empregos, novos amores. Também é comum vermos arrefecerem essas preocupações com o passar do tempo, quando esperamos conquistar segurança suficiente para deixar escapar aquele nosso lado que não apreciamos tanto, enquanto permitimos que o outro também o faça. Passamos a nos sentir mais à vontade na relação, abrindo espaço inclusive para dizer não.

Certa tensão sempre haverá, afinal eu sou eu e o outro é o outro, mas apenas a tensão necessária que nos mobiliza em direção aos ajustes constantes de qualquer parceria. Quando bem utilizada, torna-se responsável pelo amadurecimento da relação e crescimento dos envolvidos. A questão se coloca quando não se chega a esse ponto de equilíbrio. Alguém ou alguma coisa se desviou no meio do caminho. É preciso descobrir. Um dos lados estaria usando a insegurança do outro para exercer seu poder sobre ele? Ou ele próprio ainda não saiu da zona de insegurança?

Trata-se, por exemplo, do caso do homem ou da mulher que deixa o outro em permanente dúvida quanto ao tipo de vínculo assumido, ora mostrando-se interessado em dar continuidade ao relacionamento, ora colocando-se de passagem. Ou aquele que vive comparando a companhia atual aos amores do passado, em sua opinião, sempre mais interessantes. Há, ainda, os que gostam de incitar ciúmes, provocando no outro a sensação de perda iminente.

Nas relações de trabalho não é muito diferente. Encontramos chefias que mantêm seus funcionários em constante desconforto por nunca receberem o retorno sobre seu desempenho. Aqui também podem aparecer situações em que os empregados costumam ser comparados uns aos outros; ou outras, nas quais são enfatizadas apenas suas falhas.

Entre amigos e familiares, os laços são muitas vezes mantidos pela dependência afetiva, seja um cobrando mais do que o outro pode ou está disposto a dar, seja reclamando atenção, presença, ou apontando fragilidades, em nome das quais aquele se faz sempre necessário.

Laço nos remete tanto à união, como à armadilha. A escolha é nossa.

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